BENS TOMBADOS – BIBLIOTECA PÚBLICA

Antônio Pereira da Silva*

No começo, foi uma igreja. Construída a partir de 1846 por autorização do padre Visitador Ordinário da Prelazia de Uberaba. Os administradores da construção foram Felisberto Alves Carrejo e Francisco Alves Pereira (filho do primeiro entrante, João Pereira da Rocha). Era uma capelinha curada (porque tinha padre cura – que permanece no local) de 60m2, rodeada pelo cemitério.
O padre João da Cruz Dantas Barbosa, que assumiu a paróquia em 1865, encontrou um esboço de reforma e realizou-a erguendo um templo que durou até a sua demolição. A ampliação também recebeu a administração de Felisberto Carrejo. Depois do seu falecimento, Francisco Alves acabou a obra. Seus corpos foram enterrados no interior da igreja.
Em 1943, devidamente autorizados pelo bispado, o prefeito nomeado Vasconcelos Costa e o pároco, monsenhor Eduardo, demoliram o templo e a prefeitura, em seu lugar, construiu uma Estação Rodoviária, estabelecimento de que a cidade carecia. Este terminal rodoviário, foi construído em dois pavimentos. Em sua parte superior, funcionaram várias instituições, como a Sociedade Médica, a Delegacia Regional de Polícia, um Posto de Saúde e outras.
Na segunda gestão de Renato de Freitas, foi construído, no bairro Martins, o Terminal Rodoviário Presidente Castelo Branco, inaugurado no dia 31 de agosto de 1976 como parte das comemorações do aniversário da cidade. Este terminal é um autêntico marco divisório no conceito de estação rodoviária na região. A partir dele acabaram-se, em quase todo o Triângulo, as rodoviárias cheias de pedintes, vagabundos, cachorradas e sujeira.
Após a mudança da Rodoviária, deslocou-se a Biblioteca Pública Municipal, que estava na praça Clarimundo Carneiro, num sobrado ao lado do Cine It, para o velho terminal. O prédio que a Biblioteca ocupava tinha sido, na década de 1921, a sede do primeiro clube social da cidade, o Selecto Club.
Adequou-se o prédio, a Delegacia Regional de Polícia saiu de lá e foi para a praça Coronel Carneiro, onde está a Casa da Cultura, e ajustou-se o prédio para as suas finalidades. Recebeu o nome de Presidente Juscelino Kubistchek.
Para melhor adequação de seu espaço, a Biblioteca vem passando, desde 2005, por reformas. Hoje ela não é mais um mero depósito de livros para empréstimos, mas se aplica a outras atividades que estimulam a prática da leitura através de oficinas, programas e projetos. A partir de 2008, colocou à disposição de seus usuários o Telecentro com 20 computadores que atendem a 800 usuários para pesquisas na internet e cursos on-line. Seu acervo em abril de 2013 era de 45 mil volumes – foram informatizados. Hoje são muito mais.
Com a mudança do Forum, seu prédio foi ocupado pela Secretaria Municipal de Cultura que reuniu lá seus vários órgãos, inclusive a Biblioteca. O prédio que ela ocupava será utilizado como uma reserva técnica do Museu Municipal.
Está tombado.

*Jornalista e escritor – Uberlândia – MG

Sobre “Cristofobia”

DR. Flávio de Andrade Goulart*

Intolerância religiosa. Já havia tratado de tal assunto aqui antes e hoje retorno a ele, eis que a inesgotável capacidade de falar besteira do Escrotíssimo Senhor Presidente da República o colocou em pauta novamente, através de seu discurso patusco perante a Assembleia Geral da ONU, realizada neste 21 de setembro. Menos mal que foi online, isso deve ter contribuído para reduzir a má repercussão internacional produzida por tais perdigotos, e assim, quem sabe, amenizado um pouco a nossa vergonha. Mas, enfim: existiria, de fato, algum tipo de intolerância religiosa no Brasil de hoje?
Tal assunto parecia morto nas dobras da História, mas de repente volta à tona. Não sem motivos, pois além da folclórica boquirrotice presidencial, aqui e ali, por todo o país, explodem casos concretos. Isso, forçosamente, nos leva a tentar fazer comparações com o racismo. No Brasil, até mesmo por intepretações apressadas da obra de Sérgio Buarque de Hollanda, muito se fala daquela suposta “cordialidade” inata do brasileiro. Na questão racial, entretanto, nada mais falso. É a nossa maneira de dizer que não somos exatamente racistas, mas preferimos que os não brancos reconheçam e permaneçam cientes e zelosos daquela especial posição que a cor da pele lhes impõe, ou seja, no andar de baixo.
Na questão religiosa, entretanto, a questão, a meu ver, é bem outra. Essencialmente, somos um país tolerante no quesito das crenças. Nossa formação miscigenada luso-negra-índia algum benefício nos terá trazido… É claro que ao longo de nossa história, judeus, maçons, protestantes, praticantes do candomblé, sentiram o peso do catolicismo ibérico e inquisitório. Mas isso foi em passado já remoto. Hoje, intolerância religiosa tem nome, cpf, e endereço… Seu objeto são as religiões afro e as ações agressivas e intolerantes partem, quase sem exceção, da miríade de igrejas-negócio neopentecostais que se espalham pelo Brasil a fora. Poderosíssimas, por sinal, detentoras até mesmo de redes de TV e de uma “bancada evangélica” nas Assembleias e no Congresso Nacional. Gente que prega, além da prosperidade (para quem contribui com o dízimo), teses tão arcaicas como a negação do casamento homoafetivo, a proibição do aborto, o cerceamento da liberdade de crença, ao mesmo tempo que aderem ao governo – qualquer governo – desde que lhes sejam contempladas as crenças e ideologias. Principalmente aquelas que dizem respeito à prosperidade – dos pastores e dos representantes que elegem, fique claro! Para mim, bom nome para isso é Biblia-business, e é assim que prefiro tratar esta gente, sem nenhum preconceito ou intolerância, mas apenas me atendo a fatos reais.
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Assim, os casos de intolerância religiosa com que nos deparamos, cada vez mais frequentes, por sinal, não tem outra origem: os cultos neopentecostais, nos quais é notória a manipulação dos fiéis pelos pastores – empresários. Não se tem notícia, recente pelo menos, de um grupo religioso perseguindo, denegrindo (sem trocadilho) e até mesmo incentivando linchamentos de fiéis de outra crença. Aiatolás ficariam orgulhosos…
E o pior, não apenas Bolsonaro, mas também Lula, Dilma, Alckmin, Doria e outros (nem falo de Eduardo Cunha…), além da quarta parte do Congresso que compõe uma fatídica “Bancada da Bíblia”, incensam esta gente e se rendem a ela. Cito aqueles lá para lembrar que compareceram prazerosamente, como se fosse coisa normal, àquela faustosa inauguração salomônica do grande templo em São Paulo, perpetrada por Edir Macedo, há alguns anos atrás. Mme. Rouseff como Presidente da República, na ocasião, derramou-se em elogios ao feito. Um monumento erigido a uma suposta “teologia da prosperidade” e, principalmente, ao mau gosto. E ainda tratam tal empresário como “liderança religiosa”. Se é assim, proponho conferir a dom Paulo Evaristo Arns, dom Helder Câmara, Henry Sobel e Mãe Menininha, sem esquecer do Padre Júlio Lancelotti, algum título diferente e mais justo.
Cristofobia… Essa é boa. Se bem que teríamos razão em professar uma certa “neo-pentecostofobia” . Eu, pelo menos, assumo. Que Deus (não o deles) nos ajude!

*Flávio de Andrade Goulart é médico, professor de Medicina na UFU e na UNB, secretário municipal de Saúde em Uberlândia e é sobrinho do poeta Carlos Drummond de Andrade.

O BOM COMBATE

Gustavo Hoffay*

Em todo o Brasil vimos assistindo a um mix, a um ajuntamento de siglas partidárias lançadas em um mesmo balaio e cujos respectivos programas de governo passam a milhas e milhas distantes do conhecimento popular e até, em alguns casos, dos próprios candidatos a cargos político-eletivos e cuja grande maioria é absolutamente incapaz de apresentar algum histórico pessoal que comprove a sua eficiência administrativa, de modo a sugerir um modelo de administração pública gerencial voltada para o bem comum e que garanta a eles e aos eleitores uma digna representação popular nas câmaras legislativas. E é difícil acreditar que a esmagadora maioria dos candidatos a membro do órgão colegial representativo do nosso município saiba enumerar, pronta e corretamente ao menos, na pior das hipóteses, três propostas constantes do programa de governo do seu partido e um mínimo de três itens da Lei Orgânica Municipal ou sequer consiga citar o endereço da Câmara Municipal de Uberlândia. Além de apresentarem absurdas e inexeqüíveis propostas para a melhoria de vida da população aqui residente, candidatos à Câmara de Vereadores talvez imaginem que algumas das “poucas” funções dos vencedores do próximo pleito eleitoral serão apenas a de votar e delinear projetos de lei, esquecendo-se que fiscalizar, assessorar, administrar e julgar são também atos inerentes ao nobre cargo que vorazmente anseiam arrebatar para si. Não quero aqui desafiar qualquer candidato mas humildemente alertar os eleitores que, se desejamos uma melhoria na qualidade de vida em nossas grandes áreas urbana e rural , a maioria dos atos legislativos naquele sentido deve ter inicio a partir da Lei Orgânica do Município e a qual, em seus mais de duzentos e trinta artigos, somados a emendas e parágrafos diversos, deve ser encarada na qualidade de ”bíblia” de todos os eleitos. A seriedade e a responsabilidade do cargo de vereador de uma cidade do porte e da importância de Uberlândia devem ser mensuradas, sim, a partir da humildade e da magnanimidade de quem irá representar-nos perante o poder Executivo e que deverá fazer-se presente não apenas em seu gabinete e na assembléia mas, principalmente, entre Deus e o povo e nos becos e nas praças, não discutir com medíocres, ter humildade no auxilio ao governo e à sociedade e nunca deixando de arriscar o fracasso, ao contrário de apenas deleitar das benesses do cargo e enquanto gozando das honras, dos proventos e do prestígio de uma representação que deverá ser constantemente julgada por dezenas ou centenas de milhares de pessoas de todos os credos, raças e níveis sociais. É bom lembrar: não faz muito tempo que esta metrópole passou por uma profunda humilhação e decepção, ao assistir quase a totalidade dos representantes do seu Legislativo ser encaminhada à presença de autoridades policias e sob a acusação de malversação do dinheiro público. E aposto que a atual e esmagadora maioria dos candidatos a vereador consiga mencionar, ao menos, três propostas constantes do programa de governo dos respectivos partidos aos quais estão filiados, três itens da Lei Orgânica Municipal ou sequer sejam capazes de citar o endereço da Câmara de Uberlândia. Além de imaginarem-se apresentando absurdas e inexeqüíveis propostas para a melhoria de vida da população aqui residente, não poucos candidatos à Câmara de Vereadores talvez ainda concebam a idéia de que as funções dos vencedores do próximo pleito eleitoral serão apenas as de votar e fazer leis, discursar, conceder entrevistas e representar o poder Legislativo em regabofes e outras reuniões festivas, esquecendo-se que fiscalizar, assessorar, administrar e julgar são também atos inerentes às nobre funções dos digníssimos edis. Longe de mim, aqui, desafiar qualquer candidato mas apenas e tão somente alertar os eleitores que uma melhoria na qualidade de vida em nossa cidade deve estar fundamentalmente calcada na aplicabilidade da Lei Orgânica do Município e que deve entendida como o principal instrumento sobre o qual devem debruçar-se os nossos representantes políticos. A seriedade e a responsabilidade do cargo de vereador de uma cidade do porte e da importância de Uberlândia, devem ser mensuradas a partir da humildade e da magnanimidade dos eleitos e enquanto certos de que irão sentar-se entre a cruz e a caldeirinha, não discutirão com medíocres, terão humildade no auxilio ao governo deste município e enquanto arriscando o fracasso na busca por objetivos maiores,ao contrário de apenas terem orgulho por um trabalho que poderá, um dia, ser julgado na condição de medíocre. A propósito, não faz muito tempo que os habitantes desta urbe passaram por uma profunda humilhação, ao assistirem quase a totalidade dos representantes do Legislativo municipal ser encaminhada à presença de autoridades judiciais e sob a acusação de malversação do dinheiro público. Ora! Por mais vergonhosa tenha sido tal situação para os eleitores e a população em geral, é preciso que continuemos a acreditar nos políticos e em quem deseja investir em uma campanha eleitoral, desde que demonstre conhecimento e capacidade de discutir e lutar o bom combate na defesa dos interesses do povo que faz deste município, a segunda maior economia do glorioso e desenvolvimentista estado de Minas Gerais. Por diversas vezes já vimos ou tomamos conhecimento de parlamentares que obstinam-se em empreender tarefas unicamente eleitoreiras; perderem tempo em ações ridículas e desprezíveis, “esquecendo”-se no entanto de levar em conta a nobre função que deveriam exercer; não conseguem organizar nem mesmo os seus respectivos gabinetes e aparelhá-los de modo a realizarem o melhor em menor tempo possível e dentro de uma condizente realidade financeira e econômica proposta pelo próprio município. Que consigamos eleger candidatos disciplinados, honestos, inteligentes, ativos e permanentemente sintonizados com a razão e que sejam inflexíveis no trato da coisa pública, afinal para serem coerentes com aquilo que deles espera-se, uma necessária obstinação pelo bem será de grande valia para todos e principalmente para todos os seus esperançosos eleitores.

*Agente Social – Uberlândia(MG)

Governadores eleitos com Bolsonaro estão na corda bamba

Ivan Santos*

Três governadores, que se elegeram sem experiência em política, impulsionados pela onda da Nova Política defendida pelo capitão-deputado Jair Bolsonaro, estão metidos em encrencas.

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), ex-juiz federal, candidatou-se sem experiência política e assumiu o discurso de renovação pregado por Jair Bolsonaro. Elegeu-se com um discurso moralista e promessas de acabar com a corrupção no Rio de Janeiro. Sem experiência em articulação política não soube comandar uma articulação política com os deputados estaduais. Resultado: acusado de praticar corrupção no Governo, a Assembleia Legislativa abriu um processo para o impedir no exercício do cargo. Pelo mesmo motivo o governador Witzel está afastado por seis meses do cargo pela Justiça. Ontem os deputados estaduais, por 69 votos a zero, autorizaram o prosseguimento do impeachment contra o mandatário fluminense.

Outro governador, que sem experiência política elegeu-se na onda renovadora liderada por Bolsonaro é o de Santa Catarina. O eleito pelo PSL é o exbombeiro militar, Carlos Moisés. Sem habilidade para lidar com políticos, o ilustre chefe do governo de Santa Catarina está na corda bamba. Hoje metido em denúncias de desvios de verbas da saúde, Carlos Moisés responde a um processo de impeachment na Assembleia Legislativa.

Outro eleito por influência da onde renovadora que beneficiou o Capitão Bolsonaro, Wilson Lima (PSC), governador do Amazonas, também está em dificuldade para se manter no cargo. Lima é hoje suspeito de ter superfaturado contratos de serviços e de compras para combater o Coronavírus no Amazonas. Também está ameaçado por impeachment na Assembleia.
Renovar o poder com candidatos politicamente inexperientes pode não ser uma boa solução.

*Jornalista

A imoralidade só cresce aos olhos do povo!

Rafael Moia Filho*

É a ambição de possuir, mais do que
qualquer outra coisa, que impede os homens
de viverem de uma maneira livre e nobre.
Bertrand Russell

Não tem reforma que dê jeito ou que possa aplacar a ganância dessa classe abastada do Poder Judiciário. De tempos em tempos eles promovem condições favoráveis para aumentar ainda mais seus vencimentos. Passando por cima de Teto Constitucional, e tudo que possa tentar impedir que recebam salários acima de tudo e de todos no país.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou um novo penduricalho para os juízes com potencial para turbinar ainda mais o custo médio de cada magistrado, que hoje gira em torno de R$ 50,9 mil mensais. A resolução foi aprovada, num momento em que cresce a pressão para ampliar o poder da reforma administrativa. Por ora, os membros do Judiciário estão fora do alcance das mudanças. Aliás, sempre os servidores comuns ficam isentos destas mudanças que só beneficiam o alto escalão dos Marajás da Justiça.
A resolução permite aos tribunais regulamentar o pagamento de 1/3 do subsídio do magistrado a título de compensação para juízes que atuarem simultaneamente em mais de uma Vara do Judiciário ou acumularem “acervo processual” sob sua responsabilidade. A proposta era um pedido da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e foi levada ao CNJ pelo ministro Dias Toffoli em sua última sessão como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do próprio CNJ.
Os tribunais poderão estabelecer diretrizes e critérios para distribuir o pagamento. A AMB disse, em nota, que a falta de parâmetros para gratificação “representava quebra de isonomia” e que a alteração “visa a uma valorização da magistratura”. Nem o CNJ nem a AMB divulgaram o custo potencial do penduricalho.
A recomendação do Conselho, porém, é que a nova verba se sujeite ao teto remuneratório, que limita o ganho do servidor ao salário de ministro do STF (R$ 39,2 mil). O Judiciário, no entanto, tem um histórico de pagamento de verbas além do teto, como ocorreu no caso. Essa recomendação parece ate piada, diante do fato de que há muito tempo essa classe dribla as leis e se beneficiam daquilo que julgam contrários para os demais servidores do país.
Do auxílio-moradia, que engordou os contracheques dos magistrados entre 2014 e 2018, independentemente de ter havido ou não deslocamento. Dados do CNJ indicam que o custo médio de um magistrado para a administração pública está bem acima do que seria a sua remuneração bruta. O gasto por magistrado é calculado em R$ 42,5 mil mensais na Justiça do Trabalho, R$ 52 mil na Justiça Federal e chega a R$ 75,4 mil no Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Os servidores do Judiciário – que foram alcançados pela proposta de reforma administrativa – também têm custo individual elevado, entre R$ 13,5 mil e R$ 23,5 mil mensais. Além do salário, a conta inclui benefícios, encargos, contribuição à Previdência, diárias, passagens e indenizações judiciais, entre outros itens.
A polêmica em torno da exclusão dos magistrados da reforma administrativa ganhou força e já ameaça travar o andamento da proposta no Congresso. Os militares ficaram fora da reforma da previdência, agora os magistrados querem ficar fora da reforma administrativa. Quem paga tudo? O povo brasileiro que arca com carga tributária excessiva sem nenhum retorno e ainda tem de se sujeitar a assistir essas imoralidades.
As reformas deveriam atacar as desigualdades e acabar com as obscenidades nos três poderes, porém, apenas o trabalhador comum do setor privado e os aposentados pagam a conta e sofrem as reduções propostas pelos mesmos algozes do país.
“Estamos revivendo a herança do patrimonialismo dessas elites que abocanham parte importante do recurso financeiro do Estado e usa o seu poder para não permitir nenhum tipo de transformação”, critica a professora de administração pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Gabriela Lotta.
A equipe econômica tem se defendido com o argumento de que a Constituição não permite ao Poder Executivo propor uma nova regra para membros de outros Poderes, como é o caso de juízes, magistrados, parlamentares e procuradores. A inclusão dessas categorias ficaria a cargo do próprio Congresso Nacional durante a tramitação do texto.
Ou seja, nunca irá acontecer, pois todos os marajás dos três poderes se locupletam se beneficiando de altos salários acrescidos de penduricalhos que além de enriquece-los driblam as leis do país que eles próprios criam.

*Escritor, Blogger e Graduado em Gestão Pública.