por uberlandiahoje | jul 1, 2026 | Notícias |
Banco mineiro aponta alta de 40% na liberação de financiamento a empresas como a Vida Veg, que lidera mercado nacional de alimentos 100% vegetais
Uma fábrica com máquinas interligadas por wi-fi e administradas por uma sala de controle em tempo real. O projeto inovador, desenvolvido pela mineira Vida Veg, em Lavras, no Sul de Minas, gera maior controle de qualidade, menor desperdício e um ganho de 30% em produtividade.
GOV. MG
No mês internacional das micro, pequenas e médias empresas, o plano de modernização da Vida Veg,
que lidera a produção de alimentos 100% vegetais no país, mostra o potencial desses empreendimentos no mercado. No estado, a atuação do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) tem sido decisiva para fortalecer essas empresas. Em 2026, o BDMG ultrapassou R$ 1 bilhão em créditos liberados para 4,5 mil empresas deste porte, incluindo a Vida Veg. O volume é 40% superior aos financiamentos realizados no mesmo intervalo de 2025.
“Um financiamento acessível em termos de taxas e prazo representa maior competitividade a esses negócios. Também é preciso ressaltar que essas empresas são responsáveis por gerar a maior parte dos empregos formais do estado. Por isso, fortalecê-las é estimular novas oportunidades de renda e transformar iniciativas promissoras em negócios que geram impactos positivos para a sociedade”, afirma o presidente do BDMG, Gabriel Viégas Neto.
Crédito potencializa projetos
O crédito do BDMG foi a “peça-chave” para a compra de novos equipamentos do projeto de automatização da fábrica da Vida Veg, segundo o COO do negócio, Arlindo Curzi.
“Os investimentos trouxeram mais segurança e controle às nossas linhas de envase. Estimamos um ganho de produção de 30%, menor desperdício de embalagens e redução do custo final. Estamos treinando os colaboradores e esse processo também é custeado pelo crédito captado junto ao BDMG”, afirma o executivo.
A empresa que produz iogurtes, queijos, sobremesas, entre outros itens à base de amêndoas, coco e aveia, busca ampliar o perfil de consumidores para além do público vegano.
“Ganhamos mercado entre as pessoas que não têm restrição alimentar, mas querem uma vida mais saudável. Pensamos em produtos que sejam acessíveis e que sejam de baixo impacto ambiental”, reforça Arlindo Curzi.
Ele lembra que a Vida Veg já havia acessado o crédito do BDMG para realizar um outro projeto que também tinha perfil de inovação e que viabilizou a produção de leites e energéticos que não precisam mais ser armazenados nem transportados em geladeiras. O investimento representou a ampliação dos negócios e a conquista de novos mercados, segundo Curzi. Em 2025, quando completou uma década, a empresa encerrou o ano com um faturamento de R$ 100 milhões, valor que estimam superar em 2026.
por uberlandiahoje | jul 1, 2026 | Notícias |
PIB do agronegócio de Minas Gerais alcança R$ 279 bilhões em 2025 e registra melhor resultado de série histórica
Resultado é apresentado pelo Governo de Minas durante a Expomontes, uma das principais feiras agropecuár
GOV. MG 
O Governo de Minas apresentou, na segunda-feira (29/6), durante a abertura oficial da Expomontes, em Montes Claros, no Norte de Minas, os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio do estado, que registrou em 2025 o maior valor da série histórica iniciada em 2010, com R$ 279 bilhões – uma participação de 24,1% no total da economia mineira. Os resultados foram apresentados pelo governador Mateus Simões.
O resultado do PIB, calculado pela Fundação João Pinheiro (FJP), representa um crescimento nominal de R$ 42,6 bilhões em relação aos R$ 236,3 bilhões registrados em 2024. A expansão foi impulsionada principalmente pela valorização dos produtos do setor (16%) e pelo volume de produção, que registrou variação positiva de 1,7% em termos reais.
“Não teria lugar melhor para divulgar os dados do PIB do agronegócio mineiro de 2025 do que na Expomontes. Lembrando que em 2024 o recorde foi batido, em 2023 o recorde foi batido e em 2025 nós voltamos a bater recorde: 15% de crescimento real do PIB do agro em Minas Gerais. Mais do que isso, o nosso PIB estadual saiu de 22.2% para 24.1%. Isso é absolutamente relevante”, destacou o governador Mateus Simões.
As estimativas da FJP indicam que a maior parte da variação nominal do PIB do agronegócio mineiro foi obtida no núcleo do complexo produtivo, ou seja, nas atividades primárias da agricultura, da pecuária e da produção florestal, que registraram expansão de 3,2% do Valor Adicionado Bruto (VAB) em termos reais (a preços constantes) e variação estimada de 36,5% nos preços. Em 2025, o VAB dessas atividades somou R$ 98,2 bilhões, o que representou um acréscimo de R$ 28,5 bilhões em relação aos R$ 69,7 bilhões aferidos em 2024.
Nos demais elos do complexo (agroindústria e serviços relacionados), o PIB passou de R$ 166,6 bilhões em 2024 para R$ 180,8 bilhões em 2025, com variação média de preços de 7,3% e acréscimo de R$ 14,2 bilhões na comparação com o ano anterior.
Os segmentos de fabricação de alimentos e de celulose também tiveram destaque, contribuindo positivamente para as atividades de comercialização, transporte e armazenagem, alojamento, alimentação fora do domicílio, e serviços financeiros. O estudo da FJP aponta ainda que o índice de volume do PIB do agronegócio cresceu acima da média da economia estadual – 1,7% contra 1,4%. A evolução média dos preços também foi mais favorável, com 16% contra 7,7%.
Durante a solenidade da Expomontes, foi concedida ao governador a Medalha de Mérito Rural, com a outorga do título de Associado Benemérito da Sociedade Rural de Montes Claros.
APL de carne de sol e charcutaria do Norte de Minas
Ainda na Expomontes, Mateus Simões anunciou que o Arranjo Produtivo Local (APL) de carne de sol e charcutaria do Norte de Minas será oficialmente reconhecido pelo Governo do Estado. A medida consolida a importância econômica, cultural e histórica da atividade para a região e abre novas oportunidades para o fortalecimento da cadeia produtiva local.
“Nós estamos falando do reconhecimento, pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), em promover a indústria da carne de sol e da charcutaria no Norte de Minas. Nós temos certeza que com a ajuda do Estado vamos conseguir fazer com que esse produto possa transcender as fronteiras de Minas Gerais. A nossa carne de sol ainda não é conhecida fora de Minas Gerais, quando as pessoas falam de carne de sol, elas estão pensando na carne que vem do Nordeste e nós sabemos que, pela qualidade da nossa charcutaria e da nossa carne de sol, nós temos uma condição muito clara, muito fácil de ingresso dessa carne nos mercados de outras cidades”, explicou o chefe do Executivo estadual.
Reconhecida como um dos principais símbolos da gastronomia norte-mineira, a carne de sol carrega tradição centenária e movimenta uma ampla rede de empreendedores, produtores rurais, frigoríficos, açougues, restaurantes, distribuidores e demais negócios ligados à cadeia da proteína animal.
O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa-MG), Thales Fernandes, destacou o potencial do produto em ser reconhecido nacionalmente. “A carne de sol vai ficar tão famosa quanto o queijo da Canastra, não tenho dúvida disso. Este é um momento muito oportuno para potencializar esta iguaria do Norte de Minas e levar este produto, que é tão característico da região, para todo o Brasil”, destacou.
Centro de Referência do Cerrado
Também foi anunciada a implantação do Centro de Referência do Cerrado, em Montes Claros, espaço que servirá para comercialização, realização de cursos de captação, palestras e realização de eventos. O novo centro contará com um investimento de R$ 4,5 milhões do Governo de Minas e outros quase R$ 3 milhões da Prefeitura de Montes Claros.
Os recursos foram aportados pelo Estado por meio do Programa Pró-Pequi, iniciativa voltada para a sustentabilidade das espécies nativas do cerrado.
IMA
O governador anunciou, ainda, a conclusão da reforma da Coordenadoria Regional do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) em Montes Claros, unidade responsável pelo atendimento de quase 50 municípios do Norte de Minas. A unidade recebeu investimento de mais de R$ 385 mil, com recursos do Acordo de Reparação de Brumadinho, firmado entre o Governo de Minas, o Ministério Público de Minas Gerais, o Ministério Público Federal, a Defensoria Pública de Minas Gerais e a Vale para reparar os danos provocados pelo rompimento das barragens, que tirou a vida de 272 pessoas e gerou impactos sociais, ambientais e econômicos na bacia do Rio Paraopeba.
As melhorias modernizaram infraestrutura, ampliar a acessibilidade e aprimorar as condições de trabalho e atendimento, proporcionando mais segurança, funcionalidade e conforto às instalações. A reforma fortalece a atuação do IMA na defesa agropecuária e no apoio ao setor rural na região.
por uberlandiahoje | jul 1, 2026 | Notícias |
Empreendimento integra maior plano de investimentos da história da companhia e amplia a confiabilidade do fornecimento de energia na Região Central
A Cemig e o Governo de Minas Gerais vistoriaram a Subestação Belo Vale, empreendimento que integra um plano de investimentos de R$ 53 milhões destinado à ampliação e modernização do sistema elétrico da região Central de Minas Gerais. A nova estrutura reforça a capacidade de atendimento da companhia, aumenta a confiabilidade do fornecimento de energia e beneficia diretamente cerca de 200 mil moradores dos municípios de Belo Vale, Moeda, Nova Lima e Ouro Preto.
GOV. MG
A subestação tem potência instalada de 15 MVA e foi acompanhada pela construção de 27 quilômetros de novas linhas de distribuição, ampliando a capacidade do sistema e criando novas alternativas operacionais para o atendimento dos clientes nas quatro cidades.
Além dos benefícios para a população, a nova infraestrutura elétrica fortalece a competitividade da região ao ampliar a capacidade de atendimento a importantes empreendimentos locais. Empresas como Minerinvest, Green Metals e Rosa do Vale serão diretamente beneficiadas pela melhoria da qualidade e da confiabilidade do fornecimento de energia, fator essencial para a expansão da atividade produtiva, geração de empregos e atração de novos investimentos para a região.
Para o presidente da Cemig, Alexandre Ramos, o empreendimento representa mais um passo da companhia na construção de uma rede elétrica mais moderna, robusta e preparada para acompanhar o desenvolvimento de Minas Gerais.
“A entrega da Subestação Belo Vale reforça a estratégia da Cemig de investir continuamente na expansão e modernização da rede elétrica em Minas Gerais. Além de aumentar a segurança e a confiabilidade do fornecimento para mais de 200 mil pessoas, a obra amplia a capacidade de atendimento da região e fortalece a resiliência do sistema elétrico diante do crescimento da demanda e dos desafios climáticos cada vez mais frequentes. Estamos construindo uma infraestrutura preparada para sustentar o desenvolvimento de Minas Gerais nos próximos anos”, afirma.
Além de ampliar a capacidade de fornecimento de energia, o empreendimento aumenta a flexibilidade operacional da companhia, permitindo manobras mais rápidas e eficientes em situações de manutenção. Na prática, isso significa uma rede mais resiliente, capaz de reduzir impactos para os clientes e garantir maior continuidade do serviço em uma região que tem apresentado crescimento econômico e aumento da demanda por energia.
Maior investimento da história da Cemig
Para preparar o sistema elétrico mineiro para os desafios dos eventos climáticos extremos, da transição energética e do crescimento da geração distribuída, a Cemig realiza o maior ciclo de investimentos de sua história. Entre 2019 e 2029, a companhia prevê aplicar cerca de R$ 70 bilhões na expansão, modernização e digitalização da infraestrutura elétrica em Minas Gerais, consolidando uma das maiores transformações já realizadas no setor elétrico brasileiro.
Os investimentos contemplam a construção e ampliação de 200 subestações, a digitalização de unidades estratégicas da rede, a implantação de 1,5 milhão de medidores inteligentes, a expansão das redes trifásicas no meio rural, a instalação de equipamentos de automação capazes de recompor automaticamente o sistema em caso de falhas e a implantação de sistemas avançados de monitoramento e controle em tempo real.
por uberlandiahoje | jul 1, 2026 | Notícias |
Governador Mateus Simões em pronunciamento
Crédito: Dirceu Aurélio / Imprensa MG
O governador Mateus Simões oficializou, nesta segunda-feira (29/6), o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade (RTIQ) do Requeijão Moreno Artesanal, que tem produção amplamente difundida no estado, especialmente no Norte de Minas Gerais.
A assinatura do documento ocorreu em Montes Claros, durante a cerimônia de transferência provisória da capital do Estado para a cidade.
O documento, elaborado pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e com consulta pública, estabelece padrões de produção, boas práticas de fabricação e normas de segurança sanitária, preservando o modo artesanal e secular de preparo.
A partir de agora, os produtores da tradicional iguaria poderão comercializá-la em todo o país. A medida permite, ainda, que eles saiam da informalidade, além de garantir maior segurança sanitária para os consumidores.
“Fico muito feliz de estarmos conseguindo viabilizar este produto para ser comercializado no mercado nacional, gerando ainda mais renda para o produtor. A certificação também vai diferenciar o requeijão moreno da Serra Geral, do Norte de Minas, com o que é produzido nos Vales do Jequitinhonha e Mucuri”, disse o governador.
“Celebramos uma conquista histórica: a regulamentação do requeijão moreno da Serra Geral e do Norte de Minas, uma iguaria que carrega tradição, identidade e sabor. Agora, esses produtores têm mais oportunidades para levar esse produto tão especial para todo o estado e para o Brasil”, afirmou o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes.
Tradição secular
O Requeijão Moreno Artesanal está presente há séculos na cultura alimentar do estado, com um modo de fazer que atravessa gerações. O produto possui consistência firme, coloração que varia do amarelo ao marrom, sabor levemente defumado e massa homogênea, sem olhaduras.
Além da importância cultural, a produção do Requeijão Moreno Artesanal tem grande relevância para a economia regional. Dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) apontam que os maiores volumes de produção estão nas regiões de Montes Claros (285,6 toneladas por ano), Serra Geral do Norte de Minas (283,4 toneladas), Almenara (229 toneladas) e Salinas (186,5 toneladas).
Na região da Serra Geral do Norte de Minas, destacam-se Serranópolis de Minas, com produção anual estimada em 75 toneladas; Porteirinha, com 63,5 toneladas; Riacho dos Machados, com 52 toneladas; e Mato Verde, com 20.520 quilos.
A construção do RTIQ foi reivindicada, em 2023, pela Associação dos Produtores de Queijo da Microrregião da Serra Geral. A partir daí, teve início o processo para regulamentação, que contou com ação conjunta da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), da Emater-MG, da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e do IMA.
Mesmo nome e receitas diferentes
Essa ação ocorre pouco mais de um mês após o Governo de Minas oficializar, em Teófilo Otoni, o RTIQ do Requeijão Moreno do Vale do Mucuri. Embora possuam nomes semelhantes, os dois requeijões apresentam características próprias. Ambos usam leite cru integral, creme de leite cru e sal, mas têm o modo de fazer e o uso de outros ingredientes, como a manteiga, distintos.
Uma das peculiaridades do Requeijão Moreno Artesanal é o uso de bicarbonato de sódio para neutralizar a acidez e manteiga de garrafa. Diferenças essas que interferem no sabor e consistência.
Cemig Agro
Também durante o evento houve o lançamento oficial do Cemig Agro Solar 24h, que prevê investimentos de até R$ 50 milhões para incentivar a instalação de sistemas de energia solar com baterias de armazenamento em propriedades rurais de Minas Gerais. A iniciativa busca aumentar a eficiência energética no campo, reduzir custos operacionais e garantir maior autonomia aos produtores. Nesta primeira etapa, as empresas especializadas (ESCOs), associações e instituições públicas ou privadas interessadas no desenvolvimento e na execução dos projetos deverão apresentar suas propostas à Cemig. As inscrições para empresas fornecedoras vão até 10/7 e a adesão dos produtores será aberta em seguida.
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João Batista Domingues Filho – Cientista Político – Professor UFU/INCIS
Se os católicos brasileiros por obediência ao seu Deus oferecem esmolas aos pobres, o desenvolvimento do nosso Estado de bem-estar depende da erradicação da miséria no país. Essa meta, antes projetada para 2014, não se concretizou, mas permanece como horizonte normativo das políticas públicas contemporâneas. Segundo dados recentes, o Brasil ainda convive com níveis relevantes de pobreza (cerca de 23% da população) e extrema pobreza (em torno de 3,5%), embora tenha havido melhora recente após os anos críticos da pandemia.
Na sociedade moderna ocidental criou-se o imperativo de tratar seus membros de maneira igualitária. Os seres humanos são fundamentalmente iguais entre si: ideal social com força prática. Igualdade social: as pessoas devem ser tratadas como iguais em todas as esferas institucionais que afetam suas oportunidades de vida: educação, trabalho, consumo, serviços sociais, relações domésticas e saúde. Igual possibilidade de alcance dos benefícios que a sociedade torna disponível.
Críticos conservadores denunciam que a busca da igualdade é incompatível com a liberdade, porque destrói os incentivos criados pela economia de mercado. Ainda afirmam que a busca de igualdade pelo Estado é fútil, pois novas formas de desigualdade, inevitavelmente, surgirão para ocupar o lugar das que foram suprimidas. Nas democracias ocidentais prevalece a igualdade de renda como um valor fundamental, com maior igualdade de situação material. O igualitarismo moderno, sustentado pelo Estado contemporâneo, advém da preocupação com a Justiça, para evitar a exploração do homem pelo homem no mercado.
O ideal da igualdade social é negado pelo pressuposto de que o mercado, em si, garantiria a produção e distribuição de bens e serviços. A desigualdade surge como algo inevitável, pois existem as desigualdades substanciais relativas ao sucesso e fracassos das pessoas na concorrência do mercado. O Estado é para garantir a liberdade e condições de igualdade das pessoas em situação de mercado. A igualdade social de mercado deve ser promovida pelo Estado, reforçando as instituições públicas e privadas que alocam bens e serviços. Este é o principal argumento contra o Estado erradicar a miséria no Brasil — argumento que, à luz dos dados recentes, precisa ser relativizado diante do impacto efetivo das políticas de transferência de renda.
Bolsa Família é um programa social bem-sucedido: mais de 20 milhões de famílias atendidas em anos recentes, com cobertura ainda próxima de 19 milhões de lares em 2026, com impacto considerável para diminuir a pobreza e a desigualdade de renda. Seu custo, hoje, situa-se em torno de 1,4% a 1,5% do PIB — significativamente acima dos cerca de 0,4% observados em seus primeiros anos — o que revela tanto sua ampliação quanto sua centralidade na política social brasileira. Sem esse tipo de transferência, estimativas indicam que a extrema pobreza poderia alcançar cerca de 10% da população, o que evidencia seu papel imediato na contenção da miséria.
Quem fez isso no Brasil recebeu o voto nas eleições. Uma troca justa. O Estado faz a transferência de recursos condicionadas a matricular os filhos na escola e manter a vacinação em dia. A desigualdade no Brasil diminuiu, ainda, em função da sofisticação das políticas públicas e o melhor desempenho econômico. Entretanto, os avanços não foram lineares: o país experimentou retrocessos significativos na última década, o que demonstra a fragilidade estrutural da redução da pobreza quando não acompanhada de crescimento consistente e políticas estruturantes.
Há algumas décadas tínhamos quatro em dez na pobreza, hoje cerca de um em cada quatro brasileiros ainda se encontra nessa condição. Problemas: qualidade das escolas públicas e a situação do saneamento básico no Brasil. Aumento de doenças na infância com diminuição do aprendizado dos pobres da Bolsa Família. Mais problemas: como sair da dependência da Bolsa Família, cujo impacto é claro na renda imediata, mas ainda limitado na transformação estrutural das capacidades cognitivas e não cognitivas, enquanto habilidades necessárias para a inserção produtiva no mercado de trabalho, para jovens e adultos. A questão central deixa de ser a existência do programa e passa a ser sua articulação com políticas de educação, qualificação e geração de renda.
Os cidadãos sofrem de privação relativa quanto à capacidade de obter alimento, educação, saúde e trabalho. São necessidades básicas sem as quais as pessoas não podem desempenhar seus papéis como cidadãos plenos da sociedade brasileira. Assim, o desafio contemporâneo não é apenas reduzir a pobreza, mas interromper sua reprodução intergeracional, transformando proteção social em autonomia econômica duradoura.