Tania Tavares – Professora – SP
Ao ler os artigos da (pag.A3,24/05) sobre a atuação seletiva de Paulo Gonet, procurador-geral da República, que aceita denúncias contra vídeos satíricos e é agressivo na hora de defender interesses dos ministros -que são os que podem reelege-lo- além de se omitir em investigá-los diante de grossas suspeitas. Como se não bastasse, um decreto de Lula encampa a decisão do STF sobre as redes sociais passando a ter supervisão digital permanente, ou seja, uma censura privada. Estamos caminhando para uma ditadura disfarçada? É isto que dá presidentes indicarem “amigos” para o STF!
A ditadura não é mais disfarçada. No momento em que as plataformas são obrigadas a censurar redes sociais, em que até conversas de mesa de boteco podem ser silenciadas, em que o PGR não é mais da república e sim de quem o indicou, em que apenas as fake news da direita (elas existem e também as da extrema esquerda) são percebidas e castigadas, em que se governa por meio de decretos e o sigilo impõe-se diante da gastança inútil que vemos todos os dias. Em que a imprensa tradicional, por pior que o governo esteja, ainda passa pano para os inúmeros erros e o presidente faz campanha antecipada sem a menor cerimônia, contando com os serviços prestados por seus “cumpanhêros” da Alta Corte, em que o povo é olhado apenas no sentido fiscalizatório e controlador, a democracia já é coisa do passado… A liberdade está dando seus últimos vôos neste país, uma vez, antes, maravilhoso!