José Castrode Martellli – Advogado e professor – Espirto Santo do Pinhal – SP
Lá pelo idos de 1959, quando eu cursava o 1º ano de Direito, na famosa Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, havia um professor de Direito Civil, Washington de Barros Monteiro, em cujas aulas, vez ou outra usava o termo ”ouprouver”.
Antes de prosseguir, é preciso que se diga que era um tempo em que os alunos usavam gravata e paletó, sem o que não lhes era permitido assistirem as aulas. Por outro lado, os professores, na sua maioria catedráticos, ministravam suas aulas, usando beca. Portanto o respeito grassava nas aulas e quando algum aluno se dirigia aos mestres, o fazia chamando-o por excelência.
Eu sabia que a palavra correta que sua excelência queria usar era “aprouver” mas ele, sem ser corrigido, continuava com o seu “ouprover”.
Enchendo-me de coragem, no final de uma aula, com todo respeito que o caso requeria, dirigi-me ao Mestre da seguinte forma: Perdoe-me Excelência, mas V. Exa. usa um termo em suas aulas que eu não entendi e não encontrei nos dicionários. Qual é o termo? Obtemperou, convidando-me, a seguir, para irmos à Biblioteca que ficava naquele mesmo andar.
Não preciso dizer que não encontrou o termo e eu, com todo cuidado perguntei-lhe: – Não seria “aprouver”? Também não preciso dizer que ele encontrou.
Despedimo-nos e ele agradeceu sem maiores comentários.
Pois bem. Na aula seguinte que tivemos com ele, a primeira coisa que fez foi dirigir-se aos alunos e dizer que ele usava um termo erradamente e nunca algum amigo tivera a gentileza de corrigi-lo. Não citou meu nome, mas disse que um aluno/amigo o fez, se não, continuaria a cometer o mesmo erro, sabe-se lá até quando. Disse ainda que era bem possível que alguns até fizessem chacotas às sua costas. E concluiu: – nunca se esqueçam, os que nos corrigem são amigos, os que apenas nos criticam não o são.
Agora que mais de meio século é passado, nunca me esqueci dessa lição.
Sou corrigido e às vezes corrijo, mas sempre tenho em mente aquela grande lição.
Pois é. Por que me recordei desse fato? Porque o Presidente Lula, embora seja inegavelmente um auto didata, vem cometendo recorrentemente um erro no uso dos pronomes demonstrativos este, esta, isto, e vai por aí afora.
Das duas, uma. Ou ninguém tem amizade para corrigi-lo ou desconhecem o uso do demonstrativo e transcrevem erradamente o que ele, erradamente, diz.
Lembrei-me até da forma que eu ensinava esse uso, quando ministrei aulas de língua portuguesa a alunos de diversas faculdades.
Eu dizia: -quando você está dentro da coisa, quando a coisa está dentro de você, quando você está tocando na coisa ou a coisa está tocando em você o uso correto é este, esta ou isto.
Os alunos quase sempre jovens e maliciosas viam aí, uma conotação sexual e nunca se esqueciam.
O uso dos demais demonstrativos vêm por exclusão.
Voltando ao Presidente Lula. Dia destes (estamos dentro dos dias) ele falou: Não é possível que ESSE país possa por mais tempo conviver com a fome.
Não é ESSE Presidente. É ESTE. O Senhor está dentro do país.
Espero que alguém leve ao Presidente Lula, esta (a lição está aqui, estamos dentro dela) singela lição de um sincero amigo.
E que ESSES conselhos sirvam também para AQUELES que têm as mesmas dúvidas .