Marília Alves Cunha – Educadora e escritora

“A última medida de um homem não é onde ele se posiciona em momentos de conforto e conveniências, mas onde ele se posiciona em momentos de desafios e controvérsia.” (Martin Luther King)

É um menino, tem apenas 29 anos. Seu nome é Níkolas. Mineiro, minha gente, daqueles que dizem “come quieto”, vive aprontando alguma, desconfia sempre e promete pouco. Mas, no geral, cumpre o que promete. Como sempre afirmo, mineiro é a coisa melhor do mundo e, puxando a sardinha pra minha lata, gente danada de boa e inteligente. Até os que não são aqui nascidos, mas aportaram um dia para ficar, passado um tempo acabam pegando a doença da mineiridade, se tornam…

Pois é, o mineiro Níkolas saiu um dia de Paracatu e disse que ia andar até Brasília- o centro do poder. Muito longe, 250 Km de percurso. O movimento do menino tinha causa, rezava ele, poderia ter efeito. Iria caminhar em nome da Liberdade e da Justiça, estas entidades sagradas que aos poucos desapareciam diante de nossos olhos. Era preciso andar e neste andar, talvez encontrasse acolhimento no coração de pessoas que também sentiam um Brasil tolhido e adormecido. Era preciso acordar!

E é necessário coragem para enfrentar este mundão de chão. Muitos dias, sem nada planejado adredemente, sem saber ao certo o que seria esta caminhada. Uma coisa Níkolas sabia: estava inquieto, estava arrepiando atoa, tinha de ir em frente só ou acompanhado, ecoar sua voz e sua vontade de lutar pelo Brasil.

Começou sozinho, uma figura tímida na estrada longa, nos primeiros passos. Não teve medo, encheu-se de coragem. Não pensou em nada que não fosse o fim: chegar à capital. Atrair nem que fossem 50 ou pouco mais pessoas para soltar seu grito de liberdade. É agora ou nunca, pensava o menino. Já dormimos demais.

Era preciso ter coragem. Se fosse preciso enfrentaria sozinho os muitos quilômetros, se não viessem outros passos e outras vozes arranharia e até machucaria sua figura de líder, de menino mais votado, de guerreiro incansável, de mestre dos vídeos pontuais. Mas iria! Não aguentava mais aquele Brasil inerte, calado, temeroso, escondido. Não dava mais para ficar apenas olhando um Brasil que agonizava, diante da batuta dos que só querem explorá-lo e nem o fazem mais às escondidas, tão certos da impunidade. Pediu a Deus: “Coragem, eu preciso!” E Deus respondeu! Confiou na liderança de um jovem que só pedia coragem.

Aos poucos as pessoas foram chegando. Uma, duas 50, 100, até que uma multidão tomasse conta dos acostamentos. O campo vestiu-se de verde e amarelo e o silêncio das entranhas de Minas e Goiás abafou-se pelo som do povo, há tanto tempo engolido pelo jugo dos poderosos. “Acorda Brasil – Liberdade e justiça” – ecoou pelos ares com toda força. Emoções vieram à tona, rostos cansados, queimados de sol e assim mesmo sorrindo, corpos às vezes levados de arrasto, pés em chamas e acima disto tudo uma missão a cumprir, com ordem, união, emoções à solta, solidariedade e um mar de amor envolvendo tudo, amor ao Brasil! Sonhar, como é bom! Mais do que simplesmente sonhar, fazer alguma coisa, lutar contra o jugo de déspotas que surgiram, absolutos e arbitrários, teimando em dominar até mesmo as mentes de um povo afeito à alegria,à liberdade e esperança.

A coragem venceu, a luta foi grandiosa! Brasília foi o ponto de encontro de milhares de brasileiros, chegados de cada canto do país para celebrar uma nova atitude, isenta de medo, munida apenas da vontade férrea de não mais cruzar os braços quando o Brasil precisar, quando a pátria pedir para não ser arruinada, implorar para não ser sacrificada. Vamos defender com fé, união e de modo pacífico a nossa terra maravilhosa, Brasil!

Pois é, minha gente! Foi apenas sobre isto: CORAGEM!