Dia em que o Caráter Deixou o Campo

Diógenes Pereira da Silva*

Escancara-se diante de nós uma constatação incômoda: o caráter tem sido tratado como detalhe, quando deveria ser fundamento. Na política, e também na vida social, a retórica muitas vezes substitui a responsabilidade.

Escândalos se repetem, erros são relativizados e a indignação coletiva se dissolve com rapidez preocupante. Mas é no futebol, território de paixão e identidade nacional, que a incoerência recente ganhou contornos ainda mais simbólicos e revoltantes.

Indigna profundamente a condução adotada no Clube de Regatas do Flamengo com a demissão do técnico Felipe Luís. Em meio a resultados consistentes, evolução tática visível e um ambiente competitivo estável, a ruptura foi abrupta e carente de justificativas técnicas convincentes. Sob a presidência de Rodolfo Landim, a decisão soou como manifestação clara de imediatismo e vaidade administrativa, desconsiderando planejamento, continuidade e respeito ao torcedor. Romper um trabalho promissor não é simples ato de gestão; é mensagem institucional.

O clube que deveria prezar por profissionalismo, optou por alimentar a instabilidade, fragilizando sua própria estrutura. O futebol moderno exige critérios objetivos, transparência e visão de longo prazo; quando prevalecem impulsos e pressões circunstanciais, o que se perde não é apenas um técnico, mas a credibilidade do projeto esportivo.

Preocupa perceber que tais decisões são absorvidas com naturalidade excessiva. A sociedade protesta por alguns dias e logo se acomoda, como se a falta de coerência fosse parte inevitável do jogo. Política, futebol e convivência social se entrelaçam porque refletem valores comuns.

Se o caráter deixa o campo, seja ele político ou esportivo, perde-se mais que partidas ou mandatos; perde-se confiança.

Resgatar responsabilidade e firmeza moral não é exagero retórico, é necessidade urgente para preservar instituições e honrar aqueles que nelas acreditam.

*Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG

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Taxa de Licenciamento de Veículos vence nesta terça-feira (31/3) em Minas Gerais

Para 2026, o valor da TRLAV é de R$ 35,62 para todos os veículos, incluindo aqueles que foram isentos do IPVA

GOV. MG

O prazo-limite para pagamento da Taxa de Renovação do Licenciamento Anual de Veículo (TRLAV) de 2026, em Minas Gerais, é nesta terça-feira (31/3). Para este ano, o valor cobrado é de R$ 35,62 para todos os veículos.
O alerta da Secretaria de Estado de Fazenda (SEF) é que os veículos isentos do pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) por terem 20 anos ou mais de fabricação também precisam pagar a TRLAV.
Segundo a SEF, a arrecadação prevista é de R$ 413 milhões.
Como pagar, evitando golpes
O pagamento pode ser feito via Pix (QR Code), Documento de Arrecadação Estadual (DAE), internet banking ou diretamente nos terminais de autoatendimento ou guichês de caixa dos agentes arrecadadores autorizados (Bradesco, Sicoob, Mercantil, Caixa, Casas Lotéricas, Banco do Brasil, Mais BB, Itaú e Santander), informando o número do Renavam do veículo.
A emissão do Documento de Arrecadação da TRLAV deve ser feita, exclusivamente, no site da SEF ou por meio do aplicativo MG App.
Nos pagamentos por Pix é preciso estar atento ao beneficiado, que será sempre o Estado de Minas Gerais, CNPJ é 18.715.615/0001-60, e os bancos Itaú e Santander são os emissores de QR-Code.
Encargos para os atrasos
De acordo com a Superintendência de Arrecadação e Informações Fiscal (Saif) da Secretaria de Fazenda, as penalidades para o recolhimento em atraso da TRLAV são: multa de 0,15% ao dia até o 30º dia; multa de 9% do dia 31 até o 60° dia; e multa de 12% a partir do 61º dia.
Os juros são calculados pela Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) é a taxa básica de juros da economia brasileira, estabelecida mensalmente pelo Banco Central do Brasil.
Além dos encargos financeiros por atraso, a falta de pagamento da TRLAV impede a liberação do Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV), que é o documento exigido pela autoridade de trânsito.

 

Programa Trem divulga soluções selecionadas para melhoria de serviços e processos públicos

Segunda edição de edital de inovação aberta da Prodemge “fecha negócio” para entregas nas áreas de segurança, trânsito e processos legados

Em edital de inovação aberta – modelo de contratação mais ágil que o tradicional – o Programa Trem lança desafios ao mercado para que proponha soluções para a melhoria de serviços e processos públicos.
Na segunda edição, a Companhia de Tecnologia da Informação de Minas Gerais (Prodemge) recebeu mais de 80 propostas inscritas, todas avaliadas em processo seletivo, que resultou em três soluções que evoluíram para contratação.
Prevenção

GOB. MG

A Getter foi selecionada com proposta para o desafio: “Como criar um assistente automatizado de análise de projetos de prevenção e combate a incêndio?”, do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG).
São objetivos agilizar a aprovação de projetos, reduzir o retrabalho e, consequentemente, melhorar a qualidade dos serviços prestados à população mineira.
A solução proposta é o Projeto Seguro – plataforma de IA baseada no Menthor.
“O sistema irá validar a integridade do projeto, identifica inconformidades e gera relatórios estruturados com recomendações de ajustes, entre outras funcionalidades”, detalha o fundador e CEO da empresa, Rufo Paganini.
Também propõe entregar padronização, redução de erros, maior clareza e aumento da eficiência institucional, tornando o processo mais previsível e digital.
Segundo Paganini, a inovação aberta é fundamental porque aproxima quem tem o problema de quem pode resolver.
“Reduz o tempo entre ideia e impacto real, permite testar soluções rapidamente, gerando valor. Não é só sobre tecnologia — é sobre entregar serviços públicos mais rápidos, eficientes e inteligentes”, avalia.
Trânsito
O segundo desafio interessa aos milhares de motoristas de MG: “Como ajudar o cidadão a encontrar o serviço desejado de forma fácil no portal de trânsito?”
A solução é da Brasfy Tecnologia, focada em modernizar a experiência do cidadão no canal on-line que possui mais de 300 serviços.
O projeto “Melhorar a Encontrabilidade e Navegação no Portal de Trânsito” inclui pesquisa inteligente em todas as páginas do portal, histórico de buscas, recomendações automáticas, sugestões de correção e exibição de serviços relacionados.
Além disso, traz chat inteligente e página detalhada de perguntas frequentes (FAQ). A expectativa é dar mais autonomia ao usuário.
“A solução com IA entrega mais segurança, padronização de navegação e redução significativa de retrabalho e chamadas ao call center”, explica o fundador e CEO da Brasfy Tecnologia, Jefferson Freitas.
Freitas destaca que a inovação aberta encurta um caminho que normalmente é longo e burocrático. “O Estado deixa de comprar ‘horas de desenvolvimento’ e passa a contratar resultados”, resume.
Continuidade
Lidar com sistemas legados – aqueles criados há mais tempo e que mantêm dados já inseridos -, é um desafio para a administração pública.
A solução oferecida pela Avia Hub propõe a Modernização progressiva de sistemas legados da Prodemge. CEO e cofundadora da empresa, Mariéli Ávila explica que a solução rompe com as abordagens tradicionais de modernização.
“Desenvolvemos uma IA capaz de mapear, compreender e atualizar sistemas legados críticos de forma autônoma. O grande diferencial é que essa tecnologia mantém 100% das regras de negócio originais, eliminando o risco de perda de processos durante a migração”.

BDMG amplia financiamento às empresas e crédito chega a 90% dos municípios mineiros em 2025

Dados estão no relatório de demonstrações financeiras do banco de desenvolvimento; projeto de cápsulas de café está entre os apoiados no ano passado

Inovação e tecnologia inéditas são os diferenciais da Monodor, empresa de origem suíça que, no Brasil, tornou-se a primeira a produzir cápsulas monodoses de café com o padrão internacional da Nespresso. Localizada em Varginha, no Sul de Minas, a fábrica é um dos projetos concretizados em 2025 a partir do financiamento do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).

GOV. MG

“Além da localização estratégica, considerando o mercado do café em Minas Gerais, encontramos no estado as melhores condições para empreender, inclusive as linhas de crédito do BDMG”, conta o CEO da Monodor, Ricardo Flores. O negócio, inaugurado em novembro de 2025, tem o potencial de transformar o setor cafeeiro nacional e exemplifica o impacto da atuação do BDMG para fortalecer o setor produtivo mineiro.

Impactos

O acesso ao crédito diferenciado do BDMG contribuiu para que a Monodor decidisse instalar sua fábrica em Minas Gerais. O CEO da empresa explica que, até então, as marcas que desejavam ter o café em cápsulas compatíveis ao modelo Nespresso precisavam importar produtos para realizar o processo ou realizar as etapas fora do país.

“A nossa tecnologia agrega até cinco vezes o preço da commodity. Entregamos uma cápsula de café com as técnicas e qualidade da Suíça”, afirma Ricardo Flores. O projeto inclui ainda um Centro de Inovação e Desenvolvimento para embalagens.

Com capacidade de fabricar até 5 milhões de cápsulas por mês, a indústria atende clientes que produzem a partir de seis sacas de café. A projeção é começar a exportar para Chile e Argentina em 2026.

Crescimento robusto

Em 2025, o BDMG financiou quase 6 mil empresas de todos os portes, segundo o relatório de administração divulgado pela instituição. As operações chegaram a quase 90% dos 853 municípios mineiros e fecharam em R$ 4,4 bilhões em créditos liberados, um recorde renovado pelo terceiro ano seguido, e que estimularam a geração de 104 mil empregos em Minas Gerais.

Com o crescimento da atuação para impulsionar empresários e prefeituras, o BDMG encerrou 2025 com um lucro líquido de R$ 185 milhões, 37% superior ao do ano anterior.

“Os resultados são robustos e demonstram que o BDMG entrega um crédito acessível que atende às necessidades dos empresários e das prefeituras. Com boa governança, ampliamos os impactos sociais catalisados pelos financiamentos, como a geração de empregos”, afirma o presidente do BDMG, Gabriel Viégas Neto.

Ainda segundo as demonstrações financeiras divulgadas pelo BDMG, os financiamentos aos micro e pequenos negócios somaram R$ 530 milhões em 2025. Já para as médias e grandes companhias foram R$ 3,5 bilhões em créditos, um avanço de 41%, incluindo o agro.

Os créditos liberados apenas para os empresários do agronegócio saltaram 70% em relação ao ano anterior, chegando a R$ 2,5 bilhões. O volume representa mais da metade de todos os financiamentos realizados.

O relatório também aponta avanços em índices que refletem a solidez financeira do banco. O saldo de carteira do BDMG fechou 2025 em R$ 9,2 bilhões, crescimento de 16%. O Patrimônio Líquido da instituição encerrou o ano no patamar de R$ 2,4 bilhões. Já o volume de captações ficou em R$ 2,3 bilhões, sendo R$ 1,4 bilhão em instrumentos locais.

“O acesso ao crédito é um dos principais motores do desenvolvimento econômico, porque permite que empresas inovem, cresçam e gerem empregos. É assim que seguimos criando oportunidades e promovendo um crescimento mais equilibrado em Minas Gerais”, explica a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), Mila Corrêa da Costa.

 

Governo de Minas realiza leilões de PPPs para travessias de Furnas e modernização de escolas estaduais

Projetos somam mais de R$ 5,3 bilhões em investimentos e vão beneficiar transporte no Sul de Minas e cerca de 70 mil estudantes da rede estadual

O Governo de Minas realizou, nesta segunda-feira (30/3), na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo, dois leilões de projetos estruturantes de Parcerias Público-Privadas (PPPs), com foco na melhoria da infraestrutura de transporte e da rede estadual de ensino.

GOV. MG

As iniciativas, conduzidas pela Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra), em parceria com Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), somam investimentos expressivos e visam ampliar a qualidade dos serviços prestados à população.

No leilão da concessão para a operação, manutenção e modernização das travessias aquaviárias no lago de Furnas, no Sul de Minas, a vencedora foi a Empresa de Navegação VJB Ltda, que ofertou o maior desconto na contraprestação mensal máxima a ser paga pelo Poder Concedente à concessionária, no valor de R$ 1.112.610,63, o que representa um deságio de 8%.

O secretário de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias, Pedro Bruno, reforçou que o leilão marca um passo decisivo para a modernização da mobilidade na região.

“Trata-se de uma concessão de 30 anos que, certamente, trará desafios ao longo de sua execução, mas contamos com o melhor corpo técnico da administração pública para assegurar, com rigor e responsabilidade, a entrega de resultados concretos para os mais de 300 mil mineiros diretamente impactados. Essa iniciativa tem potencial para transformar a realidade do transporte e da mobilidade no entorno do lago”, comemorou.

Com investimentos estimados em cerca de R$ 280 milhões ao longo de 30 anos, a concessão vai beneficiar 52 municípios com um transporte mais seguro, regular e eficiente.

“Esse é um projeto que começou em 2021 e chegamos aqui hoje nesse leilão bem-sucedido. É uma solução estruturante para região e a expectativa é grande para mudar a realidade”, afirmou a diretora de Infraestrutura e PPPs da Codemge, Fernanda Alen.

O sistema passará a contar, por meio da PPP, com padronização de serviços e tarifas, maior frequência, horários fixos, renovação das balsas e reforço na segurança, impulsionando o desenvolvimento regional, o escoamento da produção agrícola e o turismo.

Infraestrutura Escolar

No segundo leilão do dia, o IG4 BTG Pactual Health Infra venceu o certame que contempla a PPP para a gestão e manutenção da infraestrutura de 95 escolas da rede pública estadual, distribuídas em 34 municípios mineiros. O lote global foi vencido pela proposta de R$ R$22.350.000,00 de contraprestação, equivalente a um deságio de 14,17%.

O projeto, conduzido em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (SEE), prevê investimentos superiores a R$ 5,1 bilhões ao longo de 25 anos em serviços não pedagógicos, como manutenção predial, fornecimento de utilidades (água, energia, gás e esgoto), limpeza, jardinagem, tecnologia da informação, vigilância e controle de acesso.

Para o secretário de Estado de Educação, Rossieli Soares, esse é um projeto visionário, que vai levar mais qualidade diretamente à ponta, onde a sociedade percebe, de fato, o serviço público sendo entregue.

“Essa PPP representa uma oportunidade inovadora para a educação em Minas Gerais e pode servir como referência para que o Brasil avance ainda mais em experiências semelhantes”, frisou.

A iniciativa deve beneficiar cerca de 70 mil estudantes, ao garantir maior agilidade na resolução de demandas estruturais e na execução de melhorias nas salas de aula, bibliotecas, laboratórios, cozinhas e refeitórios, além de áreas externas como quadras, pátios e espaços de convivência.

“Esse não é mais um projeto de infraestrutura, mais um projeto de PPP, é o Governo de Minas também demonstrando que nós atuamos na infraestrutura social como uma nova fronteira de relacionamento público-privado que traz qualidade para vida de nossas crianças e adolescentes, fazendo com que a infraestrutura seja um dos elementos para melhorar a performance da educação”, afirmou Gabriel Fajardo, diretor de Concessões e Parcerias da Codemge.

A gestão pedagógica permanecerá sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Educação, enquanto os diretores das unidades seguirão atuando na fiscalização dos serviços prestados, assegurando a integração entre a gestão educacional e a infraestrutura.