Locupletação geral

Iria de Sa Dodde – Professora – RJ

Ministros do STF querem 18% de aumento e ainda dizem que tal índice não cobrem as perdas. Viajam em 1ª classe que custa 10 vezes mais que a econômica e recebem 727 dólares de diárias internacionais. Ministério público quer motivar seus procuradores dando 11.000,00 por mês para trabalhar. Muito curioso. Militares ganhando 100.000,00 por mês. Parece justo pois os juízes estão ganhando isto. Funcionários do executivo mamando nos conselhos de administrações. Tudo na mídia e nos portais das transparências. Por essas e outras síndicos de prédios roubam descaradamente. O exemplo vem de cima. E ninguém chia. Por muito menos 1964 foi materializado. Ih, não posso tocar neste assunto. Posso ser presa. E os outros?

As cartas!

Marília Alves Cunha*

O PT e os partidos apoiadores do ex-condenado, assim como banqueiros, empresários e políticos cujo envolvimento se liga precipuamente à defesa de seus próprios interesses, são signatários de uma carta endereçada ao povo brasileiro em defesa da democracia. Lula também assinou, o mesmo Lula que sempre se mostrou grande admirador, amigo e provedor de ditaduras do mundo inteiro. Só faltou povo. O povo não assinou esta cartinha, assim como não participa de grandes movimentos a favor da candidatura Lula/Alckmin. Nunca vimos uma candidatura tão esvaziada de povo e de emoção, nunca vimos uma candidatura tão triste… Também pudera, né? O candidato, por incrível que possa parecer, é um ex-presidiário, condenado em três instâncias, sem possibilidade de ser inocentado pelo acúmulo de provas dos crimes que cometeu junto a sua turma, ao longo de 16 anos de governos petistas… Salvo pelo gongo! Este gongo sonoro manejado pela vontade política do STF. E o candidato a vice? Nem merece comentários, tal a bizarrice deste casamento fadado ao fracasso…

A carta em defesa à democracia, citada acima, foi lida em ato solene no Largo de São Francisco em SP e este ato foi objeto de comentário de Bárbara Gancia, esquerdista juramentada e que assim se expressou nas redes sociais: “Volto pessimista do ato no largo São Francisco. Pouquíssima gente, média de idade, a minha, pouquíssimos jovens, os mesmos intelectuais de ideias mofadas de sempre e zero vibração. Se uma causa dessa gravidade não empolga a esta altura é porque a democracia sangra e Bozo periga ganhar”. Acrescento: a democracia sangra sim, senhora jornalista, pelos fatos que vêm ocorrendo. Hoje temos no país censura, prisões ilegais, exílio, quebra da legalidade e do estado democrático de direito. E a não aceitação de um governo legítimo, que tenta governar com honestidade e transparência, coisas a que estávamos desacostumados.

Uma “Carta pela liberdade” também apareceu no cenário político, com um número bem grande de apoiadores e cujo conteúdo mostra a realidade de um país manietado pela força do desrespeito à independência dos poderes da república e grande crítica à tendência da esquerda em implantar a censura nos meios de comunicação, com a remoção arbitrária de conteúdos, incluindo contas, perfis e postagens. É claro que a cartinha pela democracia foi mais difundida nacionalmente, festejada pelos banqueiros (que sofrem com a invenção do Pix), pela imprensa tradicional (que sofre a falta de dinheiro público no seu planejamento financeiro), pelos artistas (que não se conformam com as novas regras da Lei Rouanet), por empresários (que se aproveitaram de um momento político cabuloso para se beneficiar), e por sindicalistas (que trovejam pela volta do imposto sindical). A bem da verdade considero inúteis as tais cartas. No papel tudo se escreve, tudo se inventa, a tudo pode se dar o título de mais bonito ou mais feio. O que importa é a realidade, que se mostra aos nossos olhos com clareza, desde que estejamos dispostos a ver…

Educadora e escritora – Uberlândia – MG

Imprensa subjugada?

Tania Tavares – Professora – SP

Assim como eu, muitos leitores dos Jornais Estadão, O Globo, Folha, Valor Econômico,UOL,G1… que promovem o debate para presidente, não concordam com a falta de respeito dos candidatos Bolsonaro e Lula em não querer participar dos debates e defender seus projetos para governar o Brasil. Minha sugestão é que façam o debate com os outros candidatos, pois há muitas pessoas indecisas e deixem as duas cadeiras vazias. Baseados nas perguntas que vocês fizerem, procurem ter as respostas que Lula ou Bolsonaro já deram e leiam suas respostas .Não podendo, apenas dirijam as câmeras para as cadeiras vazias. É muita falta de respeito para com a Imprensa e os eleitores!

A sagração do profano

Percival Puggina

Quem expulsa o sagrado acaba por consagrar o profano.

Certa feita, após um debate em programa de rádio, ofereci carona ao meu adversário, líder de um partido de esquerda. Rodamos cerca de 20 minutos conversando como gente normal, sem audiência, sem microfone e sem reservas, confirmando ser a existência de um público que torna os debates mais acirrados. Lá pelas tantas ele me disse ter inveja dos cristãos. A fé – afirmou – é muito mais suave e leve do que a lei e a força para conter o mal existente no ser humano.

De fato, na falta do Absoluto, tudo se relativiza e o querer humano se converte na medida de todas as coisas. Há muitos anos, tive o privilégio de conhecer e conversar longamente, aqui em Porto Alegre, com um eminente professor de Filosofia do Direito em Granada, posteriormente eleito para o Congresso dos Deputados e, em 2012, guindado ao Tribunal Constitucional espanhol. Cito trecho de um texto que o Dr. Andrés Ollero me enviou sobre o relativismo:

“Quando se identifica democracia com relativismo, se verá como inimigo quem insinue, mesmo remotamente, que algo possa ser mais verdade que seu contrário. O mais cômico desse assunto é que – desafiando o princípio da não contradição – o relativismo se converterá em valor absoluto, subtraído de toda crítica.”

Alguém dirá, não sem razão, que o Direito Natural absorve, querendo-se ou não, a ideia de um Deus, de uma sabedoria universal, ou algo assim. E isso não seria cabível num Estado laico. O problema dessa objeção é que ela, como um “tchick” de faca Tramontina, corta a palavra de quem fala e investe com retroescavadeira sobre imensa biblioteca que, não por acaso, contém séculos de sabedoria humana.

No meu livro Pombas e Gaviões escrevi, sobre a aceitabilidade do argumento religioso:

“Tenho certeza de que ninguém duvida da conveniência de prestar atenção a quem, num debate, traga, para a formação das opiniões, um conteúdo científico adicional. Esse acréscimo de “saber” pode não ser considerado válido ou aplicável, pode não produzir consequências, mas será certamente reprovada por imprópria ao convívio civilizado a atitude de quem recusar ao próximo o direito de expor, com base nele, os fundamentos de sua posição. Não vejo motivo para que um argumento cadastrável como “religioso”, ou “não profano”, seja apartado liminarmente desse mesmo debate”.

Não sei quantos leitores compartilham esse ponto de vista, tal a confusão introduzida em uma sociedade outrora conservadora com a tomada militante dos espaços de formação das consciências e das opiniões.

O que sim sei é que esses novos direitos, a imposição de novos códigos e convenções através do politicamente correto está criando um deus ex-machina, difuso e confuso, a controlar pensamentos, palavras e obras. Sem lei que as defina como crime, qualquer pessoa pode ter sua vida devassada e devastada, ser jogado à desgraça por palavra imprópria ou ideia considerada politicamente incorreta. O braço pesado da lei vai ficando mais e mais descontrolado.

É o que estamos vivendo em nosso país com a relativização da Constituição pelo ativismo e narcisismo judicial e com a sacralização do Supremo ante o genuflexo Senado da República.

SUSPEITO

Esse adjetivo, quando usado de maneira absolutamente imprópria, acredito cristalizar o espanto da maioria das pessoas de bem, constrangidas que ficam ao verificar a debilidade da pressuposição que considerável parcela da imprensa faz do mesmo; algo que vem sendo usualmente imposto à sociedade por meio de reportagens divulgadas em jornais e emissoras de televisão, para qualificar agentes que praticam ações criminosas e, claro, amplamente desfavoráveis a uma vida sadia e harmoniosa em comunidade. É certo que a maioria das pessoas civilizadas e inteligentes não admitem o uso da palavra “suspeito”, quando a mesma é empregada para referir-se a alguém que é pego, testemunhado ou filmado no ato do cometimento de uma prática criminosa, em flagrante de delito. Qualquer um de nós, cidadãos, tem a responsabilidade de fazer ativar a própria consciência crítica enquanto parte da sociedade, mas esse juízo torna-se quase abstrato quando aceita passivamente ser intrujado, ludibriado de uma maneira constante, ao ponto de relativizar a maneira como é usado por alguns meios de comunicação social. Entendo que a libertação de alguns conceitos emitidos por aquelas vias, tornaria o cidadão mais otimista em relação à sua própria vida e ao meio onde se encontra, desprenderia –o de vínculos que o mantêm preso à práticas diárias de vícios de linguagem e permitiria que ele expandisse um pouco mais de cultura a partir do emprego correto da sua língua pátria, símbolo de identidade da nossa nação; mas vem ocorrendo exageros, desvios! Francamente…Tratar alguém que é pego em flagrante de delito por suspeito, entendo como a algo leviano, um verdadeiro acinte à honra da vítima, além de contribuir para uma interpretação cabalmente errônea do comportamento de um agressor, a partir do entendimento da grande maioria das pessoas, um ultraje à inteligência de terceiros. É óbvio que por “suspeito” seja tratado um cidadão sob investigação ou em julgamento quanto a autoria de algum ato ilícito, mas a pujança de meios comprobatórios que determinam a sua participação na prática do mesmo, deveria eliminar a prática dessa evidente contradição e sob o risco de – em breve – tratarmos Fernandinho Beira-Mar como a um mero suspeito de ter cometido os crimes pelos quais foi condenado; algo, digamos, hipotético, presumido…..! Um repórter querer preservar a presunção de inocência de alguém ao usar a palavra “suspeito” é algo digno de louvor e enquanto o tal criminoso não é julgado, mas quando diante de circunstâncias óbvias e de provas absolutamente irrefutáveis, permito-me imaginar que aquele profissional esteja sendo demasiadamente zeloso e talvez por receio de tornar-se objeto de futuros processos judiciais. É complicado para a sociedade entender o porquê de uma determinada presunção, quando diante de uma escancarada obviedade. A continuar usando-se de maneira indevida a palavra “suspeito”, em breve todos nós seremos suspeitos de algo perante toda uma comunidade e muito embora nunca tenhamos cometido qualquer ato que levante suspeita sobre alguma coisa devida ou indevidamente realizada.

Gustavo Hoffay
Agente Social
Uberlândia-MG

Defesa da Democracia

Cesar Vanucci *

“A democracia tem dado provas seguidas de robustez”
(Manifesto da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, subscrito por mais de uma centena de entidades dos setores produtivos nacionais)
A FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo-, entidade patronal mais poderosa do País, primando-se hoje por atuação politicamente isenta, diferente do que ocorria em tempos passados, acaba de divulgar um manifesto em defesa da Democracia que traduz com fidelidade, insofismavelmente, o verdadeiro sentimento nacional. O documento guarda perfeita sintonia com o pronunciamento tornado público, dias atrás, pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.
O mencionado documento da escola de direito, como amplamente noticiado, seria assinado a princípio por trezentas personalidades, mas, na verdade, devido à repercussão suscitada pelo anúncio da iniciativa, aglutinou mais de 750 mil signatários, número que será fatalmente nos próximos dias superado. Será oficialmente lançado, junto com o manifesto da FIESP, no próximo dia 11 de agosto, em São Paulo, no Largo São Francisco, palco de memoráveis arregimentações populares, nas tradicionais comemorações alusivas à implantação dos cursos jurídicos no Brasil.
Expressando esplendidamente como já foi dito, o pensamento cívico da Nação a Carta pela Democracia e em defesa da ação reconhecidamente eficiente da Justiça Eleitoral elaborada pela instituição representativa da indústria paulista soma adesões importantíssimas. É subscrito por mais de uma centena de organizações de variados setores produtivos da sociedade: entidades patronais, centrais sindicais operárias, associações profissionais, instituições classistas e liderança de realce no cenário cultural. Figuram entre elas a Federação dos Bancos do Brasil, Ordem dos Advogados do Brasil, Associação Brasileira de Imprensa, Câmara Americana de Comércio, além de órgãos de presença exponencial na luta pela preservação do meio ambiente. Idênticas na essência, as proclamações – FIESP e USP – sustentam ser a democracia o único regime capaz de conferir dignidade ao ser humano. Rechaçam com veemência, os desabridos ataques, volta e meia desferidos, na atualidade brasileira, de origem palaciana, ao processo eleitoral vigorante no país, que trazem em seu bojo críticas sem fundamento à Justiça Eleitoral e seus componentes. As duas cartas pedem a estabilidade política e o desenvolvimento democrático como o “sentido maior” do 7 de setembro deste ano. Reiteram, ainda, a necessidade de se estabelecer um compromisso formal com “a soberania do povo brasileiro representada pelo voto”, a independência dos Poderes e a relevância do Supremo Tribunal Federal.
São textos indicativos de que a opinião pública brasileira se mantem serena e altiva na firme disposição de defender os postulados democráticos e republicanos e o Estado de Direito, por serem conquistas inalienáveis no itinerário do país rumo ao seu destino de grandeza.
Dá pra perceber nestas saudáveis manifestações, categóricas e ordeiras com ampla e saudável visibilidade, que segmentos representativos da coletividade brasileira experimentam neste instante, euforia cívica bastante semelhante àquela que prevaleceu por ocasião das “Diretas-já”, movimento que nos permitiu, depois de trevoso período, a reconquista das liberdades públicas de que hoje tanto nos ufanamos. Nossa gente sabe muito bem o que quer com relação ao pleito eleitoral que se avizinha. Sua expectativa e esperança voltam-se para um processo de escolha de seus governantes liso e transparente, que garanta à ascensão ao poder dos candidatos que a soberana vontade popular venha a apontar nas urnas eletrônicas, como os de sua preferência dentre os nomes credenciados pelos partidos e referendados pela Corte Eleitoral, na forma regimental consagrada pelos ritos democráticos.

*Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)