MOVIMENTOS SOCIAIS

João Batista Domingues Filho
Cientista Político – Professor UFU/INCIS

A democracia pressupõe pluralismo político e social, condição essencial do modelo que Robert Dahl denomina poliarquia. Democracia política e governo democrático são sustentados por uma sociedade que apresenta condições de influência política plural, com uma pluralidade de associações na sociedade civil, entendida como esfera distinta do Estado e dotada de autonomia em relação a ele. A competição política é aberta e estável em termos institucionais e normativos, com grupos de interesse concorrentes e participação social ampla, para influenciar a ação e a tomada de decisão pelo Estado democrático de direito.
Movimentos sociais, numa democracia pluralista, expressam oportunidades de participação política na vida social de um povo, podendo produzir efeitos de integração, contestação e transformação social, ao mudar normas e valores por meio de seus agentes e atores sociais e ao generalizar seus objetivos, incluindo setores mais amplos que transcendam o contexto de onde surgiram. Não são, porém, fenômenos exclusivos das democracias: manifestam-se também em regimes autoritários e híbridos, seja reivindicando direitos e mudanças, seja enfrentando diferentes formas de repressão.
Fatos históricos: anos 60, movimento estudantil, movimentos pelos direitos civis e movimentos pela paz. Nos países então chamados de Terceiro Mundo — expressão hoje frequentemente substituída, conforme o contexto, por Sul Global —, movimentos de libertação nacional. Nos anos 70 e início dos anos 80, América do Norte e Europa: movimentos de mulheres e feministas, ecológicos, antinucleares, pela paz e de autonomia regional. Na China, foi reprimido o movimento de democratização e, na Europa Oriental, movimentos populares contribuíram para a derrubada dos regimes comunistas.
Quando este artigo foi originalmente publicado, em março de 2011, o Norte da África e o Oriente Médio viviam as revoltas que se tornariam conhecidas como Primavera Árabe. A queda de regimes autoritários na Tunísia e no Egito alimentava fortes expectativas de democratização. O desenvolvimento posterior mostrou, entretanto, trajetórias muito distintas. A Tunísia iniciou uma transição democrática, realizou eleições multipartidárias e promulgou uma nova Constituição em 2014, mas passou por forte regressão institucional a partir de 2021. Em outros países ocorreram restauração autoritária, repressão, conflitos internos ou guerras. A experiência demonstrou que a mobilização social pode abrir possibilidades de transformação, sem assegurar, por si só, a consolidação da democracia.
No Brasil, as Jornadas de Junho de 2013 tornaram-se outro marco da mobilização contemporânea. Iniciadas em torno da contestação ao aumento das tarifas do transporte público, rapidamente ampliaram suas pautas e sua abrangência. As manifestações evidenciaram também a crescente importância das redes digitais na convocação, circulação de informações e organização dos protestos, além da possibilidade de uma mesma onda de mobilização reunir grupos, reivindicações e orientações políticas distintas.
Movimentos sociais buscam realizar mudanças de estruturas institucionais, modos de vida e de pensar, desafiam normas e códigos morais, disputando valores, direitos e interpretações da realidade social. Seus resultados, contudo, não são predeterminados: podem conquistar reformas e direitos, alterar valores culturais, perder capacidade de mobilização, ser incorporados pelas instituições ou provocar movimentos de reação.
Paradigmas teóricos dos movimentos sociais: neomarxismo, pela contradição estrutural entre capital e trabalho; interacionismo, pelo conflito enquanto processo de interação para reconstruir coletividades; estrutural-funcionalismo, com as teorias de massa, tensão estrutural e privação relativa; e mobilização de recursos, abordagem em que predomina o raciocínio estratégico-instrumental. A esses referenciais acrescentaram-se abordagens centradas na identidade coletiva e nos novos movimentos sociais, nas oportunidades políticas, nos enquadramentos interpretativos e nas redes de ação coletiva.
Nas últimas décadas, a internet e as plataformas digitais modificaram profundamente os repertórios de mobilização. Bennett e Segerberg denominaram “ação conectiva” formas de participação nas quais indivíduos compartilham causas, mensagens e conteúdos em redes digitais, muitas vezes sem depender das estruturas hierárquicas das organizações tradicionais. Movimentos como Black Lives Matter, articulado a partir de 2013; a difusão internacional do #MeToo, especialmente a partir de 2017; e o movimento climático Fridays for Future, iniciado em 2018, exemplificam novas combinações entre mobilização nas ruas e comunicação em rede.
A tecnologia, entretanto, produz efeitos contraditórios. Se amplia a capacidade de organização, comunicação e difusão das mobilizações, também pode ser empregada em vigilância, censura, perseguição de ativistas, desinformação e outras formas de repressão digital. As redes sociais tornaram-se, assim, também espaços de disputa por visibilidade, influência e legitimidade.
Movimentos sociais apresentam comportamento coletivo conflitivo, constroem identidades, definem oponentes e mobilizam recursos, mudando códigos culturais e ultrapassando, em muitos casos, a experiência baseada exclusivamente na classe econômica. Questões raciais, de gênero, ambientais, culturais, territoriais e de direitos humanos passaram a ocupar posição central em numerosas mobilizações contemporâneas, sem que tenham desaparecido os conflitos relacionados ao trabalho, à renda e às desigualdades econômicas.
A democracia pluralista com movimentos sociais oferece condições institucionais favoráveis à livre organização e manifestação da sociedade. A experiência contemporânea, entretanto, recomenda distinguir mobilização social de mobilização necessariamente democrática: movimentos podem defender e ampliar direitos e liberdades, mas também podem apoiar projetos que enfraqueçam instituições e garantias democráticas. Impõe-se a aceitação da diversidade: direito do “outro” existir democraticamente referenciado.
Num mundo interdependente e culturalmente plural, a defesa dos direitos humanos, das liberdades políticas, da participação e da dignidade das pessoas permanece fundamental. A vitalidade dos movimentos sociais depende da possibilidade de expressão da diversidade e da existência de espaços nos quais demandas coletivas possam disputar legitimamente os rumos da sociedade e do Estado.

Voto secreto

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – Economista – RJ

Diz a nossa lei eleitoral que o voto é secreto. Legal mas ninguém cumpre e me senti hoje no dever fazer considerações sobre como votarei. Sou leitor assíduo de cartas de leitores de diversos jornais, sendo que 2 deles os de maior circulação no país. Tenho notado por parte dos leitores uma abominação unânime relativamente ao candidato Flávio Bolsonaro bem como o endeusamento do candidato Lula. Com relação ao candidato Flávio até concordo com a maioria das críticas mas discordo frontalmente do endeusamento de Lula. Porque restou comprovado em todas as instâncias os crimes que o mesmo cometeu. Assim abomino o candidato Lula e lutarei para que ele não seja reeleito. Flávio ainda não foi julgado nem condenado por qualquer crime e portanto julgo ser merecedor de uma oportunidade. Isto posto, nem preciso declarar meu voto até porque o voto é secreto.

Suplentes?

Tania Tavares – Professora – SP

Será que nós paulistanos e paulistas vamos cair no golpe de votar para o senado Simone Tebe, Marina Silva e outros candidatos? São candidatas(os) ao senado, mas se forem eleitos não ficarão no cargo e serão substituídos pelos suplentes e “convidadas(os)” para algum Ministério, e os verdadeiros indicados serão do PT e outros partidos aliados a ele? Nos Poupem!

VELHICE

José C. Martelli – Advogado e professor

“A velhice é muito boa. Só tem um defeito, dura muito pouco.” – Norberto Brablio
“Velho é quem tem um ano a mais do que eu”- Magalhães Pinto
“Estou com saudades de meus oitenta anos” – Picasso ao 90 anos
“Que mais queres além de versos, músicas e mulheres/ Vinhos…vinho que é meu fraco! Evoé Baco.” –Manuel Bandeira

VIVER EM FAMÍLIA – envelhecer bem
Deus, em sua infinita sabedoria, deu-nos uma família para que, em seu meio desfrutássemos as dádivas do amor e do aprendizado. Os pais criam os filhos e os filhos cuidam dos pais. Criar os filhos é uma tarefa que os pais realizam, às vezes bem, às vezes não tão bem, mas é sempre um dom.
Cuidar dos pais, porém, é uma tarefa muito difícil. Muitos pais, à medida em que envelhecem, ficam mais tristonhos, dependentes, birrentos. Às vezes adoecem, tornando-se um peso na vida dos filhos. Como não estamos preparados para lidar com idoso, vemos esta realidade como um mal em nossas vidas. Esquecemos que as crianças, adolescentes e adultos também têm seus problemas, suas dores, e nem por isso, são menos importantes. Todas as etapas da vida humana têm suas características que fazem de nós seres especiais. Cuidar dos pais no seio da família é cuidar de Deus que se revela também no semblante dos idosos.
Daniel França – Psicóloga da 3ª Idade – Rio de Janeiro (RJ)

UMA HOMENAGEM À TURMA DE CABELOS BRANCOS
Um jovem muito arrogante que estava assistindo a um jogo de futebol, tomou para si a responsabilidade de explicar a um senhor já maduro, próximo dele, porque era impossível a alguém da velha geração entender esta geração.
“Vocês cresceram em um mundo diferente, um mundo quase primitivo!”, o estudante disse alto e claro de modo que todos em sua volta pudessem ouvi-lo.
“Nós, os njovens de hoje crescemos com internet, celular, aviões a jato, viagens espaciais, homens caminhando na Lua, nossas espaçonaves visitando Marte. Nós temos energia nuclear, carros elétricos, e a hidrogênio, computadores com enorme capacidade de armazenamento e….” fez uma pausa pra tomar um gole de cerveja.
O senhor se aproveitou do intervalo e do gole para interromper a liturgia do estudante em sua ladainha e disse:
– Você está certo filho. Nós não tivemos essas coisas éramos jovens porque estávamos ocupados em cria-las para as novas gerações.
E você, um jovem arrogante dos dias de hoje, o que está fazendo para a próxima geração?
Texto recebido da amiga Edina Rocha.

Voto secreto

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira

Diz a nossa lei eleitoral que o voto é secreto. Legal mas ninguém cumpre e me senti hoje no dever fazer considerações sobre como votarei. Sou leitor assíduo de cartas de leitores de diversos jornais, sendo que 2 deles os de maior circulação no país. Tenho notado por parte dos leitores uma abominação unânime relativamente ao candidato Flávio Bolsonaro bem como o endeusamento do candidato Lula. Com relação ao candidato Flávio até concordo com a maioria das críticas mas discordo frontalmente do endeusamento de Lula. Porque restou comprovado em todas as instâncias os crimes que o mesmo cometeu. Assim abomino o candidato Lula e lutarei para que ele não seja reeleito. Flávio ainda não foi julgado nem condenado por qualquer crime e portanto julgo ser merecedor de uma oportunidade. Isto posto, nem preciso declarar meu voto até porque o voto é secreto.