Diógenes Pereira da Silva – Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva da PMMG
Diógenes Pereira da Silva – É Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG
A proibição das cotas raciais em Santa Catarina, justificada pela maioria branca da população, não é apenas frágil, é desonesta. Cotas não existem para refletir estatísticas raciais, mas para corrigir desigualdades históricas criadas e mantidas pelo próprio Estado brasileiro.
Imigrantes italianos, alemães e de outras origens europeias, ao chegarem ao Brasil, receberam terras, incentivo estatal e acesso à educação. Seus descendentes partiram de uma base material garantida. Aos negros recém-libertos, ao contrário, o Estado ofereceu o abandono: nenhuma terra, nenhuma escola, nenhuma política de inclusão. O destino foi a marginalização e, mais tarde, as favelas dos grandes centros.
Desigualdade não se mede por número, mas por acesso ao poder, renda e oportunidades. Ação afirmativa não cria privilégios; tenta reduzir uma desvantagem estrutural que atravessa séculos.
Causa espanto a resistência à ideia de reparação no Brasil. O Holocausto gerou indenizações às suas vítimas. Já a escravidão, crime fundacional do país, nunca produziu qualquer reparação efetiva aos negros. Negar cotas hoje é perpetuar essa omissão histórica sob o verniz de neutralidade.