Gustavo Hoffay – Agente Social
Sim, estou chegando àquela idade que denominam por “provecta”, enquanto trazendo na bagagem muitas e variadas experiencias que um ser humano consegue mover consigo. E isso, basicamente, quer dizer que já faço parte de um grupo que, ultimamente, vem crescendo vertiginosamente em nosso país e que já assusta tecnocratas e autoridades políticas que controlam – ou presumimos que controlam – as finanças do que hoje conhecemos por Instituto Nacional do Seguro Social (mas que também já foi conhecido por IAPAS e IAPI), em função do gerenciamento e pagamento de benefícios previdenciários diversos e quais, até o final de 2.026, deverão alcançar a bagatela de R$ 1,11 trilhão e o que reflete o crescente número de aposentadorias e benefícios assistenciais concedidos por aquela autarquia. Dane-se, quero o que é meu por direito; assim penso e da maneira que milhões de outros beneficiários e cujo numero já chega perto de 40 milhões- considerando que apenas as aposentadorias já representam cerca de 25,1 milhões dos benefícios concedidos pelo governo federal! Posso afirmar que os últimos dez anos têm sido de completa felicidade para mim e uma outra pessoa, com quem divido a mesma cama por quase 40 anos: a minha esposa Eliane e a quem carinhosamente chamo por “Laninha”, “Lee” ou “Muquinha”, dependendo da ocasião e das circunstâncias…..vocês entendem! Durante toda a minha vida ( principalmente nas mineiras Belo Horizonte , Gouveia e Diamantina) posso garantir que foram muitas e profundas as alegrias vividas, mas também uma variedade de desagradáveis momentos e quase morte que experimentei. Mas o que trago em minha memória (e ali prevalece) é o que fiz e senti de melhor e o que , por conseguinte, concedeu-me a graça de não conservar mágoa alguma do passado, muito embora alguns poucos arrependimentos eu ainda traga em minha bagagem e por ter sido o sujeito de decisões que, infelizmente, não aliviaram sequer um pouco a minha carga. Mas tudo bem, a Terceira Idade é a do descanso mas não de prostração e visto que, para muitos ou mesmo para a maioria dos “velhinhos e velhinhas”, há muito ainda o que fazer; uma multidão de pequenos serviços a prestar e em vista de existirem milhões de mãos estendidas, tantos corações clamando por amor e tantos sofrimentos a serem acalentados e o que, aliás, procurei amenizar ao menos um pouco e de acordo com a minha capacidade para tal, em ocasiões que prestei serviços voluntários em um grande hospital e em duas fundações, todos na cidade Uberlândia(MG), onde por anos ouvi e fui ouvido, consolei e fui consolado. Cheguei à idade da solidão, pronto! Agora ao meu redor sinto a falta de antigos amigos que já partiram rumo à eternidade e que não viram o quanto me tornei um velho crítico e ranzinza e distante dos filhos que partiram felizes rumo aos seus nobres objetivos ; o que vi e senti no passado está aos poucos se apagando e deixando apenas breves recordações. Mas penso, “cá com os meus botões” , que a solidão é até certo ponto salutar e traz a paz: tenho mais tempo para pensar, rememorar, ler, ouvir e refletir um tanto mais. O desapego por “isso” ou “aquilo” e que, antes, eu jamais imaginava poder sentir em minha vida, veio surgindo aos poucos e ao ponto de hoje sentir-me aliviado por ter me livrado de tanta traia que eu trazia amontoada, enrolada, amassada e espremida em gavetas e alguns cantos da minha casa. Simplifiquei a vida, saio e somente faço questão de encontrar-me com pessoas positivas; apenas sorrio ou dou gargalhadas se realmente acho graça em algo ou alguém, visto a roupa que desejo e independentemente de onde e quando me apresento e isso, entre outras coisas, faz-me sentir aliviado, em paz, confortável e feliz. Durante exatos trinta e sete anos residi em Uberlândia, onde casei e constitui uma linda família, enquanto trabalhava em grandes empresas e ao mesmo tempo aprimorava meus conhecimentos em algumas instituições de ensino. Mas chegou o momento de recolher-me junto com a minha esposa Eliane e partir em direção a outros destinos, respirar novos ares e conhecer outras pessoas tão boas quanto aquelas que conheci na Grande Udi e com quem tive a satisfação de cultivar uma saudável amizade. Hoje, residindo em uma cidade menor, onde a vida passa de maneira mais lenta e preguiçosa, sinto que a dita e afamada Terceira Idade não é a Melhor Idade, mas sim uma Bela Idade. E se hoje não posso fazer mais que poucas e pequenas coisas, lembro que para Deus nada é pequeno e o que faz com que eu me sinta ainda mais à vontade, principalmente junto das pessoas que mais amo nesta vida e por quem continuo entregando-me por inteiro.