Marília Alves Cunha-Educadora e escritora
Muito se fala em igualdade social, eliminação das crescentes desigualdades, justiça social. Realmente, são problemas a serem olhados de frente, tratados com seriedade, pois as desigualdades existem, profundas, dividindo as pessoas em castas, um pequeno número de privilegiados e uma multidão de eternos dependentes do poder público.
Quando vejo a quantidade de programas assistencialistas existentes no Brasil, não fico nada orgulhosa ou achando que o país vai dar certo. Muito pelo contrário, fico preocupada pois, vejo nestes programas que eram para ser transitórios, uma continuidade e um aumento significativo. Mostram que muitas e muitas pessoas não conseguem ou não querem abrir mão das benesses destes programas, preferem continuar eternos coitados, sem condições de cidadania, dependentes de governos que alimentam esta acomodação. Principalmente em tempos pré-eleitorais…
O que adianta um governo distribuir isto e aquilo, dádivas que atendem primariamente a pessoas e famílias e não ter um projeto de desenvolvimento para o país? O que adianta beneficiar um aqui, outro ali e não oferecer nada de seguro, firme, altruísta, para que milhões de pessoas possam viver dignamente, como verdadeiros cidadãos, tecendo o seu futuro e orgulhando-se da sua capacidade de trabalhar para o seu sustento e para o progresso do seu país?
O que seria um enorme passo para começar um Brasil diferente, um país onde todos teriam oportunidade de alçar melhores condições de vida, um país que se orgulharia de si mesmo ao verem os jovens empenhados em lutar pelo seu futuro? Um país que oferecesse educação de verdade e não essa sensação ilusória de que estamos fazendo, estamos educando, estamos abrindo universidades, estamos abrindo escolas. Não importa a espécie, não importam as falhas, não importa que os aprendizes aprendam e modifiquem-se para melhor, não importa que a educação integral e verdadeira fique bem distante daquele ideal que norteia os grandes educadores. Não importa! O projeto demagógico e militante de educação é o pior desastre que pode acontecer ao Brasil. E está acontecendo…
Como considero a educação valiosíssima para que o nosso país torne-se importante e tenha presença no concerto das nações, constantemente assaltam-me preocupações profundas com relação ao futuro deste nosso Brasil. Até quando a deixaremos de lado, como se fosse uma peça sem grande importância nesta complicada estrutura social? Até quando vamos teimar em esquecer que a educação existe e elas tem que ser para todos e de qualidade, para que realmente possamos um dia sonhar com justiça social?
Meu Deus, que país é este no qual o povo só tem a preocupar-se com corrupção, que atinge todos os níveis do poder? Que país é e este onde se blindam com liberdades bandidos perigosos, prende-se ou exila-se pessoas pelo simples fato de pensar e expor ideias? Por que tanta falta de transparência, quando um sigilo profundo, máximo, grande, esconde do povo verdades que não podem saber? Para onde estamos indo, que lugar sombrio e triste é este no qual o povo perde acintosamente a soberania sagrada, inscrita na nossa Constituição e uma população de mais de 200 milhões de almas desmantela-se ante o altar dos poderosos?
Isto chama-se falta de educação! As pessoas que ocupam hoje o poder, lugares de significativa importância e que têm decidido sumariamente o nosso destino não têm educação. Frequentaram escolas, e daí? Alguns nem frequentaram e orgulham-se disto! Viraram as costas à educação, jamais se lembrarão de professores ganhando mal e cada vez mais despreparados, nunca voltarão os olhos ao redor, para analisar a situação caquética de muitas de nossas escolas, principalmente no interior do Brasil. Estão cada vez mais obstinados em olhar para seus próprios umbigos, em serem os herdeiros desta terra, em fazer bonito para os medíocres que continuam acreditando e apoiando os atos de deslealdade cometidos contra o Brasil!
Se o povo brasileiro não lutar, acreditar nas suas próprias forças e se indignar contra os absurdos que têm acontecido em nosso país, agora quase que às claras, Inês é morta. Será muito difícil extrair o Brasil da tumba que nós ajudamos a construir e cerrar, com o nosso desinteresse e espírito de aceitação…