O sorriso do Moisés

Ana Maria Coelho Carvalho*

Esse Moisés não é o profeta da Bíblia, que nasceu no Egito, foi colocado em um cestinho no rio Nilo e adotado pela filha do faraó. Esse Moisés é o meu neto número 11 que nasceu em novembro/2012, em Serra Grande, perto de Ilhéus, o terceiro rebento da minha filha.
Ele veio ao mundo de parto natural (natural demais), assistido apenas por uma parteira de origem indígena e pelo meu genro. A filha, que não tem medo das dores, depois de dez horas de contrações e nenhuma anestesia, deu a luz de cócoras e realizou o sonho de ter um bebê quase sozinha. Aliás, parece que na Bahia isso é muito normal. O motorista de táxi, que certa vez me conduziu até a praia de Algodões, contou-me que já nasceram duas crianças dentro do seu táxi, no caminho entre Itacaré e Ilhéus. Ele fez o parto tão direitinho que a família o chamou para padrinho. Também a Elizabeth, mãe do meu genro e que tem nome de rainha, teve onze filhos, sozinha e Deus.
Mas, voltando ao Moisés, parecia que tudo estava bem. Ele era forte, chorou ao nascer, era moreninho e a cara da mãe. Apenas não tinha tanta vontade de mamar e no primeiro dia de vida já estava um pouco amarelinho. No segundo dia, assim que o conheci, a filha e eu o levamos a uma pediatra em um hospital em Ilhéus. A médica o diagnosticou com icterícia do recém nascido que ocorre antes das 24h de vida, por incompatibilidade do sistema ABO (mãe tipo sanguíneo O e Moisés tipo B) e indicou imediata internação hospitalar. Feito o exame de sangue, verificou-se que a taxa de bilirrubina dele estava em 27 mg/100ml , quando o normal seria em torno de 1 a 5. Muito perigoso, pois a bilirrubina pode se impregnar no cérebro, causando surdez, paralisia cerebral, retardo mental e mesmo a morte. E não é possível saber a que momento do processo isso vai acontecer. Ele estava no limite para fazer a exsanguineotransfusão, ou seja, trocar todo o sangue, um procedimento arriscado. Se tivesse nascido no hospital, poderia ter sido socorrido mais cedo. Em Ilhéus não havia como, teríamos que ir às pressas para algum hospital em Salvador. Tentou-se então a fototerapia intensiva, mas com aparelhos precários, mesmo sendo o melhor hospital de Ilhéus. Assim, a Ilhéus que vivenciei naquela época não foi aquela do Jorge Amado, da Gabriela que tinha o cheiro do cravo e a cor de canela. Passamos lá, a filha e eu, muita aflição, muita dor e muita angústia. Depois de quatro dias de fototerapia, o bebê teve alta com bilirrubina ainda de 20 (ou seja, não poderia ter saído do hospital). Enfrentamos uma estrada de chão horrível, o Moisés com seis dias e a mãe cheia de pontos, dirigindo. Fomos para casa e ficamos um dia apenas, pois o bebê não estava bem. Depois de contatos com outros médicos, levamos o Moisés para Salvador, mais sete horas de viagem, a mãe dirigindo novamente. Mais angústia, sofrimento, internação hospitalar (a bilirrubina estava a 21,7) e fototerapia intensiva, porém desta vez com aparelhos apropriados. No terceiro dia, felizmente, o Moisés teve alta, mas continuou amarelinho por um bom tempo.
Aos dois meses, com olhos espertos cor de jabuticaba e dobrinhas de gordura nas perninhas e braços, ele sorriu seu primeiro e lindo sorriso, que a tudo iluminou (seu nome significa “aquele que dá a luz”). Sei que ele não realizará grandes feitos como seu xará, o da Bíblia, aquele Moisés que liderou os hebreus para fugir da escravidão, abriu uma passagem no Mar Vermelho e recebeu os 10 mandamentos. Mas, mesmo quando era tão pequenino, o meu Moisés venceu uma grande batalha. Que Deus o ilumine sempre e o proteja.

*Bióloga – anacoelhocarvalho@terra.com.br

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Rome Zema lança linha de cafés especiais produzidos em Minas

Crédito (fotos): Pedro Gontijo/Imprensa MG

Belo_Horizonte_MG, 12 de Agosto de 2020
O Governador de Minas Gerais Romeu Zema participa do Lançamento dos Cafés Especias no Supermercado Verdemar
Foto: Pedro Gontijo / Imprensa MG

Governador destacou importância do setor produtivo e do agronegócio para o resgate da economia mineira

O governador Romeu Zema participou, nesta quarta-feira (12/8), do lançamento de uma linha de cafés especiais lançada pelo supermercado Verdemar. Os grãos, originários das quatro regiões produtoras de cafés especiais no estado, foram vencedores do 16º Concurso Estadual de Qualidade dos Cafés, promovido no fim do ano passado pelo Governo de Minas, por meio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG). Ao todo, 80 sacas de café, de 15 produtores campeões, foram adquiridas pela rede supermercadista.

Durante o lançamento, o governador ressaltou o apoio do governo mineiro ao agronegócio e ao setor produtivo.

“Acredito no nosso país e acredito nesse tipo de agricultura, de negócio. Temos condições de agregar valor em muitos produtos que produzimos aqui em Minas, como queijos, cachaças e o café. Temos condição de transformar Minas em um estado de produtores premium. Temos que ser ‘os produtores’. Meu governo é amigo de quem trabalha, de quem investe e de quem emprega”, disse.

Pequenos produtores

A secretária de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ana Valentini, enalteceu a importância de ações que valorizem o pequeno produtor rural.

“Apesar de tantas dificuldades que temos enfrentado este ano com a pandemia, é gratificante poder estar aqui com esse trabalho tão importante. Isso é justiça social, porque é assim que vamos ajudar a reduzir as desigualdades em nosso estado, trazendo mais valor para os nossos produtores, especialmente os pequenos”, afirmou.

Também participaram da cerimônia o sócio-proprietário do Verdemar e presidente da Associação Mineira de Supermercados (Amis), Alexandre Poni; o diretor-presidente da Emater, Gustavo Laterza; e o produtor Paulo Gomes, campeão do Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais em 2019.

Concurso

O Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais, considerado o maior do país, chegou à 16ª edição em 2019. A competição é promovida pelo Governo de Minas Gerais, por meio da Emater-MG e Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), em parceria com a Universidade Federal de Lavras (Ufla), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas e a Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (Faepe).

Corte no MEC pode deixar ‘situação insustentável’ nas universidades em 2021

Em coletiva à imprensa, Andifes aponta para riscos ao ensino, pesquisa e extensão

A Andifes e as universidades estão empenhadas em participar dos esforços para minimizar as perdas causadas pela Covid-19 (foto: Marco Cavalcanti)

“Para 2021, a anunciada redução linear de 18,2% nos limites orçamentários tornará a situação insustentável nas universidades federais. Com esse corte, nenhuma instituição poderá cumprir suas finalidades de ensino, pesquisa e extensão no próximo ano” — o alerta foi feito hoje, 12/8, durante coletiva de imprensa, pelo novo presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Edward Madureira Brasil, reitor da Universidade Federal de Goiás. Na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), de acordo com Darizon Alves de Andrade, pró-reitor de Administração e Planejamento, a redução será da ordem de R$ 21 milhões.
O anúncio do corte foi feito à Andifes na semana passada pelo Ministério da Educação (MEC). Essa medida consta da Proposta da Lei Orçamentária Anual que está sendo elaborada pelo Executivo. A soma dessas reduções é de aproximadamente R$ 1 bilhão no sistema das universidades federais. “Um valor absolutamente impossível de ser absorvido”, ressalta o presidente da Andifes. A fatia das despesas que será atingida refere-se às despesas discricionárias (não obrigatórias) das instituições, como despesas com manutenção (contas de água e de energia, segurança, limpeza, contratos com terceirizados), transportes, diárias e passagens e assistência estudantil. Edward Brasil lembra que o orçamento das universidades, nos últimos três anos, tem permanecido congelado. Isso significa um decréscimo no “poder de compra” deste orçamento, pois todos os contratos têm reajustes anuais.
O projeto deve ser enviado ao Congresso Nacional até 31 de agosto. Portanto, até o fim do mês, a Andifes busca o diálogo e espera discutir a proposta no âmbito do Executivo e reverter essa possibilidade de corte. Além do retorno do orçamento “normal”, a entidade aponta a necessidade de recursos adicionais.Segundo a Andifes, o corte também alcançará os já insuficientes recursos para assistência estudantil aos alunos de baixa renda, grupo certamente ampliado pelos efeitos econômicos da pandemia da Covid-19.
Essa nova realidade impactou os orçamentos de todas as organizações e, também, das universidades. Surgiu a necessidade de prover condições adequadas de biossegurança e de acesso às novas tecnologias para as atividades acadêmicas e administrativas. Portanto, recursos suplementares emergenciais devem ser previstos nos limites orçamentários para 2021, assim como foram em 2020, defende a associação. Pelos cálculos da entidade, a estimativa é de um aporte de R$ 200 milhões para que o sistema atenda, minimamente, a estas questões. De acordo com a Andifes, a política de assistência estudantil tinha, em 2020, orçamento de cerca de R$ 1 bilhão. Com o corte anunciado, as universidades perdem R$ 180 milhões.
Pandemia
Nesse grave momento de pandemia da Covid-19, a Andifes e o conjunto de universidades federais – são mais de 1,2 milhões de pessoas, em mais de 320 campi espalhados por todo o Brasil – estão empenhadas em participar dos esforços da sociedade brasileira e dos governos em minimizar as perdas causadas por essa enfermidade. São centenas de iniciativas: desde salvaguardar a comunidade educacional, seguindo norma internacional, passando pela produção de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), apoio à educação básica, pesquisas e produtos nas diversas áreas do conhecimento, testagens, até a mobilização dos 45 hospitais universitários com milhares de leitos vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
As atividades administrativas foram continuadas e boa parte da pós-graduação também. No momento, emparelhadas com a ciência mundial, na solidariedade, em colaboração com inúmeras instituições públicas e privadas, as universidades mantêm o esforço nacional de enfrentamento à pandemia. Após estudos e medidas de biossegurança, bem como adaptações tecnológicas, as atividades de ensino estão sendo retomadas por meio remoto.
Concursos
Durante a coletiva, Edward Madureira Brasil chamou a atenção para outro problema enfrentado pelas universidades: a incerteza com relação a concursos públicos. A estimativa é de que aproximadamente 4.500 cargos de docentes estejam indefinidos, sejam concursos já realizados ou em abertos. As universidades federais operam com um regime especial de reposição da força de trabalho, subordinado às regras constitucionais e à Lei 8.112/90. Os concursos e nomeações de docentes e técnicos têm dinâmica quantitativa, qualitativa e temporal próprios regidos pelo Banco de Professor Equivalente – BPEq (Decreto nº 7.485/2011) e pelo Quadro de Referência dos Servidores Técnicos Administrativos em Educação – QRTAE (Decreto nº 7.232/2010).

Prefeitura de Araguari constrói ciclovia

Ascom/PMA

A prefeitura de Araguari, através da secretaria de Obras, realiza mais uma etapa da construção da ciclovia, na avenida Cornélia Rodrigues da Cunha, no bairro Jóquei Clube, trecho que começa na praça Sérgio Pacheco e termina a rua Walter Santiago. Nessa fase acontece a instalação do piso intertravado de concreto.
O piso intertravado é composto por bloquetes pré-fabricados de concreto. Quando dispostos em conjunto (como se fossem um quebra-cabeça), formam superfícies pavimentadas uniformes e firmes, capazes de receber o tráfego de pessoas e veículos.
A utilização dos bloquetes não exige o uso de rejuntes de cimento ou argamassa, pois são assentados diretamente sobre uma camada de areia. Essa característica que os mantêm no lugar é o princípio do intertravamento parte da carga de uma peça é transmitida para a peça vizinha devido ao atrito lateral entre elas. Esse atrito é garantido pelo preenchimento dos espaços entre os bloquetes com areia fina ou pó de pedra.
“A instalação de bloquetes não tem a necessidade de equipamentos sofisticados e mão de obra altamente qualificada; possui drenagem eficiente; é naturalmente antiderrapante, o que oferece maior segurança para as pessoas se comparado a outros tipos de pavimentos e possui manutenção simples e barata” declarou o secretário de Obras, Expedito Castro Júnior.
“A ciclovia é uma excelente opção de lazer e prática de atividade física, além disso, faz com que os ciclistas se sintam mais seguros e utilizem menos os carros, o que reduz a poluição causada por eles” finalizou o prefeito Marcos Coelho (PSB).

Agronegócio mineiro tem superávit de US$ 4,54 bi de janeiro a julho

GOV. MG/Imprensa

Quantia indica variação positiva de 10% na balança comercial em relação ao mesmo período do ano passado

Alavancada pelo bom desempenho nas exportações, a balança comercial do agronegócio mineiro fechou os sete primeiros meses de 2020 com uma alta de 10% em relação ao mesmo período do ano passado. O superávit totalizou US$ 4,54 bilhões no período, elevando a expectativa de que este ano, apesar da crise mundial causada pela covid-19, seja o segundo melhor da série histórica do agronegócio mineiro, que teve início em 1997.
As exportações tiveram uma receita de US$ 4,93 bilhões, uma expansão de 9,4% de janeiro a julho, enquanto as importações acumularam US$ 387,52 milhões, crescimento de 3% no mesmo período. Ao todo, Minas Gerais enviou 7,6 milhões de toneladas de produtos agropecuários para 162 países do mundo, um aumento de 31,4% no volume acumulado exportado.
“O bom resultado se deve principalmente ao aumento nas vendas de alguns dos principais produtos da nossa pauta exportadora: soja, carne bovina, carne suína e açúcar”, analisa Manoela Teixeira de Oliveira, assessora técnica da Superintendência de Inovação e Economia Agrícola (Siea) da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa).

Exportações

Entre os principais países importadores dos produtos mineiros estão a China (US$ 1,50 bilhão); EUA (US$ 475,83 milhões); Alemanha (US$ 460,42 milhões); Itália (US$ 238,47 milhões); e Japão (US$ 184,98 milhões). “A China continua sendo o principal destino das exportações do estado, influência da pandemia e da necessidade do país asiático em manter os estoques de alimentos”, acrescenta Manoela.
“Isso mostra que, apesar da crise mundial causada pelo coronavírus, o cenário segue positivo para as exportações do agronegócio. Nossa expectativa é que 2020 tenha o segundo melhor resultado da série histórica mineira, ficando atrás somente de 2011, quando as vendas chegaram a US$ 9,72 bilhões. A previsão é que nossas exportações cheguem na casa dos US$ 9 bilhões neste ano”, comenta o superintendente de Inovação e Economia Agropecuária da Seapa, Carlos Eduardo Bovo.

Principais produtos

Entre os produtos com crescimentos mais expressivos está o complexo soja (grãos, farelo e óleo), que alcançou a marca de US$ 1,38 bilhão e 3,87 milhões de toneladas, um incremento de 39,6% no valor e 45,4% no volume.
“Essa quantia representa quase 30% das vendas de todo o agronegócio, número muito significativo. Mais especificamente com relação aos grãos, a China representou sozinha 80% destes embarques, o que demostra a importância da relação comercial com este país”, pontua Manoela.
As carnes também tiveram importante relação com o superávit, totalizando US$ 565,26 milhões (+8,3%) e 179 mil toneladas exportadas (+16,4%). Entre elas, os destaques foram para o setor de bovinos (US$ 431,46 milhões e 100 mil toneladas) e suínos (US$ 24,16 milhões e 13 mil toneladas). No caso da carne suína, os índices apontaram crescimento de 94% na receita e 73% no volume.

Mais destaques

Destaque na balança comercial do estado também para o complexo sucroalcooleiro, com US$ 493 milhões (+61,7%) e 1,7 milhão de toneladas (+64,3%). O açúcar foi o principal item comercializado, representando quase 96% das vendas do complexo, com receita de US$ 473,1 milhões e 1,6 milhão de toneladas.
“Também contribuíram para o aumento na exportação mineira alguns produtos que, apesar de terem uma participação menor na pauta exportadora, apresentaram índices de crescimento bastante expressivos. Entre eles estão: especiarias, fumo, nozes, coco e cera de abelha. Todos com índices acima de 200% de crescimento”, enumera Manoela Teixeira.
Outros produtos que tiveram boa performance foram: rações para animais (37%), bovinos vivos (60%), gorduras de aves e bovinos (96%), manteiga (141%), especiarias (açafrão, gengibre e pimenta 213%), fumo (262%), nozes (pará e macadâmia 267%), coco (253%), mamões (283%), ceras de abelha e seus produtos (321%).

Café

Os cafeicultores mineiros continuam sendo a categoria que mais exportou no estado. Com US$ 1,96 bilhão e 12,5 milhões de sacas embarcadas até o mês de julho, a commodity representou cerca de 40% de todas as vendas externas de Minas. Entretanto, foi registrado um ligeiro decréscimo de 2,2% no valor e 8,1% no volume exportados até agora em 2020 – consequência do atraso nos embarques por causa da crise mundial causada pela covid-19. Apesar disso, o café, que mais uma vez colheu uma safra recorde em Minas, tem perspectiva de recuperar nos próximos meses do ano o mesmo patamar de 2019 nas vendas ao exterior.
Entre os principais compradores do café mineiro estão: Alemanha (US$ 418 milhões), EUA (US$ 391 milhões), Itália (US$ 193 milhões), Bélgica (US$ 140 milhões) e Japão (US$ 126 milhões).

Crédito (foto): Gil Leonardi/Imprensa MG