Ivan Santos*

Com a abertura da janela política na última quarta-feira, dia 7, para que os políticos com mandato possam mudar de partido sem risco de ser punido, muitos já vestiram fatiota nova e migraram para outra legenda. Alguns o fizeram em troca de muito dinheiro para financiar a reeleição neste ano. Não há fidelidade partidária nem atenção à filosofia política. O que vale para a maioria dos mutantes é a vantagem pessoal e os acordos regionais que lhes facilitem a reeleição. Não sobram espaços para renovação no Congresso que, após às eleições, continuará com a mesma feição e com os mesmos atores acostumados às negociações para que possam levar vantagem em tudo. A legislação eleitoral diz que só é possível mudar de partido sem risco de perder o mandato quando houver incorporação ou fusão do partido; criação de novo partido; desvio no programa partidário ou grave discriminação pessoal. Mas, em 2015, o Congresso incorporou a possibilidade de desfiliação sem justificativa, durante uma “janela política” aberta no ano da eleição. Esta janela vai continuar escancarada até o dia 7 de abril. Até lá quem quiser mudar de partido poderá fazê-lo sem medo de ser feliz. Depois de 7 de abril tudo vai continuar no teatro político como sempre foi, sem nada tirar ou por. Ainda em abril os partidos começarão a costurar acordos e composições para formar coligações para eleger um presidente da República, dois senadores em cada Estado, governadores, deputados federais e estaduais em todas as unidades da Federação. Tudo como dantes na Terra de Santa Cruz. Apenas algumas mudanças na propaganda eleitoral que, para alguns partidos e candidatos se dividirá entre os tradicionais veículos de comunicação de massa (rádio e televisão) me redes sociais na internet. As propostas fáceis e mentirosas dos candidatos do passado continuarão no formato de “fakes news” (informações falsas) nas redes sociais. É bom que os políticos atentem para uma realidade: a troca de legendas durante a janela, contudo, não altera a distribuição do dinheiro do Fundo Partidário, nem o tempo de propaganda nas rádios e TVs de cada legenda. Depois da janela, esperemos pelo dilúvio.

*Jornalista

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