por uberlandiahoje | nov 18, 2025 | Ponto de Vista |
Marília Alves Cunha
É impossível não falar da COP30. Santo Deus, o que foi aquilo? Segundo lista oficial divulgada pela assessoria de imprensa, participaram da COP 28 chefes de Estado ou governo, entre eles 15 presidentes, 11 primeiros ministros e 2 líderes da realeza. Assinaram a Agenda 2030 todos os 193 estados membros da ONU, mas alguma coisa influenciou a retirada do compromisso. E não resolve em nada dizer que a culpa foi de Trump ou de outra coisa qualquer. A culpa foi do próprio governo brasileiro que, apesar de gastar uma fortuna fabulosa, não teve a necessária competência para planejar devidamente o acontecimento.
Para falar a verdade, tenho a impressão que a maioria dos países já desacredita das intenções ambientalistas destes eventos criados para discutir ações climáticas globais. Dizem as más línguas que o aspecto fundamental de tudo é o econômico. No Brasil, por exemplo, terra das ONGs(e a Amazônia é o reino delas), muito dinheiro vai parar nas mãos das próprias…Parece que nada é sobre clima, sobre maneiras de diminuir impactos ambientais negativos na natureza. O negócio mesmo é o vil e importante metal, o poder e a propaganda. O lucro comanda tudo!
O Brasil, nesta COP30, fez questão de mostrar que tudo não passa de uma grande farsa e hipocrisia. Lula, por falta de acomodações em Belém que não tinha as mínimas possibilidades de ser a anfitriã desta festa, mostrou-se mais uma vez um esbanjador de primeira: alugou 2 grandes iates para hospedar os privilegiados que não poderiam ficar mal alocados. Uma grande fortuna foi paga com o nosso dinheiro, para satisfazer caprichos de um governante, sua esposa e convidados especiais que curtiam adoidado as melhores acomodações, os melhores comes e bebes ao som de música e requebros, enquanto as dificuldades ficavam de fora do requinte e do luxo.
A ONU não se fez de rogada. Zangou aberta e oficialmente com o presidente Lula. Dirigiu críticas à COP30 pelas instalações precárias, calor absurdo por falta de ar condicionado, falta de segurança e outras coisinhas mais. Mas vamos e convenhamos, minha gente: o que o governo federal, no final de seu terceiro mandato, fez de útil e realmente proveitoso para o nosso país? Em que houve melhorias estruturantes ou conjunturais em nossas condições de vida? Uma coisa não deixa de ser notada: o crescimento da receita da União devido a inúmeros impostos criados ou modificados, a saga deste governo em inventar maneiras de arrecadar mais e mais dinheiro e dificultar ainda mais a vida já difícil do nosso povo.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Indiferente às dificuldades do povo, por falta de obras estruturais que promovam melhor qualidade de vida da população, por falta de melhoria nos sistemas educacionais, de saúde, segurança e outros, Lula ataca maciçamente na propaganda de seu governo e começa já a prometer bondades eleitorais. O advogado André Marsiglia, pronunciou-se sobre o assunto: “Quando faço gás de graça, ônibus, luz de graça, tudo de graça com o dinheiro de alguém, é óbvio com o dinheiro da parte produtiva da população, isto é crime. É propaganda eleitoral antecipada, é muito claro isto”. E nada sobra para o povo em matérias essenciais, como saúde, transporte, educação, segurança. Lula ainda faz malabarismos com os números. As estatísticas mostram que o Brasil está em situação de pleno emprego, uma maravilha! Mas esquece de contar que entre milhões de pessoas empregadas estão aqueles 20.000.000 que recebem Bolsa Família. E assim o país vai vivendo de fantasia, afastado da realidade, sem a mínima capacidade de servir melhor cardápio, mais digno e digerível ao povo brasileiro.
Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
De corrupção e escândalos que estão acontecendo deixamos para a próxima edição. São muitos. Vamos falar do assunto do momento: tilápias. A produção de tilápias é uma das joias da aquicultura brasileira. O Brasil é o 4º maior produtor de tilápia do mundo. Mas o nosso governo decidiu abrir as portas para a importação em massas de peixe Vietnamita. Classificaram a espécie de peixe como invasora, espécie exótica que não tem origem no Brasil.
O primeiro contêiner com 24 toneladas já está a caminho do Porto de Santos. Ao todo serão 32 contêiners com cerca de 700 toneladas. A justificativa oficial é a cooperação bilateral entre Brasil e Vietnã. Em trocas de peixes o Brasil exportará para Vietnã carne bovina. E adivinhem quem está metido neste negócio? A JBS, é claro! Falou em exportador de proteína falou nesta dupla fantástica: os irmãos Batista, heróis nacionais. Um acordo comercial protegendo empresários conhecidos do povo brasileiro impacta diretamente milhões de pessoas. Gostaria de ter um centésimo da sorte destes irmãos biliardários que já jogaram contra o presidente, mas agora parecem ser a “menina dos olhos” de Lula. Sorte grande, né?
Bem, dia desses vi numa rede social essa grande verdade: nós, as pessoas, vivemos menos que as sacolas de supermercados que envenenam e machucam a natureza por mais de 120 anos. Não devemos ter grande importância neste mundo guiado por interesses que vão além de nossa humanidade e da nossa curta existência.
por uberlandiahoje | nov 16, 2025 | Ponto de Vista |
Antônio Pereira – Advogafo e escritor
Frei Egídio Parisi foi figura ímpar na história da cidade. A sua longa passagem por aqui gerou muitos casos curiosos. Caridoso, fazia uma festa cristã para os presos da cadeia da rua Tiradentes, todos os Natais. Num deles, quando entrava pelo corredor das celas, ouviu a gritaria de um conterrâneo berrando em italiano que estava preso injustamente, que não tinha feito nada. Que não era um criminoso. O frei se condoeu e foi pedir ao delegado que o soltasse, que não tinha feito nada. O delegado disse que não podia, a prisão tinha sido por decisão judicial em processo. Frei Egídio não se contentou, foi ao juiz. Fez lá suas alegações, baseadas nas queixas do preso, mas não adiantou nada. O juiz disse-lhe apenas que o cidadão estava preso porque tinha uma pena a cumprir e que ele já tinha fugido de umas vinte cadeias, mas, agora, ia cumprir a pena.
Frei Egídio redarguiu:
– O senhor não vai solta-lo, ele vai fugir de novo.
O juiz ergueu o indicador, balançou-o negativamente e afirmou seguro:
– Daqui, não!
Volta e meia o frei ia lá pedir a soltura do conterrâneo passando antes na cadeia para vê-lo. Recebia, sempre a negativa do juiz. Sentenciava o religioso:
– O senhor não vai soltá-lo, ele vai fugir de novo.
E aconteceu. Uma noite, cinco presos furaram uma das paredes da cadeia e se mandaram. Entre eles, o Francesco Romano, “que não tinha feito nada”.
Pela manhã, mal chegara o juiz ao fórum, já estava lá o frei com o seu indefectível guarda-chuva. A notícia da fuga ainda não tinha chegado àquela casa. Frei Egídio foi conversar com o juiz e pedir mais uma vez a liberdade do seu protegido. E a conversa terminou quase do mesmo jeito que todas as outras.
– O senhor não vai soltá-lo, ele vai fugir de novo.
– Daqui, não. – Respondeu enérgico o Juiz.
E o frei Egídio, que já sabia da fuga porque tinha passado antes na cadeia, sorriu galhofamente:
– Pois já fugiu!
O imbróglio não terminou aí.
Pouco depois da fuga, o Romano já estava de terno, gravata, num ônibus para o estado de Goiás, todo limpo e ajeitado. Desceu em Itumbiara e encontrou-se com o soldado que o havia prendido.
– Uai, que você está fazendo aqui?
– Cumpri minha pena. Estou livre.
O soldado cumprimentou-o pela liberdade e ainda o convidou para um cafezinho na rodoviária.
Francesco Romano não achou muito conveniente ficar por ali e, depois do cafezinho, tomou outro ônibus para qualquer lugar mais para os fundos de Goiás.
E não se soube mais dele.
por uberlandiahoje | nov 15, 2025 | Ponto de Vista |
Leandro Grôppo – Publicitário
É lugar-comum dizer que o Brasil está polarizado entre petistas e bolsonaristas. Essa divisão beneficia os polos que a compõe e facilita a disputa ao alimentar as narrativas opostas. Mas também simplifica a “análise” dos precipitados que cravam não haver espaço para outros discursos, seja por desconhecimento, falta de visão estratégica ou até interesses próprios.
Por ser útil para muitos, em especial aos candidatos a cargos legislativos, que se beneficiam dos algoritmos das redes, os extremos se retroalimentam propositalmente para reduzir a decisão. Ou você é a favor ou é contra, sem lugar para alternativas. Mas será mesmo? Analisando diagnósticos recentes é possível afirmar que não.
Pesquisa aprofundada realizada pela More in Common, inédita no Brasil, aponta que a polarização política no país, hoje, é menos acentuada do que alguns sugerem. O estudo segmentou a sociedade brasileira em seis grupos e revelou que os extremos do debate político são dominados por agendas específicas, na direita e na esquerda, que representam 11% dos brasileiros. São a minoria, mas os mais barulhentos.
E enquanto outros 21% são “conservadores tradicionais” e 14% “esquerda convencional”, a maioria, 54%, se mantêm afastados da política e raramente participam de debates públicos. Esses brasileiros “invisíveis” não se reconhecem nem na direita nem na esquerda, e preferem se manter distantes da polarização. A maioria dos brasileiros não milita, não se identifica com rótulos e evita o conflito. Essa desmobilização não é uma despolitização, mas um afastamento da política atual. Votam, mas raramente se envolvem em discussões que dominam as redes sociais e os noticiários. Formam a maioria silenciosa, cansada do embate ideológico da minoria escandalosa.
Ao mesmo tempo que os extremos travam batalhas em torno de temas como gênero, costumes e liberdade de expressão, a maioria se preocupa com questões práticas e imediatas: saúde, insegurança e custo de vida. E é justamente nesse vácuo que outras candidaturas podem surgir e crescer. Para tanto, não basta falar o mesmo que outros falam, nem adianta repetir formas que outros já usaram.
Em um ecossistema saturado de personas fabricadas, vídeos meticulosamente elaborados e discursos que soam todos iguais, a maioria busca por qualidades pessoais raras ultimamente: quem não imite os símbolos do poder, mas sim os construa, rompendo padrões a partir da realidade cotidiana com autenticidade e pertencimento. Partidos e candidatos que entenderem isso, poderão ocupar o espaço que existe e (ainda) está em aberto.
Leia mais em: www.strattegy.com.br/artigos
por uberlandiahoje | nov 14, 2025 | Ponto de Vista |
Ana Maria Coelho Carvalho – Bióloga
O biólogo molecular Fernando Reinach, Ph.D. pela Cornell University e pesquisador da USP, escreveu o livro “A longa marcha dos grilos canibais”. É uma coletânea de quase 400 textos abordando assuntos diversos como ambiente, sexo, comportamento, política. Todos baseados em artigos científicos recentes, publicados em revistas de renome, como Nature e Science, traduzidos para uma linguagem acessível e bem humorada, sem deixar de lado o rigor científico.
Por exemplo, o texto que deu nome ao livro é baseado no artigo “Cannibal crickets on a forced march for protein and salt”. Os grilos Anabrus, que vivem nos Estados Unidos e não voam, se organizam aos milhões, em fileiras de até 10 km e avançam rapidamente, cerca de 2 km por dia. São atropelados quando atravessam as estradas e os de trás param para comer os mortos. Os que param também são atropelados e comidos pelos seguintes. Descobriu-se que a motivação que inicia a marcha é a busca por comida, principalmente sal e água. Como o corpo dos grilos é formado principalmente por estas substâncias, ocorre o canibalismo. Mesmo assim, os grilos não abandonam o bando, pois seriam comidos por pássaros. Entre o medo dos pássaros, o medo do grilo que vem atrás e a vontade de comer o da frente, o jeito é caminhar cada vez mais rápido.
No livro, os títulos dos textos são criativos, como “Caçar ratos é mais fácil que cassar ratos”; “O inimigo do meu inimigo é meu amigo”; “Uma vaca que não fica louca”. Outros instigam à leitura para saber como o autor vai conseguir ligar os fatos, como “A voz, o ciclo menstrual e as cartomantes” e “A dinâmica da obesidade e as armas nucleares”.
Entre outros assuntos, o livro mostra que, mesmo o homem tendo domesticado centenas de animais e plantas para uso próprio, está longe de controlar a natureza. Essa possui vários recursos engenhosos e sofisticados, alguns deles fantásticos. Por exemplo, mesmo as bactérias são capazes de se intercomunicar, organizar estratégias de sobrevivência e, ainda, demonstrar alguma forma de altruísmo. Até morrem sem deixar cadáver, pois uma mãe simplesmente deixa de existir se partindo em dois filhos. Já as plantas podem fazer sexo a grandes distâncias, com o pólen viajando quilômetros antes de fertilizar outra planta. Há também casos de espécies que usam incríveis estratégias de sobrevivência, como o cachorro, um parasita do afeto humano. Desde que o homem se espalhou pela Terra, os grandes carnívoros têm sofrido com nossa presença. A exceção é o cão, que entregou seu destino ao homem, seu pior inimigo, e teve a astúcia de desenvolver uma relação direta com nossa capacidade de criar laços afetivos, talvez por seu olhar meigo ou por sua capacidade de balançar o rabo.
Outro ponto forte do livro são as reflexões de como o conhecimento científico afeta nossas vidas. Por exemplo, cientistas suíços demonstraram que o cérebro, em suas escolhas, prefere utilizar informações obtidas em contato direto. Por isso, em época de campanha eleitoral, os políticos andam pelas ruas sorrindo e cumprimentando os eleitores. Na falta do contato direto, a imagem da face passa a ser a principal fonte de informação. Daí, os candidatos fazem plástica pra ficarem mais bonitos. Assim, em tempos de eleição, é preciso ter cuidado ao escolher em quem votar. Um rosto bonito não quer dizer nada, pode estar cheio de plásticas pra fisgar o eleitor.
E se não escolhermos bem, poderemos acabar como os grilos canibais: com medo do que tem acima, ao lado, atrás, e correndo sem rumo, sem saber pra onde. Talvez pra fora do Brasil.
por uberlandiahoje | nov 14, 2025 | Ponto de Vista |
Tania Tavares – Professora – SP
O governo atual dos Estados Unidos diz que irá reduzir algumas das tarifas para nosso país, pois é bonzinho. Deve ter lembrado da frase “É a economia, estúpido”. Ela foi dita por James Carville, que foi o principal estrategista da campanha presidencial de Bill Clinton nos Estados Unidos em 1992.E os americanos não estão satisfeitos com os preços.
por uberlandiahoje | nov 14, 2025 | Ponto de Vista |
Tania Tavares – Professora – SP
Dúvida atroz. Perguntar não ofende, certo? Será que um rombo de vinte milhões nos Correios é semelhante ao que ocorreu no INSS?