Fundação João Pinheiro lança primeira plataforma do país a agregar dados estratégicos de Ciência, Tecnologia e Inovação

Desenvolvido a partir de demanda do Governo de Minas e com recursos da Fapemig, painel traz informações em base integrada de dados inédita no Brasil

Mais de 600 indicadores de 30 anos de dados estratégicos de Ciência, Tecnologia e Inovação de municípios, estados, regiões e país, com opções de visualização em gráficos, mapas interativos, tabelas, relatórios consolidados por região, tudo isso com acesso rápido e gratuito. Este é o resumo da plataforma Mapa Brasil C&T, lançada nesta quinta-feira (14/5), pela Fundação João Pinheiro (FJP).

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Inédita no país, a iniciativa surgiu a partir de uma demanda da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG) e recebeu financiamento do HubMG Gov, programa de inovação aberta do Governo de Minas coordenado pela Sede e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

A nova plataforma consolida dados de diversas fontes oficiais para a análise das capacidades científicas e tecnológicas brasileiras por meio de cinco dimensões estratégicas. Até então, o acesso a esse tipo de informação exigia horas de cruzamento de dados extraídos de diferentes fontes. Com o Mapa Brasil C&T, os dados oficiais são fornecidos em segundos.

“A partir dessa plataforma, conseguiremos promover melhorias nas políticas públicas, mais transparência e melhor acesso a todos esses dados, que são de extrema importância para todos aqueles que trabalham no setor público e privado, bem como para aqueles que querem fazer inovação em Minas Gerais”, destaca o subsecretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Sede-MG, Lucas Mendes.

A presidente da Fundação João Pinheiro, Luciana Lopes, reforça o caráter inovador e pioneiro da iniciativa ao integrar dados oficiais para oferecer uma visão subnacional abrangente do sistema científico e tecnológico brasileiro. “O Mapa Brasil C&T é estratégico por permitir que gestores públicos e privados compreendam os ecossistemas locais de inovação, identifiquem oportunidades e possam obter dados e informações confiáveis para embasar decisões de políticas públicas e de investimentos”, afirma.

Por meio da plataforma, gestores públicos de todo o país poderão comparar regiões, acompanhar tendências, gerar diagnósticos e acessar com facilidade informações sobre a produção científica e tecnológica, a infraestrutura, financiamento e os recursos humanos na área de C&T no Brasil.

Além de uma enorme economia de tempo, isso significa que a administração pública poderá avaliar o potencial de C&T de determinada localidade e potencializar o planejamento e a criação de políticas de inovação, além de otimizar o direcionamento de recursos, fatores imprescindíveis em um país com dimensões continentais como o Brasil.

De acordo com Gustavo Cançado, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fapemig, o projeto traz um olhar importante sobre os resultados da Fapemig e da ciência em Minas Gerais. “Isso nos ajuda a melhorar os processos. O projeto disponibiliza muitos dados relacionados à ciência, tecnologia e inovação, nos permite mapear questões relevantes e, acima de tudo, a planejar melhor as ações futuras da Fapemig”, diz.

Minas Junina 2026 fortalece cultura popular, movimenta o turismo e amplia circuito de festejos em todo o estado

Iniciativa deve mobilizar mais de 400 municípios e cerca de 700 eventos em todo o território mineiro

O Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG) e Cemig, lançou nesta quinta-feira (14/5), em coletiva de imprensa no Palácio da Liberdade, o Minas Junina 2026 como uma grande celebração da cultura popular e das tradições que atravessam gerações em todas as regiões do estado.

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Integrando o programa Minas Essencial, a iniciativa reforça a conexão entre cultura, turismo e desenvolvimento regional. Com previsão de mobilizar mais de 400 municípios e cerca de 700 eventos em todo o território mineiro, o Minas Junina consolida-se como uma política estruturante de valorização das manifestações populares, fortalecendo a identidade cultural dos territórios e ampliando a circulação de visitantes pelo estado entre maio e julho.

“Essa campanha é fundamental na consolidação da atração de turistas e no fortalecimento da economia criativa. Em 2025, foram mais de 3,5 milhões de visitantes transitando em Minas Gerais com esse foco de participar dos festejos do Minas Junina, e, neste ano, nós temos a perspectiva de crescimento para além de 10%, tanto no número de festividades quanto de municípios participantes, e, consequentemente, no número de turistas”, destacou a secretária de Estado Adjunta de Cultura e Turismo, Josiane de Souza.

A estratégia de promoção inclui ampla divulgação por meio do portal Minas Gerais, redes sociais e campanhas integradas de promoção turística, ampliando a visibilidade dos destinos mineiros dentro e fora do estado.

O objetivo é fortalecer o estado como um dos principais destinos brasileiros do turismo cultural e de experiência durante o período junino.

“A partir de hoje, nós estamos abrindo o cadastro para os municípios inscreverem suas programações no portal Minas Gerais, o que gera um grande portfólio com todos os eventos do estado. Ao integrar o Minas Junina, os municípios também pontuam em dois programas importantes: o ICMS Turismo e o ICMS Cultural”, ressaltou a subsecretária de Turismo, Patrícia Moreira.

Arraiá da Liberdade

Entre os destaques da programação está o Arraiá da Liberdade, que recebe o 3º Arraial Dona Lucinha, no dia 27/6, a partir das 15h, nos jardins do Palácio da Liberdade.

O evento reúne manifestações culturais de diversas regiões do estado, com apresentações de quadrilhas, grupos tradicionais, música, gastronomia e experiências que celebram a diversidade da cultura popular mineira.

A ambientação da feira gastronômica contará com estandartes do artista plástico Marcelo Brant, de Diamantina, e a cenografia terá participação especial do artista plástico Léo Piló.

“Nós fizemos dois pequenos arraiás dentro do restaurante Dona Lucinha, e agora nós viemos para os jardins do Palácio da Liberdade com uma alegria imensa de estar nesse lugar tão maravilhoso. Aqui nós vamos trazer atrações culturais diversas, fazendo a conexão do interior com Belo Horizonte”, celebrou a curadora e chef Márcia Nunes, filha de Dona Lucinha.

A programação contempla Oficina de Guisadinho Mineiro com a chef Elzinha Nunes, também filha de Dona Lucinha; o cortejo de abertura com o grupo A Dança dos Caboclos do Congado do Serro; a participação do cordelista Paulinho Ferreira; apresentações do Batuque na Cozinha e do Trio Petronilho; além do encerramento com a tradicional quadrilha junina São Gererê.
Interior

O Minas Junina também reforça o protagonismo do interior na construção da identidade cultural mineira. Em cidades como Pavão, Paraopeba, Janaúba, Jequitinhonha, Itinga, Monte Azul, Lagoa da Prata e São João Nepomuceno, os festejos movimentam comunidades inteiras e transformam as tradições juninas em experiências que unem fé, música, gastronomia e hospitalidade.

Também integram a programação a 19ª Festa do Maior Pé de Moleque do Mundo, em Piranguinho, no Sul de Minas; o São João e Festival Sons e Sabores do Nordeste, em Extrema; além de dezenas de arraiais, festas comunitárias e celebrações religiosas espalhadas por todas as regiões mineiras.

Minas aplica quase 17 mil doses em ação de vacinação nas escolas

Mobilização aproximou imunização da comunidade escolar e reforça importância de manter caderneta de crianças e jovens atualizada

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O Governo de Minas aplicou cerca de 17 mil doses durante a Semana de Mobilização e Vacinação nas Escolas, realizada entre 4 e 8/5. A ação levou imunização, orientação e cuidado ao ambiente escolar, facilitando o acesso de estudantes e profissionais da educação às vacinas do Calendário Nacional de Vacinação.
A iniciativa foi promovida pelas secretarias de Estado de Saúde (SES-MG) e de Educação (SEE-MG), em escolas públicas participantes do Programa Saúde na Escola (PSE). Mesmo com a mobilização concentrada na última semana, a vacinação continua disponível nos municípios. Crianças e adolescentes com doses em atraso devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para atualizar a caderneta.
“A ação de vacinação nas escolas demonstra o compromisso do Governo de Minas com a saúde da população mineira. Quando a vacina chega ao ambiente escolar, ampliamos o acesso, orientamos as famílias e fortalecemos a proteção de crianças, adolescentes e profissionais da educação”, afirmou a superintendente de Vigilância Epidemiológica da SES-MG, Aline Lara Cavalcanti.
Ao todo, cerca de 355 municípios aderiram à estratégia. Durante o período, foram aplicadas quase 17 mil doses nas escolas. O resultado representa crescimento de mais de 40% no número de doses aplicadas no período da campanha.
Entre os imunizantes ofertados estavam vacinas contra meningite ACWY, HPV e dengue, além de outras previstas no Calendário Nacional de Vacinação, conforme a idade e a situação vacinal de cada estudante.
Proteção desde a infância
A vacinação previne doenças, reduz surtos, evita casos graves e protege a coletividade. No ambiente escolar, essa estratégia ganha força porque aproxima o serviço de saúde das famílias e contribui para que crianças e jovens cresçam mais protegidos.
Durante a mobilização, as equipes de saúde conferiram os cartões e aplicaram as doses necessárias. As ações foram organizadas pelos municípios, de acordo com a realidade de cada escola, com apoio das equipes da educação e orientação às famílias.
A SES-MG reforça que a participação dos pais e responsáveis é essencial. A orientação é verificar regularmente o cartão de vacinação, autorizar a imunização quando solicitado pela escola e procurar a UBS sempre que houver dúvida ou atraso.
Boas práticas
Para fortalecer a vacinação no ambiente escolar, a SES-MG realiza, em 2026, a primeira edição do Prêmio Amigos do Zé Gotinha, em parceria com a Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). A iniciativa vai reconhecer boas práticas de municípios e escolas que desenvolvem ações para ampliar as coberturas vacinais e incentivar a cultura da vacinação.
Participam automaticamente os municípios que aderiram ao Programa Mineiro de Imunizações em 2025. Escolas públicas e particulares também puderam inscrever relatos de experiências realizadas entre janeiro de 2025 e abril de 2026, conforme os critérios definidos em edital.
A premiação será entregue durante o 3º Congresso Brasileiro Defesa da Vacinação e o 1º Congresso Internacional de Imunização, que serão realizados nos dias 23 e 24/6, em Belo Horizonte.
Vacinação mais próxima
Desde 2023, o Governo de Minas já destinou mais de R$ 530 milhões para ações de vacinação. O Estado também repassou mais de R$ 100 milhões para a aquisição de 249 vacimóveis, que levam vacinas diretamente às comunidades.

Minas disponibiliza R$ 10 milhões para equipes universitárias desenvolverem soluções para desafios tecnológicos

Programa Santos Dumont retorna com foco em apoiar a formação tecnológica prática e o desenvolvimento de competências em inovação

O Governo de Minas, por meio de parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), retoma, nesta quinta-feira (14/5), o Programa Santos Dumont, chamada que disponibiliza R$ 10 milhões para incentivar o desenvolvimento de projetos de ciência e tecnologia por equipes universitárias.

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A iniciativa visa estimular equipes estudantis a conceber, desenvolver, construir e testar soluções, protótipos, experimentos e sistemas tecnológicos, promovendo a aplicação de conhecimentos acadêmicos na resolução de desafios tecnológicos concretos. As propostas devem ser submetidas até o dia 13/7, via Sistema Everest.

Confira aqui o edital completo

“Tecnologia e a inovação são fortes pilares para a criação de soluções relevantes para o setor produtivo e para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais”, diz a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, ao frisar o modelo de integração entre universidade, indústria e governo.

“Ao investirmos em projetos de equipes universitárias, também impulsionamos a vivência acadêmica inovadora e promovemos a atuação da tríplice hélice”, ressalta Mila Corrêa da Costa.

Despertando talentos

Retomado após sete anos, o programa incentiva a participação desses projetos em ações de divulgação científica, olimpíadas científicas, feiras tecnológicas, desafios de engenharia e competições educacionais de âmbito nacional e internacional.

“A chamada Santos Dumont nasce do diálogo entre a Fapemig, a comunidade acadêmica e as empresas. Uma vez que o estudante é inserido em um projeto prático e vivencia a prática dos laboratórios e competições, ele é estimulado a dar continuidade ao seu curso”, observa o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fapemig, Luiz Gustavo Cançado.

Para estudantes de engenharia, a participação em competição é uma oportunidade de aprendizado, de expandir redes de contatos e de ampliar o aprendizado da sala de aula para a realidade.

Gustavo de Abreu de Araújo é um desses exemplos. Enquanto estudante de Engenharia Mecânica na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ele integrou a equipe do Fórmula UFMG, com foco em veículos tipo fórmula da universidade e que recebeu apoio do programa para competir. Atualmente, ele é engenheiro do Grupo Stellantis.

“Participar do Fórmula UFMG foi uma oportunidade de ouro na minha vida. Olhando para trás, vejo a importância para a minha trajetória profissional. Assim que eu me formei, já tinha autoridade em assuntos automotivos”, lembra Gustavo de Araújo.

Linhas de Financiamento

A chamada se divide em duas linhas de financiamento: a Linha A, que disponibiliza até R$ 7 milhões, é destinada ao desenvolvimento de projetos e protótipos tecnológicos e recebe propostas de até R$ 200 mil; e a Linha B, que disponibiliza até R$ 3 milhões, é destinada à participação em competições tecnológicas e científicas, recebe até R$ 50 mil para eventos de abrangência nacionais (B1) e até R$ 120 mil para evento de abrangência internacional (B2).

Entre os itens financiáveis, estão a aquisição e licença de softwares, passagens, diárias, despesas de importação, taxas de inscrição, camisetas. Os coordenadores podem também solicitar Bolsa de Desenvolvimento em Ciência, Tecnologia e Inovação (BDCTI); Bolsa de Incentivo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Tecnológico (BIPDT) para servidores estaduais e Bolsa de Iniciação Científica e Tecnológica (BIC STEM). Os valores estão disponíveis no site da Fapemig.

Diários de uma mãe

Ana Maria Coelho CarvalhO – Bióloga

Minha mãezinha querida, que Deus a tenha, tinha o hábito de, já velhinha, sentar-se em sua cadeira de balanço e ficar pensando na vida. Em tudo o que já havia vivenciado ao longo de tantos anos. Em suas dores e em seus amores. Depois, começava a dar beliscões nos braços para sentir se ainda estava viva e se era ela mesma quem tinha passado por tudo aquilo…

Lembrando desse episódio, resolvi folhear os diários amarelados pelo tempo, que escrevi durante 23 anos, de 1982 a 2005. Comecei escrevendo diariamente. Depois, um resumo a cada mês e nos anos finais, um registro dos acontecimentos mais marcantes. Há fatos interessantíssimos.

O título dessa crônica poderia ser “Diários de uma esposa”, enfocando o relacionamento com o Zé, meu finado marido. Existem anotações assim: “É impossível conversar com o Zé, ele só quer saber de futebol. Neste final de semana, foi a cinco jogos e assistiu mais três na TV”(11/04/1982).

Poderia também se chamar “Memórias de uma professora de Biologia”: “ Hoje tive que ministrar três aulas teóricas porque não consegui as sanguessugas para as aulas práticas (23/04/1982)”. Jesus, lembrei-me de que colocava iscas em tanques de peixe para coletar esses anelídeos…

Ou poderia ser: “As confusões de uma família”, como no dia 26/03/1982, quando anotei : “Fui assistir ao show do Ivan Lins com a Karine e o Vinícius. A Karine “puxou o ronco” na hora do show. O Luiz Cláudio ficou sozinho tomando conta da casa, trancou tudo e dormiu. O Zé chegou, tocou a campainha, gritou, esmurrou a porta e ele não acordou. Teve que arrombar a janela do nosso quarto”.

Optei por abordar os causos dos filhos, acontecia de tudo. Por exemplo, nesse mesmo diário de 1982, eu com 33 anos; o Vinícius com 11; o Luiz Cláudio com 10; a Karine com 9; a Thaís com 7; e o Paulo Márcio com 5.

Logo no início do ano, o drama da Karine. Ela estudava na escola Pollyana e eu a transferi para a E.E. Enéas Guimarães. Já acordava chorando para não ir à aula; daí a Thaís dizia que também não iria. Eu empurrava as duas para o carro; chegavam na escola e não desciam; eu voltava e as colocava de castigo. No dia 25/02/82, escrevi, entre outros assuntos: “Fui com a Karine para a escola e fiquei duas horas sentada na escada para ver se ela se acostumava na sala; não queria me deixar ir embora”.

Em março, várias anotações sobre o Paulo Márcio, que também não queria ir para a escola porque tinha medo de que eu o esquecesse por lá (um dia esqueci mesmo). No dia 10/03: “À noite, a luta para os cinco fazerem os deveres de casa, o Vinícius chorando porque perdeu o estojo e a Thaís emburrada”.

Nesse mesmo mês, eu na UFU dando aulas, telefonam da escola dizendo que a Thaís estava com catapora. Escrevi, no dia 16: “Já acordei cansada. Deitei tarde e não dormi direito; a Thaís chorou. Ela dormiu na minha cama e eu, no colchão no chão” .

Depois, no dia 17, anotei: “A Thaís está tristinha e apaixonada com a catapora. Disse que está achando bom só porque o Paulo Márcio não está batendo nela, pois ele tem medo de pegar catapora. Mas daí ele disse que vai dar um soco bem rápido nela”.

Acabou que ele pegou catapora mesmo e também a Janaína, a amiguinha da Thaís. E, no dia 18/04, o Paulo Márcio armou uma armadilha para derrubar a Thaís quando ela fosse apertar a campainha.

Lendo apenas quatro meses desse ano, é possível entender minha correria em dar e preparar aulas, levar as crianças para todo lado, socorrer nas doenças, nas brigas e nos deveres, ser dona de casa, participar de vários projetos universitários. Algumas frases anotadas: “Hoje o Luiz Cláudio perguntou por que não fico sendo apenas dona de casa’; “Fiquei em casa de manhã, o Paulo Márcio fica todo feliz, aproveita e não sai de perto de mim. E daí vem aquela dor de consciência de ficar tanto tempo longe dos filhos, mas fazer o quê…”

Bem, li apenas um pouco do primeiro diário- cansei só de ler. “Pulei” vários anos e fui folhear o começo de 1999, quando o meu sexto filho, João Lucas, estava com quase cinco anos.

Encontrei a descrição deste fato: “Aconteceu uma reunião na escolinha onde o João Lucas estuda, e as mães reclamaram que os filhos estavam aprendendo palavrões na escola. Concordei com isso, pois lá em casa ninguém falava palavrões e o João Lucas começou a falar. Por exemplo, o Zé outro dia estava assistindo ao programa da Tiazinha na TV, ela com um chicotinho e um collant preto com ligas. O João Lucas entrou na sala, olhou e disse: – Pai, olha a perereca dela! E o Zé, bravo: -Olha o quê? E o João Lucas: -Ah, não, olha o cu dela! Piorou…”

E muitas outras anotações interessantes e engraçadas sobre ele, como quando estava concentrado ouvindo, na TV, uma moça informando as condições meteorológicas- chove aqui, faz sol ali etc- e ele, indignado: -Por que esta moça sabe tudo e eu não sei?

Ou então as perguntas difíceis que ele fazia, nessa idade:- O Deus sonha? Índio escova dente? Porque ladrão não trabalha? Mãe, o que é canela? E depois que expliquei direitinho sobre a canela (casca de árvore), ele perguntou: – Então, o que é “bati a canela”?

Enfim, nos diários dos últimos anos, há anotações sobre os filhos adolescentes, depois universitários, casados… Os primeiros namoros, as festas, as alegrias e dificuldades na universidade, as viagens, os casamentos… Daria uma enciclopédia, com muitos volumes.

Concluindo, fiquei impressionada com tantas coisas que já vivenciei e de que nem lembrava mais. Agora, vou sentar na cadeira de balanço que herdei da minha mãezinha querida e também vou me beliscar e perguntar –Santo Deus, será que fui eu mesma quem passou por tudo isso?