Marília Alves Cunha – Educadora e escritora
“A inumanidade que se causa a um outro, destrói a humanidade em mim.”
Immanuel Kant
Das provações a que tem sido submetido o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro todos têm conhecimento, graças ao poder das redes sociais que, felizmente, ainda têm força neste país. Isto, apesar das inúmeras tentativas de regulação das mesmas por um sistema que anseia impor um pensamento único e dos insistentes lances de censura que vemos, por muitas vezes, agir contra a nossas liberdades. Rasgos de liberdade de expressão, tão cara aos brasileiros e energicamente defendida na Constituição Federal, tem permitido a tomada de consciência com relação a autoritarismo e abuso de poder com que, muitas vezes, tem se defrontado o povo brasileiro. Muitos sentiram na pele o peso disto, perseguidos, exilados, destituídos do direito de agir e até morto, em consequência.
Pelejaram para condenar Bolsonaro por inúmeros crimes que teria cometido, uns até mesmo bizarros, dignos de fazerem parte de uma comédia. Todos foram arquivados pela promotoria federal por insuficiência de provas. Restou o 08/01 e a celeridade em fazer de uma farsa, o motivo de prisão, exilio, sofrimento e até morte de muitos brasileiros.
Por esta trama, o ex-presidente foi condenado a uma pena dosada exageradamente em 27 anos e três meses, em regime fechado, acusado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do estado democrático de direito. Nunca vimos no país uma pena tão grande para o que, se houve, não passou de cogitação, a primeira e não condenatória fase do “iter criminis”.
O ex-presidente não terminará bem, já devidamente esclarecido pelos médicos, se continuar na situação em que se encontra hoje. Necessita, para sua recuperação, cuidados que não estão assegurados no encarceramento, inclusive pela sua idade e comorbidades, devidas à facada recebida (até hoje sem explicação convincente) quando candidato em 2018. O STF não é obrigado, legalmente, a conceder a ele a prisão domiciliar. Existem regras e normas para esta concessão. Mas, nada impede , por uma questão humanitária, por estarem todos cientes das condições críticas de saúde em que encontra-se o paciente e por já ter 70 anos de idade, que seja beneficiado. Nem ousamos acreditar que isto lhe seja negado, daqui em diante.
Bem, o presidente encontra-se seriamente enfermo, hospitalizado em Brasília. Apesar de estar na UTI uma multidão de soldados, guardas, vigias tem se esmerado em vigiar seus passos, desculpe, sua pessoa. Mas achamos até natural, por estarmos num país que vive situações absurdas. Quem sabe, talvez, tenham receio de que Trump arrebate Bolsonaro do leito do hospital e o leve embora no breu da noite, como num filme que não é ficção e aconteceu na Venezuela.