Marília Alves Cunha – Eucadora e escritora
“No Brasil o fundo do poço é apenas uma etapa. Ou sai da m…. ou estará condenado à esperança…”
Estamos vivendo em um clima propício a sentimentos espúrios – raiva, intolerância, antagonismos sem fim – tudo acumulando-se e tornando o país inviável do ponto de vista da concórdia e união. E como dizem por aí: nada está tão ruim que não possa piorar.
Os acontecimentos nefastos do dia 29 de outubro expandiram situações antagônicas. Não há como não sentir tristeza com os acontecimentos que culminaram em morte e dor no Rio de janeiro, nos complexos da Penha e do Alemão. Todo cidadão que deseja viver em paz e tranquilamente, trabalhando, criando sua família, esperando ser protegido pelas leis, nunca espera ou deseja que aconteçam estas situações, que haja violência, que haja injustiças, que haja sofrimento. Porém, por outro lado, não mostra-se tranquilo com as situações que o Brasil tem vivido há muito tempo e que, ultimamente, tomaram um rumo catastrófico, com o aumento da violência em nosso país.
A criminalidade avultou, principalmente nas grandes cidades e chegou a um ponto insustentável. Temos hoje presente e clara a ameaça de organizações criminosas que, diuturnamente, vão se apoderando de territórios e impondo a sua autoridade sobre as pessoas, crescendo como um quarto poder, imune a quaisquer outros poderes. Não é mais possível que milhões de pessoas vivam sob o signo do medo, desprotegidas e completamente inseguras. Não é possível que cidades inteiras sejam dominadas pelo crime como é o caso do Rio de Janeiro e algumas cidades do Nordeste onde a criminalidade age abertamente, dominando tudo pelo medo e opressão.
Sentimos claramente que há, por parte do governo e outras instituições, uma certa condescendência em relação a criminosos e ao crime organizado. Um presidente tem a capacidade de falar que “o traficante é vítima do usuário”. O Ministério da Justiça cria um Projeto de Segurança Pública que nada tem de mais significativo no enfrentamento da terrível situação que o Brasil enfrenta, em relação ao assunto. Parece que tudo se encaminha no sentido de dar mais proteção àqueles que tem agido criminosamente e ameaçado a paz e segurança dos brasileiros, que não têm a mínima intenção de viver em sobressalto e ameaçado pela violência.
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, mediante mandados judiciais, ocupou dois Complexos dominados por criminosos. O resultado foi o que vimos: houve uma batalha, com vários mortos e feridos e muitas prisões. Houve lágrimas pelos mortos, inclusive quatro policiais que cumpriam o dever. Houve também muitos aplausos pela operação militar, de uma população que não aguenta mais conviver com o crime, uma reação de intolerância pela maneira como as autoridades têm deixado, por sua inércia, que cresçam e tornem-se as organizações criminosas cada vez mais poderosas e difíceis de serem dominadas. A aprovação ao governador aumentou sensivelmente depois da operação nos dois complexos.
Sobrou para quem teve energia e coragem de combater o crime, o governador do RJ, uma tarefa gigantesca: explicar para o Ministro Alexandre de Moraes, tim tim por tim tim, os acontecimentos do 29 de outubro. A lista do que deve ser mostrado e demonstrado é incrivelmente minuciosa e imensa. Penso que o governador passará muito tempo explicando os mínimos detalhes da operação e não terá muito tempo para combater o que precisa ser combatido. Alívio para os marginais…
Implantaram um projeto piloto no Espírito Santo chamado “Pena Justa”. O objetivo do Projeto é garantir dignidade, educação e trabalho aos presos. Parece que o tratamento será VIP e propiciará vida melhor a eles do que aos que, na pobreza, insistem em viver honestamente. A população brasileira pede “Pena Dura” e o governo vai na contramão do que a população tem exigido. É mole?