Eleição/2026

Tania Tavares – Professora – SP

Dúvida atroz: e se nas pesquisas para Presidente da República as pessoas estiverem blefando esperando uma terceira via? E se o voto nulo for o ganhador, leva?

A guerra continua…

Marília Alves Cunha – Educadora e escritora

A guerra não esmoreceu entre Rússia e Ucrânia. Pessoas continuam morrendo, famílias se separam, cidades são destruídas, bombas explodem em clarão no céu. Choros escorrem, lamentos se levantam e morrem sem ecos, animais assustados são sacrificados ou morrem de fome…

Nós, de longe, quase não ouvimos mais falar dela, da guerra. Notícias poucas, a mídia tem outras manchetes, guerra velha e feia não tem mais lugar nos centro das atenções. Ficou natural, banalizou-se, acabou-se a novidade, mesmo que a morte e a violência, o desamparo e o medo continuem seu trabalho. É assim hoje, tudo rápido como o raio que corta o céu ou como a exígua vida de um girassol. Como a nossa ânsia besta por um acúmulo de informações que levam a nada…

Deixo aqui, completando o texto, tristes palavras de Mahmoud Darwish, poeta e escritor palestino já falecido.

“A guerra terminará e o líderes apertarão as mãos. Ficará aquela velha á espera do filho mártir, aquela mulher á espera do marido e aquelas crianças á espera do pai herói.
Não sei quem vendeu o país, mas vi quem pagou o preço.”

Nem tudo precisa virar discussão Quando o diálogo vira imposição

Diógenes Pereira da Silva – Tenente do Quadeo de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG.

Nem tudo precisa virar discussão
Quando o diálogo vira imposição

As redes sociais, especialmente quando o assunto é política, se transformaram em um verdadeiro campo de batalha. Não de ideias, mas de egos. O que deveria ser debate virou disputa. O que deveria ser argumento virou ataque. E o mais preocupante: muita gente já não percebe mais a diferença.

Hoje, praticamente toda conversa acaba no mesmo lugar: política. Não importa o assunto inicial, cedo ou tarde ele descamba para direita contra esquerda, como se o mundo se resumisse a isso. Discordar deixou de ser algo natural e passou a ser tratado como afronta. Há uma necessidade quase obsessiva de vencer o outro, de impor a própria visão, de ter a última palavra.

Participo de grupos de mensagens e vejo isso de perto. Na prática, me tornei mais um observador. Não por falta de posicionamento, mas por excesso de desgaste. Há pessoas que não conversam, não escutam e não admitem a mínima possibilidade de estarem erradas. Para elas, o mundo se divide entre os que concordam e os que precisam ser combatidos.

E há um detalhe ainda mais incômodo: a repetição. Os mesmos discursos políticos, as mesmas frases prontas, todos os dias, como um eco infinito. A impressão é que pensar dá mais trabalho do que repetir. E talvez dê mesmo.

Nesse cenário, a frase de Arthur Schopenhauer soa menos como exagero e mais como constatação: “Quanto mais conheço os homens, mais estimo os animais”. Dura? Sem dúvida. Mas basta observar o comportamento de muitos para entender o desconforto que ela provoca.

A pergunta inevitável surge: por que permanecer nesses espaços? Porque é neles que as máscaras caem. É ali, no calor das discussões, que se revela o que muitas vezes ficou escondido por anos. E nem sempre o que aparece é agradável. Já me surpreendi. Já me decepcionei.

Ficar um dia longe de um grupo e voltar para centenas de mensagens, quase sempre sobre as mesmas discussões políticas, no mesmo tom, não informa, não agrega, não aproxima. Apenas desgasta.

Opinar é um direito. Mas transformar qualquer conversa em confronto político é uma escolha. E talvez esteja passando da hora de reconhecer o quanto essa escolha tem custado caro para o convívio, para o respeito e para a própria sanidade.

Emendas e penduricalhos

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – Economista – RJ

Qual seria a diferença entre as emendas parlamentares e os penduricalhos do judiciário, MP, tribunais de contas e órgãos assemelhados? Nenhuma é a resposta correta. Em comum todos têm como origem recursos públicos e todos inconstitucionais. Custo benefício ZERO para o país. Apenas privilegiam de forma ilegal e imoral classes de servidores que decidem ao arrepio das leis suas imorais benesses. Traduzindo em miúdos: corrupção institucionalizada. Não têm moral para chamar ninguém de corrupto.

A Vida como Ela é

Diógenes Pereira da Silva – É Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG

Vivemos em uma época em que a vida virtual passou a ocupar um espaço cada vez maior na rotina das pessoas. Basta abrir as redes sociais para encontrar um mundo aparentemente perfeito: sorrisos constantes, viagens, festas, conquistas e felicidade sem fim. Ali, quase ninguém mostra as lágrimas, as noites sem dormir, as preocupações ou os momentos de desânimo.

A vida real, no entanto, é bem diferente. Ela não permite filtros nem edições. Existem dias em que tudo parece dar errado, em que o cansaço vence a disposição, os problemas se acumulam e a esperança parece enfraquecer. São momentos que testam nossa fé, nossa paciência e nossa capacidade de continuar caminhando.

Poucos percebem que ninguém constrói sua história sozinho. Somos dependentes uns dos outros desde o primeiro até o último dia de vida. O alimento que chega à nossa mesa é fruto do esforço do agricultor, do pecuarista, do caminhoneiro, do comerciante e de tantos outros trabalhadores anônimos. A roupa que vestimos, a energia que ilumina nossa casa, o atendimento nos hospitais, a segurança nas ruas e tudo aquilo que faz parte da nossa rotina existe porque milhares de pessoas cumprem, diariamente, a sua missão.

Talvez um dos maiores erros da sociedade atual seja acreditar que felicidade significa ausência de problemas. Não significa. A verdadeira felicidade está na capacidade de enfrentar as dificuldades sem perder a dignidade, a esperança e a vontade de recomeçar. É nas tempestades que descobrimos nossa força e aprendemos o verdadeiro valor da família, dos amigos e da fé.

Os antigos costumavam dizer que apenas uma coisa não tem solução: a morte. Todo o restante, por mais doloroso que pareça, pode ser enfrentado com coragem, perseverança e confiança em dias melhores.

A vida nunca foi fácil e jamais será. Ela exige sacrifícios, renúncias e muito trabalho. Mas é justamente essa mistura de desafios e superações que dá sentido à nossa existência. Cada obstáculo vencido nos torna mais fortes, mais humanos e mais conscientes de que o maior patrimônio que possuímos não é o dinheiro, nem o sucesso ou a fama, mas a capacidade de seguir em frente quando tudo parece perdido.

A vida como ela é não se mede pelas fotografias publicadas nas redes sociais. Ela se revela no silêncio das lutas diárias, na coragem de quem não desiste, na solidariedade de quem estende a mão ao próximo e na esperança de acordar, todos os dias, acreditando que amanhã poderá ser melhor do que hoje.