Gustavo Hoffay – Agente Social

No Brasil já é muito mais comum falar-se em prevenção ao uso de drogas do que, propriamente, ouvir comentários populares a respeito da produção e do tráfico daquelas substâncias. E eu, humildemente e dentro das minhas possibilidades, julgo-me enquadrado ao lado daqueles cujos trabalhos prevencionistas são, não poucas vezes, interpretados por muitos como algo parecido a um “enxugar gelo”; em tom sarcástico ou jocoso já disseram da inutilidade das minhas iniciativas em promover ações de prevenção ao uso de drogas, citando mesmo a concepção existencialista de que o ser humano é essencialmente liberdade e , por conseguinte, se faz, se define pelo uso da mesma para fazer o que bem entender. E nesse ponto somos todos juridicamente regulamentados quanto a salvaguardar a nossa integridade física e mental mas, diante do escancarado avanço das drogas sobre o povo em geral e as deletérias consequências dessa perturbadora situação , noto que determinações legislativas e jurídicas que outrora tinham plena procedência e fomentavam o bem comum, hoje estão cada vez mais obsoletas, destituídas de propósito, suscitando duvidas e interpretações duvidosas aos próprios agentes da lei e , consequentemente, fazendo que o nosso país e o seu povo continue derrapando sobre certas proposições legais relativas ao combate e à liberação das drogas, ao transporte e ao cultivo daquelas substâncias, ao seu uso pessoal e medicinal….! E enquanto uma barafunda de impedimentos, discussões nos meios políticos e científicos, tramitações jurídicas, leis e portarias apresentadas, votadas e levadas à apreciação de uma só pessoa – o presidente da República, poderosos traficantes e companhia continuam explorando a fonte de um lucro certo, fácil e rápido sem a exigência de qualquer burocracia mas com uma respeitosa hierarquia com linhas de autoridade e responsabilidade bem demarcadas na totalidade das facções ou organizações criminosas, constituídas para explorar um negócio ilícito que produz lucros exorbitantes e que pagam diariamente aos seus mais humildes colaboradores, o que eles não receberiam receber por um ano se registrados formalmente em algum comércio ou indústria. Diante de tais constatações pode-se reconhecer por vezes a deficiência e as limitações governamentais, deste ou daquele agente político. Não sei exatamente porque, mas ainda insisto em acreditar que as autoridades públicas responsáveis pela constante vigilância sobre a produção, distribuição e comercialização de drogas não agem de má fé ou intenções desvirtuadas, muito embora dentro de circunstâncias passadas já termos sido surpreendidos com chocantes episódios de envolvimento de alguns medalhões oficiais no tráfico daquelas substancias. Ora, produção e distribuição de drogas, apreensão de grandes quantidades das mesmas , destruição de lavouras e equipamentos relacionados à produção de drogas, tiroteios e perseguições que assustam considerável parcela da população, roubos e assaltos diversos e cujos resultados apurados servem para a manutenção, treinamento e fomento de quadrilhas especializadas, o desespero, o terror e a insegurança de milhões de pessoas em todo o território nacional e a quantia absurda que é destinada à Saúde e Segurança Pública em função de tudo isso, além de outras terríveis consequências geradas pelo tráfico de drogas, a muito já levaram-me à conclusão de que a liberação das drogas se faz urgente em nosso país e cuja população já chegou ao fundo poço em termos de pânico e sofrimentos diversos com um insano abuso na ingestão de bebidas alcoólicas , inclusive por parte de menores de idade, grávidas ou lactantes. Até aqui a população brasileira já sofreu escárnio e vexames, experimentou desanimo, enfrentou muito daquilo que psicológica e materialmente subtraiu-lhe forças e o tesão de viver com dignidade e continua a enxergar, cada vez mais distante, êxitos nos desafios de enfrentamento às drogas. Por isso merece louvor o espírito generoso de pessoas que voluntariamente engrossam as fileiras de trabalhos de prevenção ao uso de drogas, com persistência e ardente amor pela vida, educando e animando jovens a persistirem em caminhos retos. Não há, sob o meu particular ponto vista, outro caminho mais eficaz na questão drogatícia senão o Brasil reconhecer o quanto são infrutíferas, trágicas e milionárias as ações de combate às drogas e, daí, admitir o quanto se faz necessário e urgente uma revisão em nossas leis e, por fim, racionalmente, esquematizar estudos e ações que promovam a liberação do uso de drogas, tal e qual o álcool e o tabaco e cujas malignas consequências conseguimos, aos poucos absorver e tratar a bom termo.