Beneméritos ou Oportunistas

Gustavo Hoffay – Agente Social

Fiquei deveras estarrecido quando tomei conhecimento, pela imprensa, que se projeta um gasto estimado de 500 mil dólares ou aproximadamente 3 milhões de reais para pagar-se a campanha política de um candidato a deputado estadual. Francamente…..Quem se propõe a investir tal quantia para eleger-se à Assembleia Legislativa, se trata de um fantástico benemérito da sociedade ou de um oportunista que almeja recuperar, ao menos o dobro, o capital investido quando ( e se ) já de posse do cargo para o qual foi eleito. Já passei da idade de acreditar em Papai Noel e por isso imagino que a segunda hipótese seja a mais viável. Penso não ser esse o caminho para o autêntico exercício da democracia. Não acredito que seja na base do “toma lá, dá cá” ou compra de votos que elegeremos pessoas realmente dignas e dispostas a representar-nos condignamente nos poderes Legislativo e Executivo. Sim, porque afinal é necessário que tenha-se a consciência de que o voto, na realidade, não pertence ao eleitor. Todo voto pertence à comunidade que dirigirão ou para a qual legislarão aqueles que forem eleitos. Portanto o meu simples voto pode representar a eleição deste e não daquele candidato. Assim a minha escolha não deve ser em função dos benefícios sociais que me foram prometidos, mas pelas possibilidades reais do candidato em solucionar problemas comuns a muitos. Por outro lado o eleitor que vende o seu voto e seja lá por qual preço, exime nessa simples transação o seu candidato de qualquer compromisso posterior. Claro, pois se o candidato já pagou pelo voto recebido, nada mais deve ao seu eleitor e sequer o conteúdo das suas promessas eleitorais que, por si só, são vazias e falsas. E se o candidato já quitou o seu compromisso para com os eleitores “negociantes”, é certo que a partir daí ele irá trabalhar unicamente para si mesmo, visando ressarcir-se das despesas feitas durante a sua vitoriosa campanha eleitoral. E havemos de convir que errado ele não está! Se comprou os votos que recebeu nas urnas e já pagou por eles, então nada deve! Dali prá frente é somente o “venha a nós” e “ao vosso reino” nada. Por isso reafirmo a necessidade de uma profunda reflexão da parte dos eleitores. Campanhas politicas dispendiosas, ricas em equipamentos, instalações, shows com artistas famosos e vasto material de propaganda, apontam para aqueles que irão tripudiar sobre os seus eleitores, aumentando seus próprios salários e criando novas mordomias para o cargo que ocupam, por exemplo. Ideias, sim, devem balizar os bons candidatos. Procurar conhecer quem concorre a cargos políticos, investigar o seu passado , a sua história de vida e vislumbrar os seus objetivos é o caminho. Só assim, penso, ficaremos livre da pecha de que político é coisa suja e que somente os de “mau caráter” se candidatam a cargos eletivos. A nossa omissão nada constrói.

LÍDICE

Ana Maria Coelho Carvalho – Bióloga

Morei no bairro Lídice, em Uberlândia, durante 47 anos. Meus filhos nasceram e foram criados nesse bairro e apenas recentemente descobri por que ele recebeu esse nome. Várias cidades e locais ao redor do mundo chamam-se Lídice em homenagem a uma vila da antiga Tchecoslováquia, para que ela jamais seja esquecida. A vila foi totalmente destruída pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial e se tornou símbolo da crueldade nazista .
É uma história muito triste, conforme pesquisei. Tudo aconteceu como vingança pela morte de Reinhard Heydrich, comandante nazista, segunda maior autoridade do Serviço Secreto (SS) e um dos mais cruéis líderes do regime. Seguidor fiel de Hitler, era seu protegido especial e foi nomeado Protetor do Terceiro Reich. No dia 27 de maio de 1942, dirigia-se da vila onde morava para seu escritório, no centro de Praga, capital do país, então sob domínio alemão. O carro em que viajava foi emboscado por dois integrantes da resistência tcheca, treinados na Inglaterra e lançados de paraquedas no país. Atingido pelos disparos, Heydrich morreu uma semana depois, no hospital, em consequência de uma infecção generalizada.
Enraivecido, Hitler ordenou que se fizesse de tudo, sem poupar vidas, para encontrar os responsáveis pela morte do oficial nazista e vingar-se dos tchecos. Aconteceu uma retaliação sangrenta e generalizada das tropas nazistas contra a população civil da Tchecoslováquia. Lídice, uma pequena vila próxima à capital e dedicada à mineração, foi considerada hostil aos alemães e apontada como ponto de reunião dos assassinos de Heydrich. Por isso, foi escolhida para ser massacrada.

No dia dez de junho, a vila foi cercada por tropas nazistas, que impediram a saída de seus moradores. Os homens com mais de quinze anos foram separados, colocados em celeiro e fuzilados em pequenos grupos. As mulheres e crianças foram enviadas para campo de concentração, onde a maioria morreu de tifo ou de exaustão pelos trabalhos forçados. A vila inteira foi demolida com explosivos e o terreno foi aplainado por tratores. Os alemães espalharam grãos por toda a área para transformá-la em pasto e a riscaram dos mapas da Europa. Cerca de 340 habitantes de Lídice morreram no massacre alemão, entre homens, mulheres e crianças. Outra pequena aldeia de Lezaky também foi destruída, e seus habitantes, executados. A vingança alemã causou cerca de 1500 mortes em toda a Tchecoslováquia. Os resistentes que atiraram em Heydrich acabaram se suicidando em Praga, quando estavam prestes a ser presos pela SS.
Os nazistas costumavam ocultar seus crimes de guerra. No caso do massacre de Lídice, porém, fizeram questão de divulgá-lo para que servisse de ameaça à população da Europa ocupada pela Alemanha. O fato provocou uma onda de terror e indignação em todo o mundo. Atualmente, o local onde existia Lídice foi transformado em um campo santo e memorial nacional, onde arde uma chama eterna. Existe ali um memorial especial, esculpido em homenagem às 88 crianças que foram mortas. Estão todas de pé, com roupas simples, com expressão séria e enfileiradas, algumas de mãos dadas. É tenebroso pensar que foram todas, em sua inocência, mortas por vingança, em meio a uma guerra. Em 1949 reconstruíram a vila nas proximidades daquela que havia sido retirada do mapa, mas nada apaga da história da humanidade a tragédia que aconteceu em Lídice.

Como moradora do bairro Lídice, em Uberlândia, sinto que, de alguma maneira, convivo com essa história. Enquanto o nosso bairro pulsa de vida, em algum lugar do passado, uma cidade inteira foi silenciada e eliminada pelo ódio e pela vingança. É preciso lembrar que esse nome carrega uma história. Cabe a todos nós transformar o nosso bairro em um lugar onde a memória se transforme em sementes de paz e harmonia. É preciso também fazer uma prece silenciosa por tantos habitantes de Lídice que morreram porque o ódio venceu a razão. Que descansem em paz. E que sejam lembradas não apenas pela violência que sofreram, mas por nos mostrarem que sempre é preciso cultivar a paz, o respeito e a fraternidade , para que tragédias como essa nunca mais encontrem lugar na história da humanidade.

 

Falam em falta de segurança em SP, porém, escondem o déficit enorme de policiais nos efetivos das corporações!

Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Membro da Academia Bauruense de Letras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

O PSDB ficou no comando do maior Estado da nação de 1995 a 2022, entre 2023 e 2026 estamos convivendo com a gestão do partido Republicanos com Tarcísio de Freitas no comando do Estado mais rico da Nação. Neste período, houve um desmonte na segurança pública do Estado. Permitindo que chegássemos a um déficit de aproximadamente 42 mil pessoas no efetivo das polícias, sendo 25.443 mil na Polícia Militar, 9.363 na Polícia Civil e 3.979 na Polícia Rodoviária Estadual.
Esse contingente torna impossível o combate à criminalidade com a eficiência que a sociedade espera e merece em SP. Nas rodovias os postos de policiamento sumiram das estradas em decorrência da falta de novos policiais para o efetivo policiamento.
A polícia civil carece de policiais em diversas categorias profissionais como delegados, datiloscopistas, médicos legistas, investigadores, entre outras. Nas delegacias falta de tudo e principalmente condições de trabalho.
A polícia militar talvez seja a que mais sofra com esse absurdo cometido pelos tucanos e pelo bolsonarista Tarcísio ao longo de três décadas à frente do Estado. Esse desmonte é sentido pela população diariamente sem que a grande maioria saiba os verdadeiros motivos. Sendo que, a população cresce, a criminalidade aumenta e se especializa, sabendo que sua ação está cada dia mais facilitada pela ausência de combate.
Além do fator humano, faltam aos integrantes das três corporações informatização entre as policias, uniformes novos, coletes resistentes aos projéteis de grosso calibre, condições plenas de trabalho, veículos potentes, armamentos condizentes com a necessidade de enfrentamento de organizações criminosas cada vez mais fortalecidas e treinamento.
Para se ter uma ideia, em 1995 a população do Estado era de aproximadamente 33.487.000 (Trinta e três milhões, quatrocentos e oitenta e sete mil) habitantes. Em 2026, essa população saltou para cerca de 46.650.000 (Quarenta e seis milhões, seiscentos e cinquenta mil). Ou seja, houve um crescimento populacional de 39%.
Sendo assim, torna-se inaceitável que no mesmo período haja um déficit de quase quarenta mil no efetivo das três corporações. Durante todo o período, e em especial nas nove eleições, a conversa era de que haveria segurança e que os números da criminalidade eram favoráveis. Porém, mentiras eram espalhadas para favorecer a candidatura dos governadores de direita que foram eleitos infelizmente.
Em 2023 começou a gestão do bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos), o que deixou claro para os especialistas em política e segurança pública que a reformulação não foi realizada em quatro anos de seu mandato.
A situação é caótica, na cidade de Bauru no Centro Oeste Paulista os comerciantes estão reclamando da completa falta de segurança. Estão sendo roubados diariamente nos pontos de comércio, e a noite, quando as lojas estão fechadas são subtraídos produtos, fios de cobre e toda sorte de materiais, causando prejuízos gigantescos.
Quem viver verá. Eu não estou otimista, não acredito que essa tarefa será realizada pelo atual governador caso ele seja reeleito para mais um mandato em SP. Tenho a impressão de que continuaremos a ter pouca ou nenhuma eficiência na gestão para reconstrução do Estado. A educação, saúde e habitação popular igualmente padecem de gestão pública estadual.

BOM GOVERNO DE ESQUERDA

João Batista Domingues Filho – Cientista Político – Professor UFU/INCIS

Governo de esquerda é bom quando tem a crença na economia de mercado, submetida a regras democráticas, e na democracia. As rotas singradas apontam a bússola da administração pública para o papel do Estado na economia, o Estado de Direito, a propriedade, a transparência, a liberdade e a justiça social. A democracia como valor universal.
O objetivo último da boa esquerda é a construção do Estado de bem-estar: vida boa para a maioria da sociedade civil. Bom governo identificado com o bem comum. Sem esses ideais colocados em prática, não se governa bem. No bom governo, o governante exerce o poder em conformidade com as leis, atuando para reduzir desigualdades e ampliar oportunidades.
O bom governo de esquerda deve perseguir o bem comum; o mau governo busca o bem próprio. O conflito aqui é estabelecido entre o interesse comum e o interesse particular, entre vantagem pública e vantagem privada: qual fim deve ser perseguido?
O cientista político Peter Gourevitch, professor da Universidade da Califórnia, em estudo citado pelo jornal Valor Econômico em fevereiro de 2011, ao analisar a política econômica de diversos países, chegou a uma conclusão contrária à visão tradicional: governos de esquerda também podem atrair capital e investimentos.
Um bom governo de esquerda entra em harmonia com os interesses do “capital”, quando este se apresenta como investimento produtivo e benéfico à sociedade civil. Governos de esquerda podem ser bons para os investidores quando oferecem estabilidade institucional, segurança jurídica, políticas sociais consistentes e condições favoráveis ao desenvolvimento econômico.

O argumento apresentado por Gourevitch questiona a concepção tradicional de que capital e trabalho estão sempre, necessariamente, em conflito. Isso não ocorre quando a esquerda realiza um bom governo para a sociedade civil, conciliando desenvolvimento econômico, proteção ao trabalho e redução das desigualdades.
De fato, determinados setores do “capital doméstico” podem rejeitar o “capital estrangeiro”, evitar a concorrência e buscar o protecionismo estatal. O nacionalismo é usado, em algumas circunstâncias, para proteger os interesses do capital nacional.
A esquerda e a direita, quando não realizam o bem comum, refugiam-se, por meio do Estado, na proteção de interesses particulares e na concessão de privilégios, impedindo a criação de mais empregos, maior produtividade e mais prosperidade.
No contexto em que este artigo foi originalmente escrito, os dois primeiros governos Lula eram apresentados como exemplo de uma esquerda que procurava atender aos trabalhadores e aos mais pobres, sem deixar de atrair investimentos estrangeiros.
Esse tipo de eficiência da gestão estatal pode reduzir a influência excessiva e a concentração de poder dos grupos econômicos nacionais, desde que o Estado preserve a concorrência, fiscalize os mercados e submeta os investimentos ao interesse público.
A distinção entre esquerda e direita, feita de maneira tradicional, não explica quando a esquerda realiza um bom governo. A aliança entre o capital doméstico e o trabalho se expressa no nacionalismo em qualquer governo de esquerda que não tenha sucesso em relação às demandas da sociedade civil.
Peter Gourevitch afirma que “há um tipo de esquerda que os investidores não gostam, assim como há um tipo de direita que eles também não querem”. Investidores e cidadãos tendem a rejeitar governos autoritários, instáveis, corruptos ou personalistas, independentemente de sua identificação com a esquerda ou com a direita.

É bom para a sociedade civil e para os investimentos produtivos que o governo seja democrático, moderado, transparente e comprometido com o bem comum. A qualidade do governo não deve ser medida apenas por sua identificação ideológica, mas por sua capacidade de transformar princípios em resultados sociais.
Para atender melhor às necessidades da sociedade civil, atraindo investimentos nacionais e estrangeiros, os bons governos de esquerda tentam estabilizar a economia, criar políticas para o mercado, investir na educação e na saúde, facilitar a vida econômica e ampliar os investimentos sociais em infraestrutura, comunicação e estradas.
Também devem assegurar trabalho digno, proteção social, responsabilidade na administração dos recursos públicos e condições para que o crescimento econômico alcance a maioria da população.
O bem-estar dos cidadãos é o objetivo do bom governo de esquerda, independentemente da origem do capital mobilizado para promover o desenvolvimento do país.

Quem é o melhor?

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – Economista – RJ

Lula precisa entender a seguinte equação que é o fluxo de imigração entre os países. Segundo dados do próprio Itamaraty ratificados pelo IBGE, 2 milhões de brasileiros vivem nos EUA enquanto apenas 23 mil americanos vivem no Brasil. Porque será ? Então antes de vociferar Lula deveria se preocupar com esses simples números.Traduzindo em miúdos : devemos nos recolher a nossa insignificância. Assunto encerrado.