Gustavo Hoffay – Agente Social

Para compreender o que é a sobriedade, foi-me preciso sofrer a angustia da escravidão em relação ao álcool. Quem passou por essa experiência, certamente sabe quais foram seus sentimentos quando respirou, depois de algum tratamento especializado, as primeiras baforadas de ar livre daquela substância toxica e da qual, antes, faziam uso excessivo e compulsivo. Que alegria me causaram todas as coisas imediatamente após a conclusão do tratamento pela minha reabilitação da Dependência Química. A liberdade de estar independente do uso de bebidas alcoólicas causou-me, assim que conclui o meu tratamento em uma reconhecida clínica para recuperação, uma alegria e um orgulho imensos. Nos primeiros dias de liberdade, era como se essa me dilatasse o peito a ponto mesmo de sentir dor. Confesso que durante um passeio pelo shopping, na companhia da minha esposa, num determinado momento me senti incapaz de dar um passo a mais, tomado de vertigem pelo extraordinário sentimento de liberdade. Foi-me uma bem-aventurança! Depois de pouco mais de uma centena de palestras em Uberlândia e algumas outras cidades do Triangulo Mineiro, enquanto diretor da Fundação Giuseppina Saitta, houve pessoas que me acusaram de faltar com a modéstia, pois eu falava do meu encarceramento do uso abusivo de bebidas alcoólicas e em seguida do meu sublime processo de reabilitação. O trabalho que desenvolvi em mim mesmo quando interno naquela entidade, deixou-me ufano e o que não consigo compreender é como alguns dependentes químicos, também reabilitados, não se gloriam desse seu feito mas, ao contrário, parecem ter envergonha da sua cruz. Quanto a mim, sou e serei sempre orgulhoso da minha cruz e jamais deixarei de dar graças a Deus pelas provações que Ele enviou-me. A recordação das mesmas é, para mim, um força, uma luz para o meu espirito. Lastimo, sim, que hajam pessoas que dissimulam aquilo que, na verdade, deveriam ufanar-se ao passo que se comprazem com ninharias: carros, roupas de grife…..tudo isso é vaidade. As palavras de um ex-companheiro na Comunidade Terapêutica onde me tratei a exatos trintas anos voltam-me à memória: -“ Não deixemo-nos entorpecer pela falta de coragem”. Sim, superei o medo dos desafios que oprimiam a minha mente….! Foi assim que me tornei realmente livre dos meus fantasmas e que me acompanharam durante todo o tempo em que eu fazia uso abusivo de bebidas alcoólicas. Hoje possa dizer com toda certeza que a minha fé triunfa da violência feita ao meu espírito, ao meu corpo.