por uberlandiahoje | ago 24, 2026 | Ponto de Vista |
Diógenes Pereira da Silva*
A política brasileira chega a 2026 num momento bem decisivo, com muita polarização, desconfiança nas instituições e um cansaço geral com promessas que não saem do papel.
O Brasil é uma democracia na hora do voto, mas ainda meio frágil no dia a dia. Corrupção, desigualdade e brigas por poder acabam afastando a política do que deveria ser o principal: melhorar a vida das pessoas.
O debate público virou quase uma torcida organizada. Em vez de ideias, muita gente escolhe lados, e a verdade vai perdendo espaço.
Erro continua sendo erro, mesmo quando vem de aliados. E acerto não muda de valor só por causa de quem fez.
A quantidade de partidos dificulta governar e, muitas vezes, a negociação vira mais uma disputa por poder do que por interesse público.
Enquanto isso, faltam saúde, educação, segurança e oportunidades. O cidadão sente um sistema que fala muito e entrega pouco.
A corrupção não só leva dinheiro embora, como também vai minando a confiança. Cada escândalo representa serviços que deixam de existir.
Ainda assim, existem políticos sérios e comprometidos. O problema é que os erros acabam chamando mais atenção do que os acertos.
A polarização é um dos maiores riscos. Discordar é normal, mas o problema começa quando o outro vira inimigo.
O Brasil não precisa de todo mundo pensando igual, mas sim de maturidade para conviver com as diferenças.
Democracia não se sustenta só no voto, mas em condições reais de cidadania: educação, saúde, segurança e dignidade.
Às vésperas de 2026, o desafio está claro: menos fanatismo, mais responsabilidade; menos idolatria, mais cobrança; menos discurso, mais resultado.
A democracia pertence ao cidadão.
E talvez a principal escolha não seja só um nome, mas recuperar a política como ferramenta do país, e não como uma guerra.
Governos passam. Partidos passam.
O Brasil fica.
*Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG.
por uberlandiahoje | ago 22, 2026 | Ponto de Vista |
José C. Marteli – Advogado e professor – Esírito Santo do Pinhal – SP
Amigas e amigos da “melhor idade”- Hoje é domingo. Dia da semana em que, vez ou outra, reservo para escrever alguma coisa sobre nossa faixa etária.
Então aqui vai, com uma pitada de humor, o que sempre ajuda.
Há 27 anos eu escrevera (em preto) o artigo abaixo, cujo título roubei para esta crônica.
Depois, em 2018, fiz algumas retificações, ou melhor dizendo, alguns esclarecimentos e comentários que podem ser vistos (em verde), entre parênteses.
Já estamos em dezembro de 2022, no limiar de 2023 e sou obrigado a complementar o que escrevera porque, pela vontade de Deus, ainda estou aqui, sem saber, como já escrevi alhures, se essa longevidade é dádiva ou castigo.
Eis o artigo de 1995 e respectivos esclarecimentos feitos em 2018:
“Lá pelos idos de 1995, em pleno vigor dos meus 62 anos, estava eu no Metrô de São Paulo, em pé, apoiado em meus “vigorosos” braços, numa viagem entre o Terminal Rodoviário do Tietê e o SEBRAE – SP, quando percebi de soslaio, uma moça fitando-me, insistentemente. Lisonjeado pensei:- ainda tenho “lenha para queimar”. Então arrisquei um olhar mais direto, tão logo nossos olhos se cruzaram ela não perdeu tempo. Levantou-se e…. ofereceu-me o seu lugar. Devia estar pesando no seu pai ou quem sabe no seu avô (dizer que estou com o mesmo vigor da época seria mentira. Mas posso afiançar que, com uma vida regrada, quis dizer regada, com muita cerveja e motivação constante, com a ajuda de Deus para que não sobrevenha nenhuma doença, dá pra fazer muita coisa prazerosa. E não se corre mais o risco de alguma mocinha nos oferecer o lugar porque agora só andamos em nosso carro. Adeus metrô, ônibus ou outros que tais).
De outra feita, numa viagem de ônibus entre Uberlândia e São Paulo sentei-me ao lado de uma viçosa “jovem” dos seus 40 anos, muito falante e que, no decorrer de nossa conversa, perguntou-me: – Você é casado? Ao mesmo tempo em que pensava estar interessando à dita cuja, respondi: – Sou viúvo. E ela arrematou: – Você é tão simpático, gostaria muito de apresentá-lo à minha mãe. (pelo motivo antes mencionado também não corremos mais este risco)
Daí em diante comecei a prestar atenção numa sucessão de fatos que começaram a ocorrer, semelhantes àqueles e que não me davam trégua, sempre lembrando minha velhice, digamos assim, emergente.(aí outra vantagem, – já repararam que sempre encontro vantagem em tudo – ela não é mais emergente. Ela se instalou. E quando se conhece o inimigo é muito mais fácil domá-lo)
Eram convites para sair das filas comuns dos bancos e ir para as de atendimento especial para idosos; eram médicos que, insistentemente, diziam que eu tinha uma saúde de jovem, níveis de colesterol e triglicérides de jovem, pressão de jovem etc..(bem, quantos às filas não preciso dizer que a informática resolveu tudo e quanto aos médicos, continuam os mesmos, só que dando maior ênfase do tipo:- viu seu amigo fulano? Morreu… e você está aí firme. Agora a “pá de cal”: no velório de um advogado amigo, alguém parabenizou-me por ter a honra de possuir a OAB mais antiga de Pinhal, honra detida até então, pelo morto. Ele queria lembrar-me, agora é sua vez)..eram amigos, “muy amigos”, que não perdiam a oportunidade para lembrarem-se de que eu, de forma alguma, parecia ter a idade que tinha; eram reencontros com antigos companheiros, colegas e amigos, quase todos, invariavelmente encarquilhados, abdomens proeminentes, cabelos brancos ou ralos, longe das belas figuras de homem que balançavam os corações de moçoilas casadoiras, monstros modelados vagarosamente pelo tempo e eram também reencontros com antigas namoradas, quase todas velhas e feias, longe daquelas que conhecera há tantos anos. Então me perguntava: e eu? Deveria estar igual a eles e a elas. Apenas a convivência diária comigo mesmo não me permitiam ver a dura realidade. (esse risco também, infelizmente, praticamente desapareceu. Quase não temos mais ninguém para comparações. A pouco e pouco estão nos deixando)
Não bastasse isso, eram ainda mortes, quase todos os meses, de amigos e conhecidos da mesma faixa etária que a minha. (vale o comentário anterior)
A par de tudo, participar, viver e/ou ser vítimas de fatos e acontecimentos desagradáveis, tão desagradáveis que nem vale a pena mencionar e que não me deixavam, também, esquecer minha condição de septuagenário. (faz parte da vida. Vida sem problemas só onde ninguém quer estar)
Mas já que a velhice chega e se instala, inexoravelmente, será que nada há a fazer? Há sim. Há coisas que podem ser feitas sempre, não importa a idade. Por exemplo: nada de ficar olhando para trás, para um passado que não volta mais a não ser para recordações boas e gratificantes. Olhar sempre para a frente, para o futuro, viver cada dia como se fosse morrer amanhã, mas sonhar e fazer planos como se nunca fosse morrer. (ratifico plenamente tudo que escrevera e que tenho praticado nestes 23 anos, apenas como já dissera alhures, com uma grande pitada de amor. Amor à vida, amor à natureza, amor aos animais e amor às pessoas. Isto que nos mantém vivos, enquanto Deus quer)
Lutar sempre, perseverar sempre, ajudar sempre, trabalhar sempre, entender sempre, compreender sempre e saber, sem culpas, ressentimentos ou depressões, que cada coisa a seu tempo, nada tem de errado se praticada no momento desejado. (quis deixar bem claro e ratifico agora, parodiando a letra da canção : “quem sabe faz a hora…”)
Quem tem essas características não é e nem será jamais velho. É apenas um jovem que está vivendo mais tempo. (e já que estamos vivendo, vamos viver intensamente. Dormir tarde. Levantar cedo. Sempre que possível, com muito humor em cada dia. Esta é a receita)”
Pois bem. Ratifico todos os comentários feitos em verde. Apenas acrescento que estou, infelizmente, percebendo outros sinais. A pele enrugando, uma protuberância abdominal que não percebia (tenho certeza que as amigas e amigos gostaram do eufemismo), o andar meio trôpego, algumas lembranças bem antigas que vão dando lugar a esquecimentos presentes e por aí vai. Mas, mesmo assim, tanto quanto possível, busco servir, porque quem não vive para servir, não serve para viver.
por uberlandiahoje | ago 22, 2026 | Ponto de Vista |
.Tania Tavares – Professora – sp
Pergunto aos ministros do STF:- a quem é permitido usar carros oficiais sem a presença do ministro responsável junto, além do seu motorista? Se eu ver algo estranho com um carro destes não posso avisar um Jornalista? Estes carros são autorizados a levar filhos, esposas dos ministros para escola, natação, cabeleireiro, etc…?Acho que gostaríamos de saber para não tirar conclusões erradas. Viva a imprensa livre!]
por uberlandiahoje | ago 22, 2026 | Ponto de Vista |
Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – Economista – RJ
Acho que o advogado de Lulinha se equivocou ao afirmar que se ele não fosse o filho do presidente o caso teria sido arquivado. Como a justiça no Brasil é instável, seletiva e injusta eu diria sem medo de errar que ele estaria preso preventivamente. Basta ler os jornais e noticiários para atestar. Com relação ao envio para a primeira instância estou de acordo desde que todos condenados pela suposta tentativa de golpe tivessem tido o mesmo destino. O que ainda pode ser feito. Jurisprudência até existe e o exemplo é a descondenação de Lula.
por uberlandiahoje | ago 22, 2026 | Ponto de Vista |
Tania Tavares – Professora – SP
Realmente não devemos esquecer de quem nos queria dar um golpe (A3;21/08), mas há outras formas de golpes legalmente constituídos, ou seja, dar poder para indicar as vagas dos futuros ministros do STF!!!
por uberlandiahoje | ago 21, 2026 | Ponto de Vista |
João Batista Domingues Filho – Cientista Político – Professor UFU/INCIS
A democracia se mostra pelo grau de desenvolvimento dos fatores de liberalização (contestação pública do governante) e inclusividade (participação do cidadão na riqueza da nação). Não existe vontade política consistente para a construção de uma democracia brasileira estruturada na sustentabilidade e no controle estratégico do capital natural. Existe dinâmica de interesse, correlação de forças e capacidade de realização de políticas ambientais. Entretanto, a conservação da biodiversidade ainda não se consolidou como eixo estruturante do modelo de desenvolvimento brasileiro. Interesse econômico e capacidade de realização permanecem, em grande medida, associados a atividades intensivas em recursos naturais. Nesse contexto, a produção econômica sustentável não constitui o núcleo organizador da estratégia de crescimento nacional.
Critérios baseados em biodiversidade e sustentabilidade para nortear os investimentos públicos precisam ser criados no Brasil, dado o padrão de pressão sobre os ecossistemas. Preservação da biodiversidade e desenvolvimento humano, atrelando os ecossistemas ao debate climático, é caminho necessário para a proteção da natureza. O financiamento da conservação da biodiversidade deve advir dos benefícios econômicos da própria exploração sustentável. Interesse econômico, mediado pelo Estado democrático, produzindo lucros para os capitalistas e conservação da biodiversidade, é possível. O Brasil dispõe de arcabouço normativo ambiental relevante — como o Sistema Nacional de Unidades de Conservação e legislações complementares —, porém enfrenta dificuldades históricas de financiamento, implementação e integração dessas normas a uma estratégia econômica de larga escala. A liberalização política e a inclusividade econômica ainda não se traduziram plenamente em acesso equitativo aos benefícios gerados pelo capital natural brasileiro.
O Brasil não tem uma política ambiental integrada e transversal ao conjunto da estratégia econômica do país, apesar de apresentar compromissos internacionais relevantes. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) desenvolve diagnósticos sobre o potencial econômico das unidades de conservação da biodiversidade brasileira. Dados recentes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) — autarquia federal responsável pela gestão das Unidades de Conservação federais — indicam que, em 2024, essas áreas receberam aproximadamente 25,5 milhões de visitantes, número recorde que revela demanda crescente pelo turismo de natureza. Esse fluxo evidencia que a biodiversidade, quando estruturada para uso público sustentável, constitui ativo econômico significativo, ainda subdimensionado na política nacional de desenvolvimento.
Estados Unidos, para o turismo nessas áreas, investem valores superiores por hectare na gestão de parques e reservas. No Brasil, historicamente, o valor investido é reduzido. Levantamentos comparativos indicam que o orçamento agregado de agências federais norte-americanas responsáveis por parques e áreas protegidas alcança cerca de US$ 12,5 bilhões anuais, enquanto o orçamento do ICMBio situa-se na faixa de aproximadamente US$ 64 milhões anuais. Em termos proporcionais, estima-se investimento próximo a R$ 273 por hectare protegido nos Estados Unidos, contra cerca de R$ 4,42 por hectare no Brasil. O turismo ecológico gera, nos EUA, centenas de milhares de empregos e bilhões de dólares por ano nessas áreas. Conservar a biodiversidade, além dos benefícios econômicos, depende da mobilização do governo e de todos os setores da sociedade. Depende da mudança do modelo econômico: produção e consumo. Isto é mudança estrutural.
As mudanças no Brasil ficam, muitas vezes, restritas a metas formais. Reduzir o desmatamento da Amazônia e do Cerrado é necessário, mas insuficiente. O que vivemos no Brasil paralelamente à pressão sobre a biodiversidade? Crescimento econômico, aumento da população e maior poder de compra das classes baixas. Apesar de oscilações recentes nas taxas de desmatamento e recomposição parcial do orçamento ambiental federal, persistem pressões estruturais associadas à expansão agropecuária, à mineração e à infraestrutura, indicando que o padrão de crescimento permanece intensivo no uso de recursos naturais.
Governança mundial é necessária para enfrentar a perda de biodiversidade e as mudanças climáticas. Problema global, solução coordenada. Frente às mudanças climáticas provocadas pelo homem, a governança política do planeta deve buscar transição energética progressiva, reduzindo a dependência de petróleo, gás natural e carvão. O carvão é fonte de energia mais barata do que alternativas renováveis em muitos contextos. Política energética de baixo carbono versus interesse econômico poluidor. A transição energética tornou-se imperativo estratégico internacional, mas ainda convive com fortes assimetrias entre compromissos formais e implementação efetiva. EUA, China e Índia, para arrastarem o resto do mundo, devem transitar para economias de baixas emissões de dióxido de carbono. Sem integração entre democracia, inclusão econômica e valorização estratégica do capital natural, a sustentabilidade tende a permanecer periférica no modelo de desenvolvimento brasileiro.