Rafael Moia Filho*

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A dificuldade não está nas novas ideias, mas sim em escapar as antigas.

John Maynard Keynes

O Brasil sempre teve dificuldade em ter no seu comando lideres visionários, estadistas que enxerguem além do Lago Paranoá no Distrito Federal, ou que ainda, sejam determinados a promover a igualdade com liberdade, desenvolvimento e muito investimento em Educação.

Se voltarmos no tempo perceberemos que nossa frágil democracia sempre prescindiu de um líder com estofo moral para deixar de lado apoios partidários, convenções imorais de segmentos sectários em favor do povo brasileiro. Alguns avanços tímidos em uma ou outra gestão e nada mais que possamos comemorar desde que a proclamação da nossa República em 1889.

Sem contar que neste período de cento e trinta anos, perdemos muito com ditaduras, intervenções militares, golpes e gestões medíocres que atrasaram sobremaneira o país.

Hoje, em pleno decorrer do século XXI, no Brasil nossos governantes estão preocupados com identidade de gênero, ideologia, filmar alunos cantando o hino nacional ou bizarrices como golden shower. Enquanto os países desenvolvidos estão com o foco voltado para discutir e ensinar seus jovens sobre inteligência artificial, machine learning, big data.

Nosso atraso não está ligado à gestão deste ou daquele partido como querem nos fazer engolir o atual governo, nosso atraso político, econômico e educacional está ligado a nossa classe política e dominante desde o descobrimento em 1500. A troca dos espelhinhos feita pelos portugueses com nossos índios era um sinal claro de que nossa pátria seria moldada em propinas, corrupção e atraso cultural e cientifico por séculos.

Há muito tempo precisamos de governantes que promovam a discussão de uma revolução no nosso sistema educacional, diante de uma população que tem quase 70% de analfabetos funcionais e precisa dar um basta nesta situação de calamidade. Nossa juventude não pode acreditar que sem estudo e dedicação máxima conseguirá alcançar algo além de salários mínimos em funções operacionais.

O país precisa ditar as estratégias para o futuro da educação, planejando suas necessidades de acordo com a direção assumida pelo governo. A tecnologia não vai cair do céu, será preciso muito investimento em nossa Educação, nosso parque industrial, gerando com isso um crescimento sustentável calcado em educação eficiente, profissionais altamente capacitados dentro de um ambiente de evolução tecnológica.

Nos EUA jovens estão estudando Business, Management e Tecnologia em suas universidades de ponta. Aqui nossos jovens cursam humanas, sem noção alguma da importância daquele curso para seu futuro numa Uniskina qualquer. Os cursos superiores foram amplamente criados sem critérios de qualidade e completamente fora de um planejamento estratégico do governo.

Precisamos de cursos que gerem valor agregado a nossa economia, cursos devidamente aprovados pelo MEC, com critérios mais rígidos. Assim, em alguns anos poderemos deixar de fabricar tantos profissionais de Direito, Psicologia, Administração, Marketing, Sociologia que são subempregados em funções aquém daquilo que estudaram.

A China, Finlândia, EUA, Alemanha, Noruega, e tantas outras nações estão muito adiantadas em relação a nossa sociedade, em boa parte por culpa de nossos medíocres gestores, que na verdade são políticos de quinta categoria travestidos de gestores públicos a serviço de empreiteiros, banqueiros e demais empresários interessados apenas sem seu lucro e crescimento pessoal.

É preciso urgentemente uma revolução na educação brasileira, uma reciclagem completa do conteúdo programático e da capacitação dos nossos professores. Precisamos atualizar o ensino e modernizá-lo se quisermos deixar de ser uma nação de postadores de idiotices em Facebook para entrarmos no mundo competitivo que está a nossa frente cerca de cem anos.

*Escritor, Blogger e Gestor Público.

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