Ivan Santos*

As últimas campanhas eleitorais indicaram aos brasileiros uma mudança substancial na comunicação de massa que ainda precisa ser estudada com rigor por especialistas e observadores atentos. A televisão, que já foi considerada o principal veículo de comunicação informativa destinada às massas populares foi, no processo eleitoral passado, superada pelas redes sociais. O candidato eleito presidente da República, Jair Bolsonaro, concorreu por um partido nanico praticamente desconhecido, sem uma coligação expressiva e não teve tempo na televisão nem no rádio para se apresentar aos eleitores. Foi nas redes sociais que Bolsonaro, do insignificante PSL, se apresentou aos eleitores com uma linguagem aparentemente inexpressiva, desconexa, própria da comunicação popular atual: falar sem nada substancial afirmar. Até pouco tempo, os críticos dos programas de televisão diziam que eles só serviam para reeditar na atualidade a política romana do panem et circenses (pão e circo). A lição deixada pelas eleições passadas foi que o meio de comunicação de massa, com o velho modelo de “Debates na TV”, foi ignorado pela maioria da população nacional. As redes sociais ajudaram os eleitores a escolher um candidato que se apresentou sem programa definido e prometeu apenas usar a força do cargo para combater criminosos organizados e agir diferente dos políticos tradicionais, vistos pelo povão como corruptos ou ladrões. Para alguns observadores independentes, os veículos tradicionais representados por jornais impressos e televisão estão hoje com os dias contados. A maioria das pessoas, nos próximos anos, não deverá ler livros, jornais impressos nem se informar através de emissoras de rádio ou de televisão. Por algum tempo a comunicação recheada de noticiário falso deverá circular fortemente nas redes sociais até que outro modelo ocupe o espaço da comunicação de massa. O que precisamos ter agora é atenção para observar e meditar sobre as mudanças em curso. Para isto precisamos ter uma nova visão do conjunto social mundial e procurar entender as transformações radicais que ocorrem em nossa aldeia. O que nos faltou até agora foi a capacidade de entender o conjunto dos movimentos sociais que se formam na sociedade moderna (ecologistas, feministas, LGTB, defensores de minorias, criminosos organizados, politiqueiros etc.) que transformam a estrutura social tradicional. Os que se elegeram também terão que se adaptar aos novos tempos. Quem não se enquadrar à nova realidade será impiedosamente destruído pelos novos bárbaros.

*Jornalista

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