Narrativas mentirosas que somente os patriotários creem como verdadeiras!

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

Uma das características marcantes dos bolsonaristas é o fato de criarem narrativas falsas sobre seus crimes e imputá-las a Lula ou à esquerda. O fazem por dois motivos: 1º São sem vergonhas. 2º Sabem que muitos vão acreditar piamente e disseminar nas redes sociais e grupos de comunicação.
Os exemplos são muitos e aparecem diariamente na mídia, geralmente produzidos por deputados, candidatos e aliados. E podem ter certeza que daqui a muitos anos ainda terá pessoas desprovidas de inteligência repetindo as mesmas coisas.
Vou citar alguns exemplos:
1. Lula é ladrão. Verdade: Nem Moro nem ninguém na justiça ou fora dela conseguiu provar um ato ilícito de Lula. Não tem dinheiro em contas do exterior, nunca comprou 51 imóveis com dinheiro, não possui mansões nem tampouco roubou joias de R$ 16 milhões.
2. Quem invadiu a Praça dos 3 Poderes eram petistas infiltrados. Verdade: Essa afirmação é de uma desfaçatez sem tamanho. Ao chegarem ao local, os incautos sem inteligência e movidos por ódio, usaram a senha do WiFi que pedia o número do CPF. Logo, todos que estavam ali foram fichados e eram bolsonaristas raiz. Se fossem petistas porque então pedir Anistia ou Dosimetria?
3. A esquerda é corrupta: Verdade: Quem governou o país nos períodos desde o descobrimento? Como podem acreditar ou mentir sobre os fatos que são reais? 1500-1822 – Direita 1823-1889 – Direita 1890-1946 Direita 1947 a 1960 – Direita 1961-1964 – Esquerda 1964-1985 Direita 1986 a 2002 – Direita 2003-2016 – Esquerda 2016-2022 Direita 2023 a 2026 – Esquerda.
4. Lula tem Fazendas no Interior de SP: Verdade: Lula nunca teve fazenda ou nenhuma grande propriedade, exceto seu apartamento em São Bernardo do Campo – SP. Essa mentira usava uma foto da fachada da Faculdade Esalq da USP em Piracicaba.
5. Lulinha tem um Câmaro de ouro. Verdade: Quando não conseguem atingir Lula com suas mentiras, partem para difamar seu filho, que ao contrário dos filhos do Bolsonaro não vive nas tetas do Estado mamando na política e nas rachadinhas em gabinetes.
6. Escândalo do INSS: Verdade: O roubo dos aposentados e pensionistas começou na gestão Bolsonaro, quando roubaram muito. A PF chegou aos envolvidos que eram todos bolsonaristas. Até hoje, patriotários dizem que Lula estava envolvido ou não pagou os aposentados. Outra mentira. Lula foi quem mandou a PF apurar tudo e o INSS devolver o que foi roubado.
7. Escândalo do Banco Master: Verdade: Falam de Lula porque ele recebeu Vorcaro no Palácio do Planalto. Nesta reunião Lula mandou o mesmo procurar o Banco Central. Os envolvidos são todos bolsonaristas, como deputados, governadores e os filhos do presidiário, Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro.
8. Tarifas impostas pelos EUA: Verdade: os bolsonaristas culpam Lula, mas a verdade é que Flávio e Eduardo Bolsonaro pediram ao governo dos EUA essas tarifas contra o Brasil. Existem provas, vídeos e áudios a respeito da traição. Depois que foi taxado de traidor da pátria, Flávio resolveu criar narrativa falsa imputando a Lula os crimes por ele cometidos.
9. Imputar aos adversários os seus crimes é a tática bolsonarista: Verdade: Tudo, absolutamente tudo que tentam imputar aos adversários de esquerda são crimes por eles cometidos.
Os institutos de pesquisas nas mãos de empresários de direita, omitem aquilo que o governo faz de positivo, manipulam pesquisas e tentam desesperadamente mostrar algo que nas ruas não está acontecendo. Nos três anos de seu terceiro mandato Lula já promoveu o seguinte:
 A pobreza e a extrema pobreza caíram aos menores patamares da série histórica;
 O desemprego caiu ao menor nível da história;
 Geração de empregos com carteira assinada bateu recorde;
 Tirou pela segunda vez o Brasil do Mapa da Fome;
 Abriu novos institutos federais, criou o Pé de Meia, investiu em novas creches e escolas em tempo integral;
 Fortaleceu o Programa Minha Casa, Minha Vida. E destinou um percentual de unidades para pessoas em situação de rua;
 Ampliou o Mais Médicos e o Farmácia Popular;
 Criou o Agora tem Especialistas;
 Incluiu quilombolas e povos indígenas no orçamento e nas mais diversas políticas públicas;
 Avançou na luta contra a injustiça tributária. A partir de janeiro de 2026, quem recebe até R$ 5 mil não vai mais pagar imposto de renda. Quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350 vai ter desconto e pagar menos do que paga atualmente. A compensação virá da taxação maior dos super-ricos, que representam menos de 1% da população e ganham até 100 vezes mais que 99% da população brasileira. E que pagam em média apenas 2,5% de imposto de renda, enquanto a classe média e os trabalhadores chegam a pagar 27,5 %.
Em resumo, Lula segue trabalhando ao lado do povo brasileiro, sem utilizar o Cartão Corporativo para realizar Motociatas e outras bobagens pelo país. A ciência segue sendo respeitada e entregando vacinação em dia. Claro que tem muito por fazer, afinal de contas foram seis anos (2018-2022) onde o país ficou estagnado e sendo governado para os ricos e poderosos da sociedade.

BOM GOVERNO DE ESQUERDA


João Batista Domingues Filho – Cientista Político – Professor UFU/INCIS

Governo de esquerda é bom quando tem a crença na economia de mercado, submetida a regras democráticas, e na democracia. As rotas singradas apontam a bússola da administração pública para o papel do Estado na economia, o Estado de Direito, a propriedade, a transparência, a liberdade e a justiça social. A democracia como valor universal.
O objetivo último da boa esquerda é a construção do Estado de bem-estar: vida boa para a maioria da sociedade civil. Bom governo identificado com o bem comum. Sem esses ideais colocados em prática, não se governa bem. No bom governo, o governante exerce o poder em conformidade com as leis, atuando para reduzir desigualdades e ampliar oportunidades.
O bom governo de esquerda deve perseguir o bem comum; o mau governo busca o bem próprio. O conflito aqui é estabelecido entre o interesse comum e o interesse particular, entre vantagem pública e vantagem privada: qual fim deve ser perseguido?
O cientista político Peter Gourevitch, professor da Universidade da Califórnia, em estudo citado pelo jornal Valor Econômico em fevereiro de 2011, ao analisar a política econômica de diversos países, chegou a uma conclusão contrária à visão tradicional: governos de esquerda também podem atrair capital e investimentos.
Um bom governo de esquerda entra em harmonia com os interesses do “capital”, quando este se apresenta como investimento produtivo e benéfico à sociedade civil. Governos de esquerda podem ser bons para os investidores quando oferecem estabilidade institucional, segurança jurídica, políticas sociais consistentes e condições favoráveis ao desenvolvimento econômico.

O argumento apresentado por Gourevitch questiona a concepção tradicional de que capital e trabalho estão sempre, necessariamente, em conflito. Isso não ocorre quando a esquerda realiza um bom governo para a sociedade civil, conciliando desenvolvimento econômico, proteção ao trabalho e redução das desigualdades.
De fato, determinados setores do “capital doméstico” podem rejeitar o “capital estrangeiro”, evitar a concorrência e buscar o protecionismo estatal. O nacionalismo é usado, em algumas circunstâncias, para proteger os interesses do capital nacional.
A esquerda e a direita, quando não realizam o bem comum, refugiam-se, por meio do Estado, na proteção de interesses particulares e na concessão de privilégios, impedindo a criação de mais empregos, maior produtividade e mais prosperidade.
No contexto em que este artigo foi originalmente escrito, os dois primeiros governos Lula eram apresentados como exemplo de uma esquerda que procurava atender aos trabalhadores e aos mais pobres, sem deixar de atrair investimentos estrangeiros.
Esse tipo de eficiência da gestão estatal pode reduzir a influência excessiva e a concentração de poder dos grupos econômicos nacionais, desde que o Estado preserve a concorrência, fiscalize os mercados e submeta os investimentos ao interesse público.
A distinção entre esquerda e direita, feita de maneira tradicional, não explica quando a esquerda realiza um bom governo. A aliança entre o capital doméstico e o trabalho se expressa no nacionalismo em qualquer governo de esquerda que não tenha sucesso em relação às demandas da sociedade civil.
Peter Gourevitch afirma que “há um tipo de esquerda que os investidores não gostam, assim como há um tipo de direita que eles também não querem”. Investidores e cidadãos tendem a rejeitar governos autoritários, instáveis, corruptos ou personalistas, independentemente de sua identificação com a esquerda ou com a direita.

É bom para a sociedade civil e para os investimentos produtivos que o governo seja democrático, moderado, transparente e comprometido com o bem comum. A qualidade do governo não deve ser medida apenas por sua identificação ideológica, mas por sua capacidade de transformar princípios em resultados sociais.
Para atender melhor às necessidades da sociedade civil, atraindo investimentos nacionais e estrangeiros, os bons governos de esquerda tentam estabilizar a economia, criar políticas para o mercado, investir na educação e na saúde, facilitar a vida econômica e ampliar os investimentos sociais em infraestrutura, comunicação e estradas.
Também devem assegurar trabalho digno, proteção social, responsabilidade na administração dos recursos públicos e condições para que o crescimento econômico alcance a maioria da população.
O bem-estar dos cidadãos é o objetivo do bom governo de esquerda, independentemente da origem do capital mobilizado para promover o desenvolvimento do país.

País do futuro?

Marília Alves Cunha – Educadora e escritora

Mais que um país do futuro (já não acredito tanto nisto), hoje é um país de contrastes, dominado por antagonismos, corrupção, perseguição, autoritarismo, injustiças. Neste ano, daqui a poucos dias, teremos importantíssimas eleições, pois podem mudar completamente o ritmo deste andar: ou continua como está, dando passos atrás em todos os aspectos, com um governo fraco, incompetente, sem realizações, minado de corrupção ou persegue um novo modelo, onde reine absoluta a vontade de andar em frente, perseguir não oponentes, mas a vontade de prosperar, de desenvolver-se. Um Brasil que caminhe firme em busca da prosperidade, não de alguns, mas de toda a nação.

O governo atual continua fazendo sua propaganda enganosa, andando pelo Brasil, tentando mostrar o que não existe, tentando seduzir por palavrório populista um povo que não se ilude mais. Dia desses tivemos um impressionante exemplo de como este governo age para mentir aos eleitores que está realizando, que obras não estão paradas. A princípio não acreditei no que estava vendo: Lula apressou-se em inaugurar uma ponte que não existe, um trecho de estrutura hidráulica que desmanchou-se aos olhos de todos ao primeiro pingo de água e um triste túnel feito de um container velho e enferrujado. Santo Deus, julgam mal o povo brasileiro, subestimam o povo brasileiro, abusam de sua boa vontade. Lula exige respeito, mas não se dá ao respeito, como fica patente nesta exibição esdrúxula de obras…

O Brasil já tem leis demais, muitas completamente esquecidas ou desrespeitadas. A própria Constituição Federal tem sido jogada de lado quando interesses escusos se adiantam e mais vale desrespeitar as regras constitucionais. Afinal de contas, “os fins justificam os meios”, este o lema dos governos petistas para mantença do poder. A liberdade de expressão, por exemplo, pedra angular do Estado Democrático de Direito, indispensável para o exercício da cidadania e à manutenção de uma sociedade livre e plural, tem sofrido livres interpretações, dependendo da ocasião e das pessoas que a ela se sujeitam. A Constituição Federal não é uma concessão, uma coisa que se dá e tira quando necessário a certos interesses. É um pilar solidamente construído pelos constituintes originários na Constituinte de 1988. A intromissão do judiciário impondo sobre o assunto, suscita graves questionamentos sobre o ativismo judicial e a usurpação de competências do poder legislativo. Um super dimensionamento do poder judiciário, contrastando com um encolhimento absurdo do poder legislativo e, em consequência, a castração da voz do povo que, de acordo com nossa Lei maior, deveria ser soberana.

Uma prova inigualável dos contrastes existentes neste país, prova imbatível da diferença de tratamento com que trata a nossa justiça pessoas que estão submetidas a sua égide, vemos claramente no momento presente: em 2018 Lula foi preso, acusado de crimes gravíssimos, sentenciado a mais de 12 anos de prisão. Ficou preso em departamento da PF em Curitiba. Neste tempo (pouco) em que esteve preso Lula comportou-se e foi tratado como se estivesse hospedado em um hotel: recebeu inúmeras visitas, inclusive de autoridades estrangeiras como José Mujica e outros, namorou à vontade com dona Janja, deu entrevistas a rodo, fazendo política com Haddad e outros petistas de alto escalão. Teve a sua porta um pequeno grupo de petistas fazendo barulho, gritando obstinados “Lula livre” e fazendo discursos desarrazoados. Com Bolsonaro tudo se diferencia, por decisão de Alexandre de Moraes e silêncio do plenário do STF. É tratado como se fosse o maior criminoso do mundo por faltas que não cometeu. Sua prisão domiciliar virou uma masmorra, onde nem família pode entrar, onde a casa é vigiada diuturnamente por policiais, onde tem que imperar o silêncio e duros castigos para quem é respeitado e amado pelo seu povo. Aliás, a história de Bolsonaro e a perseguição contra sua pessoa só tem um objetivo: impedir sua participação na política brasileira, pelo perigo que representa à esquerda. Pelo perigo que representam suas ideias e ações patrióticas, seus propósitos democráticos e sua acolhida pelo povo brasileiro que, há muito tempo, cansou-se de ouvir o discurso vazio e lenga-lenga da esquerda, baseados apenas em pautas ideológicas. E abraçou com fé seu líder maior, Bolsonaro.

Isto é um país do futuro? Quem acredita mais nesse engodo? São assim os países socialistas: enquanto o povo sofre, cala e consente, através de suas atitudes reprimidas e obscurecidas pelo medo, os donos do poder se regalam, conscientes da impunidade que é marca registrada deste país.

PCC, CV e os Riscos para o Brasil

Diógenes Pereira da Silva – Tenente Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG

A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas gerou reações diversas no Brasil. À primeira vista, muitos enxergam a medida como mais uma ferramenta de combate ao crime organizado. E, de fato, ninguém em sã consciência defende facções criminosas que há anos espalham violência, corrupção e medo pelo país.

Mas a questão vai muito além disso.

O que está em debate não é a defesa do PCC ou do Comando Vermelho. O que está em debate é até onde um país estrangeiro pode influenciar decisões que dizem respeito exclusivamente ao Brasil. Quando os Estados Unidos classificam organizações brasileiras como terroristas, eles não apenas ampliam mecanismos de investigação e sanções financeiras. Também criam um precedente que merece atenção e reflexão.

Especialistas alertam que bancos, empresas e instituições financeiras poderão ser submetidos a controles ainda mais rigorosos, sob pena de sofrer restrições ou sanções internacionais. Isso pode gerar impactos econômicos importantes e aumentar a dependência de decisões tomadas fora das fronteiras brasileiras.

Confesso que vejo com preocupação o apoio irrestrito de alguns candidatos à Presidência da República, aos governos estaduais, ao Senado e à Câmara dos Deputados a essa iniciativa americana. Combater o crime é obrigação do Estado. Contudo, entregar a terceiros o poder de definir quem são nossos inimigos e quais instrumentos devem ser utilizados para combatê-los pode abrir um precedente extremamente perigoso.

Hoje a medida atinge facções criminosas. Amanhã, quem garante que o mesmo entendimento não será utilizado para pressionar instituições, setores econômicos ou até autoridades brasileiras?

O Brasil precisa enfrentar o crime organizado com firmeza, inteligência e dentro da lei. Mas essa luta deve ser conduzida pelas instituições brasileiras, respeitando nossa Constituição, nossa legislação e, acima de tudo, nossa soberania.

Defender a soberania nacional não é proteger criminosos. É defender o direito de o Brasil decidir seu próprio destino, sem interferências externas e sem abrir mão da independência que caracteriza uma nação verdadeiramente livre.