BEM-ESTAR SOCIAL

João Batista Domingues Filho
Cientista Político – Professor UFU/INCIS

O capitalismo de mercado, em sua forma competitiva e produtora de riqueza, é incompatível com a igualdade social plena, fonte de bem-estar na sociedade. A pobreza relativa impede o bem-estar social. Uma sociedade mais igualitária produz maior sensação coletiva de bem-estar, dependendo da percepção da maioria da população quanto à riqueza e à pobreza de seus concidadãos.
Não é apenas o aumento da renda dos pobres que vai gerar bem-estar numa população. Ricos e pobres serão mais felizes se a desigualdade entre eles diminuir, sobretudo quando houver distribuição mais justa da renda e das oportunidades sociais. Reduzir a desigualdade causa bem-estar; o crescimento econômico, sozinho, não.
Não haverá bem-estar social apenas aumentando a renda dos pobres, se os ricos ficarem ainda mais ricos e a distância entre eles continuar crescendo. Pense se essa bela ideia pode ser verdadeira. Essa tese está em The Spirit Level, livro publicado em 2010, de Richard Wilkinson e Kate Pickett, resenhado de maneira brilhante pelo economista André Lara Resende, no jornal Valor Econômico, em 28, 29 e 30 de janeiro de 2011, no caderno EU & Fim de Semana.
Vamos expor e explorar as consequências dessa ideia. Bem-estar social define o bem-estar da sociedade como um todo. Não ocorre bem-estar se uma parte da sociedade melhora de vida e a parte mais rica fica tão bem quanto antes, ou ainda mais rica, com o passar do tempo. Está equivocado associar automaticamente crescimento econômico, aumento de renda e bem-estar social. No plano individual, ainda está em aberto se a riqueza aumenta ou não a felicidade. No plano social, porém, a elevação da renda da maioria só se transforma em bem-estar duradouro quando diminui a distância entre pobres e ricos.
Apenas reduzir a pobreza, mantendo uma grande distância entre ricos e pobres, não aumenta suficientemente o bem-estar social. A pesquisa social desses autores nega o senso comum segundo o qual o crescimento econômico aumenta a renda e, por consequência, aumenta o bem-estar social. O crescimento econômico é importante para o progresso material da nação. Não devemos ser contra o crescimento econômico, mas não devemos confundi-lo com justiça social nem imaginar que o bem-estar coletivo tenha origem apenas nele.
Diminuir a distância entre a maioria pobre e a minoria rica é buscar o bem-estar social. O determinante do bem-estar social é a redução das desigualdades de um país, com distribuição de renda, acesso a direitos, oportunidades reais e reconhecimento da dignidade de todos os cidadãos.
Em 2026, essa discussão permanece atual. O Brasil avançou em alguns indicadores recentes: dados do IBGE mostram queda da pobreza e da extrema pobreza entre 2023 e 2024, além de redução do índice de Gini, que mede a concentração de renda. Ainda assim, a desigualdade brasileira continua profunda: o rendimento dos grupos mais ricos permanece muitas vezes superior ao dos mais pobres. Essa combinação revela o ponto central do problema: melhorar a renda é necessário, mas não basta; é preciso enfrentar a estrutura da desigualdade.
O Estado oferecer comida, renda mínima e proteção social ao cidadão que não consegue sozinho garantir sua sobrevivência é um dever. Programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, cumprem papel importante na redução imediata da pobreza e na proteção das famílias vulneráveis. Mas não devem ser entendidos como política suficiente para diminuir estruturalmente as desigualdades e criar bem-estar social no Brasil.
O aumento do poder aquisitivo dos pobres brasileiros melhora condições imediatas de vida, amplia o consumo básico e reduz sofrimentos urgentes. Contudo, não produz, por si só, bem-estar social duradouro se a concentração de renda, patrimônio, educação de qualidade, acesso à saúde, moradia, saneamento e oportunidades continuar profundamente desigual.
O mercado competitivo depende, muitas vezes, da má distribuição de renda, impedindo o bem-estar social. Uma sociedade mais igualitária possibilita bem-estar para a maioria da população do país. O Brasil pode crescer, pode reduzir a pobreza extrema e pode ampliar o consumo dos mais pobres; ainda assim, continuará distante do bem-estar social enquanto a riqueza socialmente produzida permanecer concentrada em poucas mãos.
Para se ter bem-estar social no Brasil, é preciso acabar com a pobreza relativa: maioria pobre, minoria rica; concentração da riqueza socialmente produzida. Existe correlação forte entre bem-estar social e igualdade. Isso tudo causa medo aos defensores do liberalismo clássico: o igualitarismo depende da intervenção do governo para viabilizar esse bem-estar social, implicando, para eles, a ameaça de negação da liberdade individual.
Mas a defesa da igualdade não exige Estado autoritário. O desafio contemporâneo é distinguir intervenção democrática de experiências totalitárias que, no século XX, sacrificaram liberdades em nome de projetos ideológicos de poder. A saída liberal clássica é aceitar uma única igualdade: a igualdade de oportunidades. Mas, numa sociedade muito desigual, até a igualdade de oportunidades se torna ilusória, porque os pontos de partida são radicalmente diferentes.
Ainda existe outra saída para gerar bem-estar social pela intervenção governamental: o Estado de direito democrático, capaz de combinar liberdade, igualdade, direitos sociais, responsabilidade fiscal, políticas públicas eficientes e controle cidadão sobre o poder.

Prefeitura promove mostra artística com produções de estudantes municipais

 

Mostra Visualidades pode ser apreciada no saguão do bloco 2 do Centro Administrativo Municipal até o dia 21 deste mês

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Danilo Henriques – Secretaria de Comunicação/PMU

O saguão do bloco 2 do Centro Administrativo Municipal se transformou em uma galeria de arte com exibição da 22ª edição da Mostra Visualidades. A abertura da exposição foi realizada pela Prefeitura de Uberlândia, por meio da Secretaria Municipal de Educação (SME), nesta sexta-feira (14), no Centro Administrativo Municipal, e contou com apresentações artísticas e debates sobre os processos de criação. As produções artísticas, feitas por estudantes da rede municipal de ensino, podem ser apreciadas até o próximo dia 21.
A Visualidades configura-se como um espaço de valorização e difusão do ensino artístico oferecido nas escolas da Prefeitura de Uberlândia. Organizada pelos professores de arte da SME, a Mostra integra as ações de formação continuada do Centro Municipal de Estudos e Projetos Educacionais Julieta Diniz (Cemepe) e resulta de atividades desenvolvidas junto a estudantes da educação infantil, do ensino fundamental e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) das escolas municipais das zonas urbana e rural. O tema escolhido para este ano foi “Pluralidades: Arte afro-indígena em nós”.
Segundo a secretária municipal de Educação, Tania Toledo, a Mostra Visualidades é promovida desde 2004 e consolidou-se como um evento anual que promove a partilha, o diálogo e a visibilidade aos processos criativos desenvolvidos pelos estudantes. “Trata-se de um convite à comunidade escolar e ao público em geral para reconhecer e refletir sobre os percursos formativos vividos ao longo do ano letivo, destacando a potência educativa e transformadora da arte”, disse.

22ª edição da Mostra Visualidades

Visitações: 14 a 21 de novembro, nos dias úteis, das 12h às 17h

Local: Centro Administrativo Municipal, saguão do bloco 2, avenida Anselmo Alves dos Santos, 600, Santa Mônica

14/11/2025

Marden Rangel

Governo de Minas coloca à venda 20 imóveis

Lances podem ser feitos até 2/7; imóveis estão localizados em Belo Horizonte, Uberlândia, Divinópolis, Montes Claros, Patos de Minas e também no estado do Rio de Janeiro

GOV. MG

A Minas Gerais Participações S.A. (MGI), entidade vinculada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), publicou, nesta quarta-feira (20/5), o edital de leilão público destinado à venda de 20 imóveis do Estado com valor total de R$ 24,2 milhões.
O certame inclui terrenos, lotes urbanos, salas comerciais, imóveis residenciais e um prédio de grande porte. Os valores iniciais variam entre R$ 16 mil e R$ 11 milhões, com oportunidades tanto para investidores quanto para cidadãos interessados na aquisição de imóveis.
Para participar do processo licitatório, os interessados deverão realizar cadastro no site de leilões da MGI, como pessoa física ou jurídica. Os lances estão disponíveis para o público até o dia 2/7.
Segundo o diretor-presidente da MGI, Gustavo Nogueira, a iniciativa integra a estratégia estadual de aprimoramento da gestão do patrimônio público.
“A realização do leilão permite dar destinação a imóveis que não estão sendo utilizados, ao mesmo tempo em que cria oportunidades de investimento e gera recursos que podem ser revertidos em políticas públicas”, afirma.
Destaques no certame
Os imóveis estão localizados em Belo Horizonte, Uberlândia, Uberaba, Lagoa da Prata, Manhuaçu, Divinópolis, Montes Claros, Ubá e Patos de Minas. Na capital mineira, há uma sala comercial com potencial para a implementação de atividades comerciais.
Em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, o destaque vai para um prédio com mais de 3 mil m², localizado em área central que pode atender empreendimentos.
Já em Divinópolis, há um terreno desocupado de 3.660 m², que tem como atrativo a localização próxima ao Aeroporto Brigadeiro Cabral, facilitando o acesso aéreo para a região.
Gestão estratégica de imóveis gera receitas no estado
Desde 2024, a Sede-MG é responsável pela identificação, administração e execução da política de alienação onerosa de imóveis de propriedade do Estado de Minas Gerais.
Essa é uma medida estratégica para aprimorar a gestão dos recursos públicos, já que reduz os custos com manutenção e possíveis encargos judiciais, ao mesmo tempo em que viabiliza a destinação de recursos para as principais políticas públicas do estado.
“O Governo de Minas atua para dar uma destinação eficiente aos ativos que não possuem mais utilidade pública. A partir de análises criteriosas, conseguimos estruturar leilões com segurança e atratividade para o mercado”, destaca o diretor de Alienação e Destinação de Imóveis da Sede-MG, Wesley da Silva Lourenço
Entre 2024 e 2025, a Sede-MG coordenou a alienação onerosa de mais de 80 imóveis sem utilidade para o Estado, viabilizando a arrecadação de aproximadamente R$ 20 milhões em receitas para os cofres públicos.
Sobre a MGI
A MGI é uma empresa estatal do Estado de Minas Gerais que conta com uma equipe especializada para fornecer todas as informações necessárias durante as etapas de aquisição.
Em caso de dúvidas sobre os editais, os usuários podem entrar em contato por meio do e-mail: vendas@mgipar.com.br ou pelos telefones: (31) 3965-2611 e (31) 97320-0480.

LULA ESPERADO PARA INAUGURAR O SAMU EM UBERLÂNDIA

Ivan Santos, jornalista

Adelino Júnior, que cobre o movimento político local, informou que o presidente Lula poderá vir a Uberlândia para inaugurar o SAMU .
O SAMU é o Serviço de Atendimento Médico Móvel de Urgência. Para explicar melhor e é um serviço brasileiro de atendimento pré-hospitalar gratuito, disponível 24 horas, acionado pelo número 192 para emergências médicas. Ele foca no socorro rápido, prestando orientações e enviando ambulâncias a residências, locais de trabalho e vias públicas para salvar vidas.
Simples, a explicação. O SAMU vai contar com ambulâncias em todos os municípios da região de influência de Uberlândia. Esta é uma velha reivindicação do PT e do ex-prefeito e deputado federal Gilmar Machado que se prepara para pedir votos para retornar a Brasília como deputado federal nas eleições deste ano. Então, a visita de Lula a Uberlândia, neste ano eleitoral, terá importância política relevante para Gilmar Machado (PT). O prefeito Paulo Sérgio, do PP, já manifestou que apoia a iniciativa. Apoia o SAMU. É politicagem explícita no ano eleitoral.
Como vai funcionar o SAMU? Dou aqui apenas um exemplo: uma pessoa doente, em Tupaciguara, não vai pegar uma ambulância do SAMU para ser atendida em Monte Alegre ou Ituiutaba. Certamente pedirá que o SAMU a transporte para Uberlândia, Será da mesma forma em todos os municípios localizados na região de Influência de Uberlândia.
O Hospital de referência para tratamento pelo SUS em Uberlândia é o Hospital da UFU. Com o eventual aumento da demanda causada pelas movimentações LUAdo SAMU, O Hospital da UFU poderá ter superlotação. O outro hospital público é o Municipal. Como este hospital recebe recursos do SUS terá que atender os pacientes que chegarem pelo SAMU e também poderá ficar superlotado. Esta especulação é apenas uma hipótese que poderá ocorrer ou não, mas deixa um campo para profundas reflexões. O SAMU que muitos esperam como utilidade pública relevante, poderá ser um tiro no pe.

Governo de Minas destaca avanço no saneamento com acordo entre Copasa e municípios mediado pelo TCEMG

Governo de Minas destaca avanço no saneamento com acordo entre Copasa e municípios mediado pelo TCEMG
Governador Mateus Simões enalteceu o diálogo institucional, passo fundamental para garantir segurança jurídica e previsibilidade ao setor

GOV. MG

O Governo de Minas manifestou, nesta quinta-feira (7/5), aprovação ao resultado da Mesa de Conciliação realizada junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCEMG), que resultou em um consenso para a ampliação dos serviços de esgotamento sanitário em 273 municípios mineiros.

O acordo, construído entre a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e a Associação Mineira de Municípios (AMM), estabelece as diretrizes para que cidades que hoje possuem apenas o abastecimento de água possam avançar na coleta e no tratamento de esgoto, em conformidade com o Novo Marco Legal do Saneamento. Os órgãos envolvidos, em comum acordo, apresentaram, ao final dos trabalhos conciliatórios, a proposta de termo de autocomposição.

O instrumento apresentado ao TCEMG reconhece a viabilidade jurídica da ampliação contratual sem a necessidade de novos procedimentos licitatórios, respeitando as particularidades de cada localidade por meio de contratos substitutivos ou termos aditivos. A decisão final sobre a adesão ao modelo cabe exclusivamente a cada prefeitura.

Diálogo institucional

O governador Mateus Simões enalteceu o papel do Tribunal de Contas na condução do processo, destacando que soluções técnicas construídas pelo diálogo são essenciais para o desenvolvimento de Minas Gerais.

“O sucesso desta Mesa de Conciliação é uma vitória para os mineiros, especialmente para as comunidades que mais precisam de investimentos. O trabalho conduzido pelo Tribunal de Contas foi essencial para chegarmos a um consenso que respeita o Marco Legal e oferece soluções práticas aos nossos municípios”, destacou o governador.

Mateus Simões ainda ressaltou que “quando as instituições trabalham com foco no interesse público, quem ganha é o cidadão, com mais qualidade de vida e eficiência na entrega dos serviços”.

Cabe destacar que o termo de autocomposição será submetido à manifestação da Unidade Técnica do TCEMG e do Ministério Público de Contas, para posterior deliberação do Pleno do Tribunal, condição necessária para que produza plenos efeitos. O Governo de Minas reafirma o compromisso com a modernização da infraestrutura do estado e com a construção de parcerias sólidas que garantam a atração de investimentos e a melhoria contínua dos serviços públicos prestados à população.