Ana Maria Coelho Carvalho*

Teoricamente, as lágrimas são formadas por líquido composto de água, sais minerais, proteínas e gordura, sendo produzidas pelas glândulas lacrimais para lubrificar e limpar os olhos. Mas as lágrimas são muito mais que isso.
Existem lágrimas de arrependimento, lágrimas de dor, lágrimas de saudade, lágrimas de alegria, lágrimas de indignação, lágrimas de amor. Lágrimas de crocodilo, as falsas. Até lágrimas artificiais, que são colírios lubrificantes para tratar a secura dos olhos. Lágrimas fingidas, produzidas, como as das artistas da TV (será que pingam colírio?). Lágrimas espontâneas e sinceras demais, que brotam em cachoeira, como no rostinho das crianças. Lágrimas quentes e silenciosas, ardentes de dor, como no rosto dos velhinhos. Lágrimas de diamante: “à noite, lágrimas de diamante; de dia, lágrimas; à noite, amantes”. Lágrimas negras, como na música de Caetano Veloso: ”lágrimas negras caem, saem, doem, são como pedras de moinho que moem, roem, moem”. Lágrimas do tempo, como escreveu Vinícius de Moraes: ”com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia, eu fiz o cimento da minha poesia.”
O mais interessante, porém, é que as mulheres choram mais e muito mais facilmente que os homem . Dizem até que homem que é homem não chora, mas não é verdade. Os cientistas acreditam que as lágrimas representam um mecanismo desenvolvido com a evolução da espécie e que contribuem para a sua preservação, sendo uma forma de proteção da mulher, mais frágil fisicamente. Um estudo sobre isso foi publicado há tempos na revista “Science” . Cientistas colocaram cinco mulheres para assistir ao filme “O Campeão”, que conta a história de um pai amoroso prestes a perder a guarda do filho. As mulheres caíram em pranto e as lágrimas foram recolhidas. Em outra sala, estavam dezenas de homens, que não viram as mulheres chorando, para não serem influenciados por suas caras de choro. Eles cheiraram pequenos pedaços de papel molhados com as lágrimas das mulheres. A partir daí, a concentração do hormônio testosterona dos homens caiu 15%, ou seja, ficaram menos machões (assim, chorar é golpe baixo). Continuando o experimento, os homens assistiram ao filme erótico “Nove e meia semanas de amor” e ficaram bem menos excitados do que um outro grupo que não tinha cheirado as lágrimas. Os cientistas concluíram que as lágrimas femininas liberam substâncias químicas que abaixam, na hora, o nível de testosterona do homem que estiver por perto. Além de deixá-lo menos agressivo, o fato de ver uma mulher em prantos faz o homem perder a vontade de fazer sexo com ela, para primeiro saber o que está acontecendo.
A pesquisa gerou várias outras perguntas, como “o choro masculino também comunica alguma coisa?” Os cientistas acharam difícil responder a isso, pois levariam anos para conseguir as lágrimas masculinas necessárias. Dai, pensei em sugerir o nome do meu filho como cobaia, um marmanjão de mais de 40 anos que cai em prantos facilmente (mas é cabra macho). Sempre chora quando lê os meus textos, mesmo os mais engraçados. Também chora em alguns filmes, como em “Comer, Rezar, Amar”. Não gostou do filme, mas as lágrimas desceram copiosas quando o pai, o namorado brasileiro da personagem, se despediu do filho que partia para longe. Deve ter sido o único a chorar durante o filme.
Enfim, se conseguirem isolar das lágrimas femininas as substâncias químicas que influenciam os homens, pode ser que no futuro existam produtos como spray anti-agressividade masculina, quem sabe.

*Bióloga – anacoelhocarvalho@terra.com.br

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