Ana maria Coelho Carvalho*

Sinto tristeza ao olhar algumas ruas de Uberlândia. Não existem árvores nas calçadas. Por exemplo, na Duque de Caxias, entre a Av. Rondon Pacheco e o centro, existe apenas uma ou outra árvore, que tentam sobreviver ás inúmeras podas que sofrem. Basta ficarem um pouco frondosas para cortarem todos os seus galhos, deixando só os troncos, sem verde e sem beleza.

No entanto, como cada moeda tem dois lados, existem pessoas que defendem o plantio de árvores nas calçadas e outros que são contra. Em defesa das árvores, podem ser levantados vários argumentos, como: elas dão sombra, flores, frutos e embelezam as ruas. O verde descansa e acalma. As árvores são o ornamento da Terra. O planeta está cada vez mais quente e elas são importantes para diminuir esta temperatura, melhorando as condições microclimáticas da cidade. Servem de abrigo e de alimentação para vários animais, contribuindo para a biodiversidade e para o equilíbrio das cadeias alimentares. Diminuem a poluição atmosférica, pois o vapor dágua eliminado na transpiração das plantas se mistura com poeira e gases tóxicos e se precipita no chão. Auxiliam no controle da poluição sonora porque o som, ao bater nas folhas, é parcialmente absorvido ou desviado. Diminuem a poluição visual: é muito mais agradável olhar uma árvore do que vários cartazes. Purificam o ar ao absorver o gás carbônico e liberar oxigênio. Embelezam a cidade e diminuem o stress das pessoas, pois é sempre bom contemplar o belo. Reduzem a velocidade do vento. Retêm a umidade do solo e diminuem a erosão, com suas raízes. Além disso, conferem identidade particular às residências, por exemplo: “moro na casa com uma quaresmeira roxa na frente”.

Por outro lado, os que são contrário ao plantio de árvores na calçada, possuem argumentos como: estragam o passeio e a rede de esgoto com as raízes. Danificam a rede elétrica. As folhas entopem as calhas nos telhados. É trabalhoso varrer as folhas que caem. Há vizinhos que não gostam de árvores e surgem atritos na vizinhança. Prejudicam a iluminação da rua, escondendo as lâmpadas. Servem de esconderijo para pessoas estranhas. Algumas causam alergias.

Mas, parodiando Vinícius de Morais, que dizia: “as feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”, digo que “os que são contrários às árvores que me perdoem, mas as árvores são fundamentais”. Além de tudo, o plantio de árvores adequadas para calçadas elimina praticamente todos os problemas levantados. Por exemplo, para calçadas estreitas, árvores de pequeno porte como murta, flamboyant -mirim e manacá de jardim, são bastante indicadas. Para calçadas largas e sem fiação elétrica, a quaresmeira, o ipê amarelo, a unha de vaca, o cacho de ouro. Outras indicações são as árvores de crescimento moderado, sem raízes volumosas e sem flores muito grandes, que ao cair poderiam deixar o chão escorregadio.

Concluindo, árvore é tudo de bom. Plante uma no jardim, no quintal, na escola, na calçada, no terreno baldio. A natureza e a cidade agradecem. E os seus filhos, netos e bisnetos também, assim como as aves e muitos outros animais. Faça a sua parte. Eu já plantei 29 no meu bairro, há anos atrás, depois de um árduo trabalho para convencer a vizinhança. Hoje, uma das minhas alegrias é caminhar passando debaixo del

*Bióloga – anacoelhocarvalho@terra.com.br

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