Ivan Santos – Jornalista
Já fui acusado neste espaço por algumas pessoas encantadas com a polícia econômica do presidente Lula, de ser pessimista e míope por não reconhecer nem ver que nos últimos oito anos houve crescimento expressivo da classe média brasileira; que a pobreza diminuiu e está a caminho do fim e o Brasil tem mais de US$ 350 bilhões de dólares de reservas que fazem com que o País seja uma potência econômica mundial. Tanta euforia não passa pela minha cabeça. Prefiro acreditar no que dizem economistas prudentes. Na última quarta-feira, o jornal Valor Econômico alertou que “se alguém espera para 2012 algum sopro de euforia nos mercados, é bom saber que essa não é a previsão de nenhum dos especialistas consultados”. “Não vai ser um ano para dobrar capital”, comentou o respeitado economista Fernando Rocha. As medidas macroprudenciais adotadas no final do Governo do presidente Lula, como comentamos naquela época neste espaço, estão a produzir agora os primeiros sinais de desaceleração da economia cabocla. Para evitar desemprego em massa, a presidente Dilma lançou o “Programa Brasil Maior” que dá desoneração fiscal a alguns setores da indústria. Para economistas conservadores, o “Programa” é um paliativo porque a crise que cresce na Europa pode se espalhar por todo o mundo. Na economia globalizada, o Brasil não ficará como ilha de bonanças sem sofrer os efeitos negativos da desaceleração econômica no Primeiro Mundo.
BIPOLARIDADE
Ainda segundo o jornal Valor, ”ninguém tem dúvida de que 2012 será ano marcado pela bipolaridade com períodos de estresse que devem se alterar com momentos de recuperação embalados por recursos ainda disponíveis”. O Brasil é um país que ainda tem recursos disponíveis e forte mercado interno, mas isto não é vantagem competitiva no mundo.
CAUTELA
O Governo tem agido com cautela em matéria de economia e atua para evitar desacelerar a indústria. No entanto, o presidente da FIESP, Paulo Skaf, recém culpou o governo de Dona Dilma “pelo fraco desempenho da indústria em 2011”. Na verdade é o “Custo Brasil”, a carga tributária e o real valorizado que atormentam as indústrias.
CLIMA QUENTE
Em Uberlândia a indústria da construção civil está aquecida com lançamentos de grande e médio porte. Neste ambiente positivo e animador é preciso torcer para que o Governo não desvie recursos do FGTS para financiar as obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas e assim falte dinheiro para a CEF financiar o comércio de imóveis.