por uberlandiahoje | mar 17, 2026 | Notícias |
Projeto-piloto foi realizado em área de alta complexidade territorial
A inovação tecnológica tem transformado a forma como o poder público planeja e executa obras de infraestrutura em Minas Gerais. Um projeto-piloto conduzido pelo Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) introduz um modelo de desapropriação digital baseado na integração entre as plataformas BIM (Building Information Modeling) e GIS (Geographic Information System).
GOV. MG
Considerada pioneira na engenharia pública mineira, a iniciativa combina modelagem tridimensional de obras com dados territoriais georreferenciados, permitindo maior precisão técnica, transparência administrativa e eficiência na gestão fundiária.
Projeto-piloto em área complexa
O estudo foi aplicado na construção da ponte sobre o Rio Casca, em trecho rodoviário que dá acesso ao município de Santo Antônio do Grama. A área analisada envolve cinco propriedades rurais e apresenta interferência direta com o mineroduto do Sistema Minas-Rio, operado pela Anglo American, fator que ampliou a complexidade técnica e territorial do projeto.
Nesse cenário, a integração BIM-GIS permitiu reunir em um único ambiente digital o modelo tridimensional da obra, a faixa de domínio rodoviária, dados ambientais, informações topográficas e limites fundiários. O resultado é uma leitura mais completa do território, capaz de antecipar interferências e apoiar decisões com maior segurança.
Mais precisão e transparência
Entre os principais ganhos da metodologia está a visualização da obra em três dimensões integrada ao território real, ampliando a compreensão técnica do projeto e de seus impactos. A ferramenta também permite identificar previamente interferências fundiárias e ambientais, contribuindo para decisões mais planejadas.
Outro avanço é a melhoria na comunicação entre áreas técnicas e jurídicas, favorecendo maior alinhamento institucional e maior agilidade nos processos. O modelo também fortalece a transparência nas negociações com proprietários ao apresentar dados precisos e simulações de impacto, reduzindo riscos de litígios, retrabalhos e atrasos.
Na prática, a tecnologia possibilita simular cenários antes do início das intervenções, oferecendo ao gestor público uma visão estratégica mais integrada do território.
Reconhecimento técnico
O estudo foi apresentado em novembro de 2025 no Encontro Nacional de Conservação Rodoviária (Enacor), em sessão técnica dedicada à metodologia BIM, reforçando o reconhecimento da iniciativa no meio especializado.
O trabalho foi desenvolvido pelo Setor de Desapropriação do DER-MG por uma equipe multidisciplinar formada por Arthur Tavares, Claudio Pereira, José Honório Júnior, Lauro Pereira, Marcos Costa e pela engenheira Magna Andrade.
O que é BIM
BIM é uma tecnologia de modelagem que permite criar modelos digitais de construção e integrar informações ao longo de todas as fases do projeto. Como opera em uma base de dados única, qualquer alteração no modelo é automaticamente refletida em todos os elementos, ampliando controle, precisão e eficiência em relação aos métodos tradicionais.
por uberlandiahoje | mar 17, 2026 | Política Nova |
Planta rara é endêmica da região e pode ser classificada como “Em Perigo”, reforçando a importância das pesquisas em Unidades de Conservação
GOV. MG
Uma nova espécie de orquídea foi identificada no Parque Estadual de Grão Mogol, no Norte de Minas Gerais, reforçando o papel das Unidades de Conservação como espaços estratégicos para a produção de conhecimento científico e a preservação da biodiversidade. A descoberta foi destacada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF).
A planta foi identificada pelos pesquisadores Gabriela Cruz-Lustre e João Batista, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A nova espécie recebeu o nome científico de Habenaria adamantina, em referência aos diamantes que marcaram a história do município de Grão Mogol e também ao brilho delicado de suas pequenas estruturas florais.
A orquídea é considerada endêmica da região, ou seja, ocorre apenas naquele território e não existe naturalmente em nenhum outro lugar do mundo. Mesmo sendo encontrada em áreas abertas e próximas a trilhas, a espécie permaneceu desconhecida pela ciência até agora. Com a identificação, o número de espécies do gênero Habenaria registradas no município aumentou de quatro para 12.
A planta ocorre em áreas de campo rupestre, ecossistema característico da Serra do Espinhaço e reconhecido como um dos ambientes mais biodiversos — e também mais ameaçados — do país. No parque, a espécie cresce em solos arenosos e úmidos, geralmente em áreas ensolaradas e próximas a pequenos cursos d’água.
Segundo o gerente de Criação e Manejo de Unidades de Conservação do IEF, Edmar Monteiro Silva, pesquisas científicas em áreas protegidas dependem de autorização prévia dos órgãos gestores, procedimento fundamental para garantir que os estudos sejam realizados de forma responsável. “A autorização assegura que os trabalhos ocorram sem comprometer os objetivos de conservação das áreas protegidas. Também possibilita que o órgão acompanhe e avalie as atividades, garantindo que estejam alinhadas às normas ambientais e contribuam para a gestão das Unidades de Conservação”, explicou.
Até o momento, os pesquisadores identificaram apenas duas populações da espécie, distribuídas em uma área estimada de 16,9 km². Pelos critérios da International Union for Conservation of Nature (IUCN), a nova orquídea pode ser classificada na categoria Em Perigo (EN).
Entre as principais ameaças estão o pisoteio acidental de visitantes, a erosão do solo e mudanças na vegetação natural. Apesar disso, a pesquisadora Gabriela Cruz-Lustre destaca que o parque já adota medidas importantes de proteção, como o controle do uso público e a orientação para que visitantes permaneçam nas trilhas e não removam material vegetal.
Para a pesquisadora, a descoberta reforça a relevância científica da região e evidencia a necessidade de ampliar iniciativas de pesquisa e conservação da biodiversidade nas Unidades de Conservação.
A identificação da nova espécie também demonstra como áreas protegidas continuam revelando espécies ainda desconhecidas, contribuindo para o avanço do conhecimento sobre a flora brasileira e para o fortalecimento das estratégias de conservação da natureza.
por uberlandiahoje | mar 17, 2026 | Ponto de Vista |
Marília Alves Cunha – Educadora e escritora
“A inumanidade que se causa a um outro, destrói a humanidade em mim.”
Immanuel Kant
Das provações a que tem sido submetido o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro todos têm conhecimento, graças ao poder das redes sociais que, felizmente, ainda têm força neste país. Isto, apesar das inúmeras tentativas de regulação das mesmas por um sistema que anseia impor um pensamento único e dos insistentes lances de censura que vemos, por muitas vezes, agir contra a nossas liberdades. Rasgos de liberdade de expressão, tão cara aos brasileiros e energicamente defendida na Constituição Federal, tem permitido a tomada de consciência com relação a autoritarismo e abuso de poder com que, muitas vezes, tem se defrontado o povo brasileiro. Muitos sentiram na pele o peso disto, perseguidos, exilados, destituídos do direito de agir e até morto, em consequência.
Pelejaram para condenar Bolsonaro por inúmeros crimes que teria cometido, uns até mesmo bizarros, dignos de fazerem parte de uma comédia. Todos foram arquivados pela promotoria federal por insuficiência de provas. Restou o 08/01 e a celeridade em fazer de uma farsa, o motivo de prisão, exilio, sofrimento e até morte de muitos brasileiros.
Por esta trama, o ex-presidente foi condenado a uma pena dosada exageradamente em 27 anos e três meses, em regime fechado, acusado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do estado democrático de direito. Nunca vimos no país uma pena tão grande para o que, se houve, não passou de cogitação, a primeira e não condenatória fase do “iter criminis”.
O ex-presidente não terminará bem, já devidamente esclarecido pelos médicos, se continuar na situação em que se encontra hoje. Necessita, para sua recuperação, cuidados que não estão assegurados no encarceramento, inclusive pela sua idade e comorbidades, devidas à facada recebida (até hoje sem explicação convincente) quando candidato em 2018. O STF não é obrigado, legalmente, a conceder a ele a prisão domiciliar. Existem regras e normas para esta concessão. Mas, nada impede , por uma questão humanitária, por estarem todos cientes das condições críticas de saúde em que encontra-se o paciente e por já ter 70 anos de idade, que seja beneficiado. Nem ousamos acreditar que isto lhe seja negado, daqui em diante.
Bem, o presidente encontra-se seriamente enfermo, hospitalizado em Brasília. Apesar de estar na UTI uma multidão de soldados, guardas, vigias tem se esmerado em vigiar seus passos, desculpe, sua pessoa. Mas achamos até natural, por estarmos num país que vive situações absurdas. Quem sabe, talvez, tenham receio de que Trump arrebate Bolsonaro do leito do hospital e o leve embora no breu da noite, como num filme que não é ficção e aconteceu na Venezuela.
por uberlandiahoje | mar 17, 2026 | Ponto de Vista |
Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – Economista – RJ
Um dia desses curtindo meu ócio em casa verifiquei que a TV estava sintonizada, certamente por descuido, na TV Justiça. Na tela, um desses ministros envolvidos no escândalo do banco Master proferia um voto. Não sei porque parei para olhar. Não para ouvir o seu voto prolixo (com duplo sentido ) mas para ver seu semblante. Falava como se nada estivesse acontecendo de errado com a corte enlameada pelos recentes acontecimentos deploráveis. Que moral têm esses cidadãos para julgar quem e ou que? Talvez tenha ficado uns 5 minutos olhando para concluir o seguinte: são uns caras de pau ou melhor uma máxima que sempre ouvi – cara de cachorro que peidou na igreja. Já passou da hora de destituirmos pelo menos uns 8 ministros. Com a palavra o Senado, onde não existem senadores.
por uberlandiahoje | mar 16, 2026 | Ponto de Vista |
João Batista Domingues Filho
Cientista Político – Professor UFU/INCIS
A democracia se mostra pelo grau de desenvolvimento dos fatores de liberalização (contestação pública do governante) e inclusividade (participação do cidadão na riqueza da nação). Não existe vontade política consistente para a construção de uma democracia brasileira estruturada na sustentabilidade e no controle estratégico do capital natural. Existe dinâmica de interesse, correlação de forças e capacidade de realização de políticas ambientais. Entretanto, a conservação da biodiversidade ainda não se consolidou como eixo estruturante do modelo de desenvolvimento brasileiro. Interesse econômico e capacidade de realização permanecem, em grande medida, associados a atividades intensivas em recursos naturais. Nesse contexto, a produção econômica sustentável não constitui o núcleo organizador da estratégia de crescimento nacional.
Critérios baseados em biodiversidade e sustentabilidade para nortear os investimentos públicos precisam ser criados no Brasil, dado o padrão de pressão sobre os ecossistemas. Preservação da biodiversidade e desenvolvimento humano, atrelando os ecossistemas ao debate climático, é caminho necessário para a proteção da natureza. O financiamento da conservação da biodiversidade deve advir dos benefícios econômicos da própria exploração sustentável. Interesse econômico, mediado pelo Estado democrático, produzindo lucros para os capitalistas e conservação da biodiversidade, é possível. O Brasil dispõe de arcabouço normativo ambiental relevante — como o Sistema Nacional de Unidades de Conservação e legislações complementares —, porém enfrenta dificuldades históricas de financiamento, implementação e integração dessas normas a uma estratégia econômica de larga escala. A liberalização política e a inclusividade econômica ainda não se traduziram plenamente em acesso equitativo aos benefícios gerados pelo capital natural brasileiro.
O Brasil não tem uma política ambiental integrada e transversal ao conjunto da estratégia econômica do país, apesar de apresentar compromissos internacionais relevantes. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) desenvolve diagnósticos sobre o potencial econômico das unidades de conservação da biodiversidade brasileira. Dados recentes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) — autarquia federal responsável pela gestão das Unidades de Conservação federais — indicam que, em 2024, essas áreas receberam aproximadamente 25,5 milhões de visitantes, número recorde que revela demanda crescente pelo turismo de natureza. Esse fluxo evidencia que a biodiversidade, quando estruturada para uso público sustentável, constitui ativo econômico significativo, ainda subdimensionado na política nacional de desenvolvimento.
Estados Unidos, para o turismo nessas áreas, investem valores superiores por hectare na gestão de parques e reservas. No Brasil, historicamente, o valor investido é reduzido. Levantamentos comparativos indicam que o orçamento agregado de agências federais norte-americanas responsáveis por parques e áreas protegidas alcança cerca de US$ 12,5 bilhões anuais, enquanto o orçamento do ICMBio situa-se na faixa de aproximadamente US$ 64 milhões anuais. Em termos proporcionais, estima-se investimento próximo a R$ 273 por hectare protegido nos Estados Unidos, contra cerca de R$ 4,42 por hectare no Brasil. O turismo ecológico gera, nos EUA, centenas de milhares de empregos e bilhões de dólares por ano nessas áreas. Conservar a biodiversidade, além dos benefícios econômicos, depende da mobilização do governo e de todos os setores da sociedade. Depende da mudança do modelo econômico: produção e consumo. Isto é mudança estrutural.
As mudanças no Brasil ficam, muitas vezes, restritas a metas formais. Reduzir o desmatamento da Amazônia e do Cerrado é necessário, mas insuficiente. O que vivemos no Brasil paralelamente à pressão sobre a biodiversidade? Crescimento econômico, aumento da população e maior poder de compra das classes baixas. Apesar de oscilações recentes nas taxas de desmatamento e recomposição parcial do orçamento ambiental federal, persistem pressões estruturais associadas à expansão agropecuária, à mineração e à infraestrutura, indicando que o padrão de crescimento permanece intensivo no uso de recursos naturais.
Governança mundial é necessária para enfrentar a perda de biodiversidade e as mudanças climáticas. Problema global, solução coordenada. Frente às mudanças climáticas provocadas pelo homem, a governança política do planeta deve buscar transição energética progressiva, reduzindo a dependência de petróleo, gás natural e carvão. O carvão é fonte de energia mais barata do que alternativas renováveis em muitos contextos. Política energética de baixo carbono versus interesse econômico poluidor. A transição energética tornou-se imperativo estratégico internacional, mas ainda convive com fortes assimetrias entre compromissos formais e implementação efetiva. EUA, China e Índia, para arrastarem o resto do mundo, devem transitar para economias de baixas emissões de dióxido de carbono. Sem integração entre democracia, inclusão econômica e valorização estratégica do capital natural, a sustentabilidade tende a permanecer periférica no modelo de desenvolvimento brasileiro.