Ivan Santos*

Muita gente boa não sabe, mas é o povão pobre que vai pagar o custeio da campanha eleitoral deste ano. O Fundo criado em outubro do ano passado por deputados e senadores para financiar as eleições deste ano foi orçado em R$ 1,750 bilhão e será abastecido com dinheiro do povo administrado pelo Governo Federal. É uma soma enorme. Como dinheiro não cai de árvore nem do céu e o governo hoje arrecada menos impostos, taxas e contribuições porque a economia ainda está cambaleante, o dinheiro para financiar as eleições vai sair de programas sociais que beneficiam o povão como saúde, educação e segurança. Também vai faltar dinheiro para financiar casas populares. Como estes programas já caminham com deficiência de recursos, com certeza vão ficar em pior situação neste ano eleitoral. Segundo publicou hoje o jornal “O Estado de São Paulo”, só da Educação e da Saúde o governo vai tirar R$ 472,3 milhões para o Fundo Eleitoral. A Saúde vai ser a mais prejudicada porque ficará com menos R$ 350 milhões do orçamento original deste ano. Para moralizar o processo eleitoral no Brasil a Justiça Eleitoral proibiu o financiamento de campanhas eleitorais com dinheiro fornecido por empresas privadas. Então, para este fim, os parlamentares aprovaram um Fundo com recursos do Tesouro Público para as despesas de propaganda eleitoral. Alguém, com cinismo máximo, já disse que este é o custo da democracia e precisa ser bancado pelo povo. Custo bancado pelo povo pobre que precisa dos serviços sociais, principalmente os de saúde, educação e segurança. Só da segurança pública o governo vai sacar R$ 828 milhões para repassar esse dinheiro aos partidos políticos no ano eleitoral. As Universidades públicas federais que andam a penar com a falta de recursos repassados pelo Governo, podem se preparar para atravessar esse ano com menos recursos do que no ano passado. E o povão sofredor, castigado nas planícies, espera por milagres de São Longuinho.

*Jornalista

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