Gustavo Hoffay – Agente Social
A cada dia torna-se ainda mais perceptível o quanto uma considerável parcela do povo brasileiro está dispersa, interessa em assuntos gerais – desde artistas que surgem, passam e somem com a velocidade meteoros; a procura de emoções por meio de telenovelas e reality shows , torneios esportivos caça-níqueis promovidos por emissoras de TV e programas que tratam da violência cotidiana nos grandes centros urbanos, mas nada comum entre tantos interesses, sequer o samba e o futebol e que por muito tempo permaneceram atrelados. Creio estarmos vivendo em uma era dispersiva e onde, inclusive, em nosso país, homens e mulheres que ocupam cargos de alta relevância política, econômica e judiciária sentem o quanto vem tornando-se árduo o exercício de suas funções. O “sistema” vigente em nosso país dá sinais de estar menos operante, pois encontra-se em pânico e em compasso de espera sabe-se lá de que. Nota-se políticos volúveis deixando confusos os seus eleitores, ao trocarem de partido como troca-se camisas regularmente; num momento são de esquerda e em pouco tempo já aparecem empunhando a bandeira de um partido de direita ou mesmo assinando a ficha de filiação de um partido de cento. Ora! Somos o sintoma de algo ainda maior e que os políticos ainda não reconheceram; entretanto o povão já o descobriu; a maioria de nós – tupiniquins-faz genuíno eco ao cansaço e à frustração em termos políticos e o que provoca marolas que alcançam o poder judiciário e toda a corte suprema. Temos por aqui um “partidão” que é a mais recente forma de máscara originada, adaptada e adotada por grupos ideológicos inspirados no marxismo-leninismo e que (ainda) procura impor-se por meio de práticas políticas extremamente populistas: MST,MTST, greves, paralisações, aumento de impostos sobre grandes fortunas, influência em diretórios acadêmicos, etc,etc….. Na realidade qualquer sistema totalitário e que se passa por democrata, apregoando-se suficientemente capaz de atender aos anseios dos mais humildes aflitos e de modo leva-los ao encontro da tal “felicidade” é….falso, pois o próprio sistema sabe que é impossível satisfazer uma nação e tão somente dentro de parâmetros da justiça social e nem tanto da ciência e da economia, por exemplo. Ora, francamente! Qualquer cidadão consciente tem aspirações que podem garantir-lhe um sentido pleno de vida e sem qualquer necessidade de vender-se por migalhas que satisfaçam, temporariamente, as suas mais básicas necessidades e a ponto de tornar-se dependente das mesmas, enquanto condizente com um sistema que lhe garante uma sofrível subsistência por meio de “vales” diversos. Embora o Brasil ainda não tenha um novo modelo político a propor e considerando que a própria “direita” vem mostrando-se incapaz de ao menos traçar as suas próximas ações e definir nomes que devem tomar o timão da nave Brasil em seu trajeto rumo ao futuro, verifica-se que a maioria do povo sente a necessidade de renovar a consciência e a ordem política vigentes pois, enfim, tem aumentado a sua noção do que vem a ser justiça, a prudência, a fortaleza e a temperança em relação ao sistema que aí está. E convenhamos que de nada vale adaptar-se à consciência do povo, para uma nova e necessária reviravolta política e mudanças estruturais nos três poderes, se cada um que hoje ocupa dependências palacianas e seus anexos se esquece (?) dos valores da consciência como a retidão, a veracidade, a honestidade, a dignidade e a fidelidade ao povo brasileiro! Se não há respeito e cultivo de tais valores, certamente está fadado à ruina qualquer empenho em direção à ordem e ao progresso social. E esse pesadelo, em sua fase mais evoluída, é o que tira o sono de não poucos brasileiros realmente conscientes e que enxergam nas facilidades e comodidades fartamente distribuídas pelo atual governo, uma moeda de troca que visa claramente contrapor-se à insatisfação de milhões de nossos conterrâneos, na tentativa de comprar-lhe a sua dignidade, diante de uma política claramente totalitária e dos paraísos que ela promete. O povo de uma nação e que deseja evoluir-se sempre mais não pode, em sua caminhada, contentar-se unicamente da sua capacidade de dar o próximo passo mas, sim, visualizar com clareza e otimismo o caminho a ser percorrido. As constantes frustrações a que se vê sujeita uma grande parcela da nossa população, deve-se unicamente à fantasia exuberante e desorientada daqueles que ainda conseguem manter-se no poder, incorporados por um fanatismo que lhes é muito peculiar, cego e irracional, associado a escândalos de corrupção e temperado por ilusões e contradições. Enquanto eles fingem governar, a maioria do povo já não consegue fingir que é desgovernada.