Tempo de Natal

Ana Maria Coelho Carvalho – Bióloga

É Natal mais uma vez. É tempo de sonhar com um mundo melhor, de agradecer. Tempo de união entre as famílias, de reflexão, de ajudarmos o próximo. Tempo de aprender a amar, a perdoar, a escutar, a entender. De lembrar da mensagem que Cristo nos deixou e que chama os homens ao amor: “amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”.

E, de acordo com Eduardo Galeano, escritor uruguaio, é preciso mirar os olhos para além da infâmia e sonhar com outro mundo possível. Onde ninguém viverá para trabalhar, mas todos trabalharão para viver. Onde a TV deixará de ser o núcleo mais importante da família, para ser igual a uma máquina qualquer. Onde os cozinheiros não acreditarão que as lagostas gostam de ser servidas vivas. Onde a comida não será um privilégio, mas um direito humano. Onde todos amarão e respeitarão a natureza da qual fazem parte. E onde a educação não será um privilégio de quem pode pagar por ela. O Natal é um bom tempo para pensar sobre isso…

É também tempo de sonhar com um mundo onde todos saibam agradecer a Deus por tudo que Ele nos dá: pelo ar, pelo sol, pelas estrelas, pelo pão, pela paz, pelas crianças, pelas flores. Ou, como na prece de Emmanuel, agradecer pelos ouvidos, que ouvem o tamborilar da chuva no telhado, a melodia do vento nos ramos das árvores, a dor e as lágrimas que escorrem no rosto do mundo inteiro, a música do povo que desce do morro. Agradecer pelas mãos que criam, que semeiam, que agasalham. Mãos de caridade, de solidariedade, mãos que apertam mãos. Mãos de poesia, de cirurgias, de sinfonias, mãos que, numa noite fria, lavam louça numa pia.

Tempo de orar pelas famílias, como na canção do Pe. Zezinho: “que marido e mulher tenham força de amar sem medida; que ninguém vá dormir sem pedir ou sem dar seu perdão; que as crianças aprendam no colo o sentido da vida.” Que exista entre os casais uma nova forma de amar, ou seja, a aproximação de dois inteiros e não a união de duas metades, pois o amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Que cada casal tenha sabedoria para envelhecer juntos, sentindo-se abençoados pelos cabelos grisalhos e por terem os risos e as dores da juventude gravados em rugas na face.

Tempo de refletir sobre o nosso papel aqui na Terra. Entender que podemos ser um oásis de paz no meio das guerras que muitas pessoas vivem. Que podemos ser, hoje, pessoas melhores do que fomos ontem. Entender também que cada um tem seu caminho, sua sorte e seu próprio meio de criar a sua história. E que ao longo desse caminho, como disse Dom Helder Câmara, ” que Jesus nos empreste as suas sandálias, para caminharmos de encontro a Ele; o seu cálice, para quando estivermos sedentos de um mundo melhor e de uma sociedade mais justa; a sua túnica, para que a possamos repartir e dividir com o próximo; o seu perdão, para que, pecado após pecado, possamos sempre voltar ao Pai.”

E, quando estivermos perdidos na nossa caminhada, que possamos nos lembrar da poesia de Fernando Pessoa: “se achar que precisa voltar, volte. Se perceber que precisa seguir, siga. Se estiver tudo errado, comece novamente. Se estiver tudo certo, continue. Se sentir saudades, mate-a. Se perder um amor, não se perca. Se o achar, segure-o. Circunda-se de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada.”

Enfim, é tempo de Natal. Como escreveu Vinícius de Morais, um tempo de falar baixo, pisar leve, ver a noite dormir em silêncio; não há muito o que dizer, talvez um verso de amor ou uma prece.

Feliz aniversário, Menino Jesus! Feliz Natal para todos!

Segurança pública falida

Diógenes Pereira da Silva*

A Crise da Segurança Pública e o Colapso do Estado Brasileiro

As recentes operações policiais no Rio de Janeiro, que resultaram em centenas de mortes, são apenas uma amostra do colapso estrutural da segurança pública no Brasil. O que se vê não é apenas violência, mas a comprovação da incompetência estatal acumulada ao longo de décadas.

Os criminosos não temem a polícia, tampouco a Justiça. Quando o sistema judiciário se mostra leniente, ele se transforma, involuntariamente, no sustentáculo do crime organizado. A ausência de punições exemplares e a morosidade processual criam um ambiente de impunidade que encoraja o banditismo.

Faltam políticas públicas sérias e permanentes voltadas à segurança. A conivência — muitas vezes nascida de decisões equivocadas de autoridades — aliada à benevolência judicial e à fragilidade do sistema prisional, fomenta a expansão das facções e o aumento da violência.

Enquanto o Estado não se reorganizar de forma ampla, com um Legislativo que produza leis severas e eficazes, um Judiciário comprometido em fazer cumprir as penas e um sistema penitenciário que mantenha os criminosos afastados das ruas, não haverá solução. Uma polícia bem treinada, equipada e valorizada é essencial, mas não pode atuar sozinha diante de uma estrutura legal e institucional falida.

Enquanto o Estado se mostra desorganizado, o crime se organiza. Essa é a dura realidade de um país que, por omissão e incoerência, falha em oferecer ao cidadão de bem o mínimo: segurança e justiça. É uma verdade que incomoda — mas que precisa ser dita, doa a quem doer.

*Diógenes Pereira da Silva
Tenente QOR – PMMG

As drogas e suas mazelas sociais

Diógenes Pereira da Silva – Tenente do Quadro de Oficias da Reserva Remunerada da PMMG

Cracolândia

No cenário brasileiro contemporâneo, verifica-se um aumento progressivo no número de indivíduos em situação de dependência química, configurando um fenômeno que envolve fatores biomédicos, socioeconômicos e territoriais. A chamada Cracolândia, situada historicamente no centro de São Paulo, representa um caso emblemático de concentração urbana de vulnerabilidades, caracterizada pela interação entre uso problemático de substâncias psicoativas, exclusão social e insuficiência de políticas intersetoriais.

Declarações recentes de autoridades municipais apontam para a suposta “extinção” do fluxo de usuários, restando apenas um grupo reduzido de indivíduos. Essa narrativa, contudo, suscita questionamentos à luz de conceitos amplamente discutidos no campo das políticas públicas.

Nesse sentido, é pertinente indagar qual foi o destino real das centenas de usuários que tradicionalmente ocupavam aquela área. Teriam sido integrados a estratégias baseadas em redução de danos, que priorizam o cuidado continuado e a preservação de vínculos sociais? Foram incorporados a programas de acolhimento institucional, que buscam oferecer suporte habitacional e acompanhamento psicossocial? Ou, de forma coerente com práticas recorrentes de higienização urbana, teriam sido apenas deslocados para regiões periféricas, fenômeno descrito pela literatura especializada como dispersão territorial induzida, no qual o problema é apenas deslocado espacialmente, sem que haja redução efetiva dos agravos?

Além disso, a análise técnico-científica demanda considerar a possibilidade de mortalidade associada a agravos decorrentes do uso de substâncias, bem como os impactos da ausência de políticas continuadas de reinserção social, que são reconhecidas como essenciais para romper ciclos de uso compulsivo, reincidência e vulnerabilidade.

A avaliação desse contexto exige, portanto, o emprego de abordagens metodológicas robustas, baseadas em epidemiologia social, análise territorial, indicadores de saúde pública, estudos sobre populações em situação de rua e monitoramento das políticas de drogas. Somente a partir de dados consistentes e da integração de ações intersetoriais, saúde, assistência social, habitação, trabalho e segurança, é possível mensurar se houve redução real do fenômeno ou apenas uma mudança de sua visibilidade espacial.

O verdadeiro Natal

Diógenes Pereira da Silva – Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva remunerada da PMMG

O Natal se aproxima e, com ele, somos chamados à reflexão sobre o verdadeiro sentido dessa data sagrada. Natal não se resume a confraternizações, mesas fartas ou encontros familiares. Natal é, acima de tudo, viver em comunhão com o Espírito Santo e praticar, no cotidiano, os ensinamentos deixados por Jesus Cristo.

Para milhões de brasileiros, porém, a esperança parece cada vez mais distante. Enquanto alguns celebram diante da abundância, muitos sequer sabem se haverá pão no dia seguinte. Crianças adormecem com fome, famílias sobrevivem à margem, invisíveis aos olhos de uma sociedade que, aos poucos, aprendeu a conviver com a desigualdade como se ela fosse algo natural e inevitável.

Jesus nasceu pobre, em uma manjedoura, e sua vida foi marcada pela convivência com os excluídos, os marginalizados e os esquecidos. Caminhou entre os que choravam, acolheu os rejeitados e ensinou, com palavras e gestos, que toda vida tem valor. Quando nos afastamos desse ensinamento, abrimos espaço para o abandono, para a dor e para a violência que hoje assola nossas cidades.

A pobreza e a marginalização não são apenas feridas sociais; transformam-se em combustível para a violência cotidiana que ceifa vidas, destrói famílias e espalha medo. A desigualdade sustenta a violência urbana, pois onde falta dignidade, sobra desespero. Onde o Estado falha, a injustiça se instala e a paz se torna refém.

Celebrar o Natal sem olhar para essa realidade é esvaziar seu verdadeiro significado. Natal é dobrar os joelhos e clamar por justiça; é reconhecer que todos são iguais perante a lei de Deus e que não pode haver paz verdadeira enquanto houver fome, exclusão e abandono. A própria Palavra nos adverte: “A fé, se não tiver obras, é morta.”

É tempo de partilhar o pouco ou o muito que temos, de estender a mão, de olhar para o próximo não como ameaça, mas como irmão. É tempo de compreender que a indiferença também mata e que o amor ao próximo é o único caminho capaz de romper o ciclo da violência.

Que o nascimento de Cristo reacenda em nós a compaixão, a responsabilidade social e o compromisso com um Brasil mais justo, onde a dignidade vença a desigualdade e onde a paz não seja privilégio de poucos, mas direito de todos.

Este é o clamor do verdadeiro Natal.

Um abraço de Natal

Ana Maria Coelho Carvalho – Bióloga

Assisti a dois abraços que me emocionaram. Um deles foi de um chimpanzé abraçando a pesquisadora que salvou sua vida. O outro foi de uma menininha e minha filha, na Bahia.

O primeiro, assisti em um vídeo antigo, na internet. Sobre Wounda, uma fêmea de chimpanzé, que esteve muito doente por várias vezes. Foi tratada em um centro de pesquisa na Tanzânia, África, fundado por Jane Goodall, uma primatologista inglesa que faleceu em 2025, aos 91 anos de idade. Ela dedicou sua vida a estudar o comportamento dos chimpanzés e a cuidar deles. Cuidou de Wounda, que conseguiu se recuperar, e juntamente com uma equipe, foram soltá-la em uma ilha. Quando abriram a jaula onde foi transportada, Wounda saiu, olhou em volta a floresta exuberante, deu uma corridinha, voltou, subiu na jaula e abraçou a Jane. Um abraço demorado, apertado, com os olhinhos fechados. Passou as mãos peludas nas costas da pesquisadora, já franzina e idosa. Essa ficou acariciando os longos pelos do dorso de Wounda. Ficaram assim as duas, durante algum tempo, parecendo que a chimpanzé estava agradecendo e despedindo-se. Depois, saiu em passos rápidos e bamboleantes e embrenhou -se na selva, rumo à liberdade. Deu vontade de chorar.

O segundo abraço foi de uma menininha bonita, cor de jambo, de quatro anos, quando ela chegou na escolinha que funcionava na casa da minha filha, em Algodões, depois que a mãe foi presa. Eu estava lá e presenciei a cena. O abraço da menininha foi de chegada, de entrega, de encontro, de esperança. O da minha filha foi de dor, de consolo, de carinho, de compaixão, ao sentir os ossinhos frágeis e ao ver as suas perninhas finas cortadas por capim navalha. A mãe dela (que na verdade ganhou a menina da mãe biológica) era usuária de drogas e assaltou uma casa juntamente com dois filhos. Quando fugia da polícia pelo mato, arrastou com ela a criança, que ficou toda machucada. Ela, a menininha, conta que não quer ficar sem a mãe e que essa vai voltar. Vontade de chorar também, mas não de alegria.

Enfim, os abraços estão presentes em nossas vidas, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. São gestos simples, carregados de sentimentos. Podem ser de apoio, de despedida, de chegada, de consolo, de saudade, de compreensão, de afeto, de aconchego, de partilha. E, como alguém já disse, um bom abraço não pode ser rápido, tem que atravessar o corpo, ser uma confissão, ser o encontro de dois corações, precisa cruzar os braços e demorar no rosto.

E como diz a canção de Jota Quest: “o melhor lugar no mundo é dentro de um abraço, pro mais velho ou pro mais novo, pra alguém apaixonado, alguém medroso; tudo que a gente sofre, num abraço se dissolve, tudo que se espera ou sonha, num abraço a gente encontra”. Ou como cantado por Milton Nascimento: “mande notícias do mundo de lá, diz quem fica, me dê um abraço, venha me apertar, tô chegando”. E também por Roberto Carlos: ” você foi o maior dos meus casos, de todos os abraços, o que eu nunca esqueci”.

Assim, desejo que neste Natal você dê e receba muitos abraços. Não tem presente melhor. Abraços apertados, sinceros e inesquecíveis. Abrace a família, os amigos, os companheiros de trabalho, os velhinhos, as crianças, os abandonados, os carentes, os orgulhosos, os chorões, os ranzinzas, os otimistas, quem você puder. Mas, acima de tudo, desejo que você se sinta abraçado pelo Menino Jesus. Um abraço enorme, cheio de amor, de paz e de luz, capaz de unir o coração humano ao coração divino.

Feliz Natal, com muitos abraços!

Escândalos!

Tania Tavares – Professora – SP

Os governos de Luiz Inácio Lula da Silva, são marcados por escândalos de grandes prejuízos para nós brasileiros. Em 2005, tivemos durante o primeiro mandato de Lula o escândalo do Mensalão. O dinheiro vinha de empresas públicas e contratos de publicidade, sendo desviado por pessoas como José Dirceu, ex-ministro do governo. Outro grande caso foi o Petrolão, descoberto durante a Operação Lava Jato, que investigou desvios na Petrobras entre 2004 e 2014, nos governos de Lula e Dilma Rousseff. Agora em 2025, o escândalo é no INSS, onde associações e sindicatos descontavam dinheiro de aposentados e pensionistas sem autorização, totalizando R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. Há o envolvimento do irmão de Lula e agora também do filho associado ao careca do INSS. Já há nomes para este escândalo circulando Aposentão ou Descontão. Então, PT no governo é rombo certo, vide novamente os Correios!