Antônio Pereira da Silva*

Dona Mirtô Bernardes Ferreira, mulher de muitas artes, ganhou de seu pai, Prudente Afonso Bernardes, uma viagem ao Rio de Janeiro para aprimorar-se. O prêmio foi em razão de sua magnífica apresentação numa festa do Praia Clube, cantando Danúbio Azul, do Strauss.

As primeiras escolas, tanto de canto quanto de pintura, não lhe agradaram, principalmente na parte plástica. Resolveu continuar com seu autodidatismo. Comprou livros, materiais e foi pintar a seu livre criar. Cantou em programas de calouros e conheceu pintores famosos no Instituto Nacional de Desenho. Alguns anos depois, veio embora. Casou-se com o Flamarion Ferreira, campeão de nado borboleta, mineiro e nacional. Seu treinador era o grande criador de campeões Mário Godoy.

                Sua primeira exposição em Uberlândia foi patrocinada pelo Correio de Uberlândia com apoio valoroso do dr. Jacy de Assis.

                Durante esta exposição, estiveram aqui dois pintores famosos de Ribeirão Preto, o Canova e o Budai. Vieram selecionar meninos do Colégio Estadual para uma exposição de desenhos. Sua irmã, Maria, foi selecionada, mas não sabia desenhar. Pediu-lhe um desenho para mostrar. Mirtô fez o apanhado de um jardim e a Maria levou. O professor Eurico Silva não gostou e deixou o desenho de lado. A comissão, ao contrário, gostou, aprovou e premiou-o, só que não era da Maria.

                Dona Mirtô residiu algum tempo em Goiânia onde também se apresentou em vários recitais. Dom Cândido, bispo de Goiás, ofereceu-lhe uma bolsa em Milão. Lá moraria num convento em frente ao Scala e tomaria aulas no próprio Teatro, mas a cantora estava noiva, quase na hora do casamento e declinou da bela oportunidade.

                Depois de casada, viajou para a Venezuela com o marido que foi trabalhar num organismo internacional. De lá, rodou pela América do Sul, participando de várias exposições gravuristas; para algumas levava trabalhos de artistas mineiros principalmente os da Escola Guignard. De volta da Venezuela, dona Mirtô entrou para a escola Guignard. Fez um curso de gravura. Estudou litogravura, xilo, monotipia, tudo a respeito de gravura. Começou a expor internacionalmente, Valparaíso (Chile), México, Porto Rico, Europa.

É filiada à Adog, com sede em Vignon. A Adog promove o Miniprint, exposição internacional de gravura. A primeira participação de d. Mirtô no Miniprint foi em Barcelona.

                A partir daí, tornou-se uma expositora internacional enviando todos os anos peças de 10×10 para o Miniprint que promove em torno de 600 artistas do mundo todo (Fonte: Mirtô Bernardes Ferreira).

*Jornalista e escritor

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