País do futuro?

Marília Alves Cunha – Educadora e escritora

Mais que um país do futuro (já não acredito tanto nisto), hoje é um país de contrastes, dominado por antagonismos, corrupção, perseguição, autoritarismo, injustiças. Neste ano, daqui a poucos dias, teremos importantíssimas eleições, pois podem mudar completamente o ritmo deste andar: ou continua como está, dando passos atrás em todos os aspectos, com um governo fraco, incompetente, sem realizações, minado de corrupção ou persegue um novo modelo, onde reine absoluta a vontade de andar em frente, perseguir não oponentes, mas a vontade de prosperar, de desenvolver-se. Um Brasil que caminhe firme em busca da prosperidade, não de alguns, mas de toda a nação.

O governo atual continua fazendo sua propaganda enganosa, andando pelo Brasil, tentando mostrar o que não existe, tentando seduzir por palavrório populista um povo que não se ilude mais. Dia desses tivemos um impressionante exemplo de como este governo age para mentir aos eleitores que está realizando, que obras não estão paradas. A princípio não acreditei no que estava vendo: Lula apressou-se em inaugurar uma ponte que não existe, um trecho de estrutura hidráulica que desmanchou-se aos olhos de todos ao primeiro pingo de água e um triste túnel feito de um container velho e enferrujado. Santo Deus, julgam mal o povo brasileiro, subestimam o povo brasileiro, abusam de sua boa vontade. Lula exige respeito, mas não se dá ao respeito, como fica patente nesta exibição esdrúxula de obras…

O Brasil já tem leis demais, muitas completamente esquecidas ou desrespeitadas. A própria Constituição Federal tem sido jogada de lado quando interesses escusos se adiantam e mais vale desrespeitar as regras constitucionais. Afinal de contas, “os fins justificam os meios”, este o lema dos governos petistas para mantença do poder. A liberdade de expressão, por exemplo, pedra angular do Estado Democrático de Direito, indispensável para o exercício da cidadania e à manutenção de uma sociedade livre e plural, tem sofrido livres interpretações, dependendo da ocasião e das pessoas que a ela se sujeitam. A Constituição Federal não é uma concessão, uma coisa que se dá e tira quando necessário a certos interesses. É um pilar solidamente construído pelos constituintes originários na Constituinte de 1988. A intromissão do judiciário impondo sobre o assunto, suscita graves questionamentos sobre o ativismo judicial e a usurpação de competências do poder legislativo. Um super dimensionamento do poder judiciário, contrastando com um encolhimento absurdo do poder legislativo e, em consequência, a castração da voz do povo que, de acordo com nossa Lei maior, deveria ser soberana.

Uma prova inigualável dos contrastes existentes neste país, prova imbatível da diferença de tratamento com que trata a nossa justiça pessoas que estão submetidas a sua égide, vemos claramente no momento presente: em 2018 Lula foi preso, acusado de crimes gravíssimos, sentenciado a mais de 12 anos de prisão. Ficou preso em departamento da PF em Curitiba. Neste tempo (pouco) em que esteve preso Lula comportou-se e foi tratado como se estivesse hospedado em um hotel: recebeu inúmeras visitas, inclusive de autoridades estrangeiras como José Mujica e outros, namorou à vontade com dona Janja, deu entrevistas a rodo, fazendo política com Haddad e outros petistas de alto escalão. Teve a sua porta um pequeno grupo de petistas fazendo barulho, gritando obstinados “Lula livre” e fazendo discursos desarrazoados. Com Bolsonaro tudo se diferencia, por decisão de Alexandre de Moraes e silêncio do plenário do STF. É tratado como se fosse o maior criminoso do mundo por faltas que não cometeu. Sua prisão domiciliar virou uma masmorra, onde nem família pode entrar, onde a casa é vigiada diuturnamente por policiais, onde tem que imperar o silêncio e duros castigos para quem é respeitado e amado pelo seu povo. Aliás, a história de Bolsonaro e a perseguição contra sua pessoa só tem um objetivo: impedir sua participação na política brasileira, pelo perigo que representa à esquerda. Pelo perigo que representam suas ideias e ações patrióticas, seus propósitos democráticos e sua acolhida pelo povo brasileiro que, há muito tempo, cansou-se de ouvir o discurso vazio e lenga-lenga da esquerda, baseados apenas em pautas ideológicas. E abraçou com fé seu líder maior, Bolsonaro.

Isto é um país do futuro? Quem acredita mais nesse engodo? São assim os países socialistas: enquanto o povo sofre, cala e consente, através de suas atitudes reprimidas e obscurecidas pelo medo, os donos do poder se regalam, conscientes da impunidade que é marca registrada deste país.

PCC, CV e os Riscos para o Brasil

Diógenes Pereira da Silva – Tenente Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG

A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas gerou reações diversas no Brasil. À primeira vista, muitos enxergam a medida como mais uma ferramenta de combate ao crime organizado. E, de fato, ninguém em sã consciência defende facções criminosas que há anos espalham violência, corrupção e medo pelo país.

Mas a questão vai muito além disso.

O que está em debate não é a defesa do PCC ou do Comando Vermelho. O que está em debate é até onde um país estrangeiro pode influenciar decisões que dizem respeito exclusivamente ao Brasil. Quando os Estados Unidos classificam organizações brasileiras como terroristas, eles não apenas ampliam mecanismos de investigação e sanções financeiras. Também criam um precedente que merece atenção e reflexão.

Especialistas alertam que bancos, empresas e instituições financeiras poderão ser submetidos a controles ainda mais rigorosos, sob pena de sofrer restrições ou sanções internacionais. Isso pode gerar impactos econômicos importantes e aumentar a dependência de decisões tomadas fora das fronteiras brasileiras.

Confesso que vejo com preocupação o apoio irrestrito de alguns candidatos à Presidência da República, aos governos estaduais, ao Senado e à Câmara dos Deputados a essa iniciativa americana. Combater o crime é obrigação do Estado. Contudo, entregar a terceiros o poder de definir quem são nossos inimigos e quais instrumentos devem ser utilizados para combatê-los pode abrir um precedente extremamente perigoso.

Hoje a medida atinge facções criminosas. Amanhã, quem garante que o mesmo entendimento não será utilizado para pressionar instituições, setores econômicos ou até autoridades brasileiras?

O Brasil precisa enfrentar o crime organizado com firmeza, inteligência e dentro da lei. Mas essa luta deve ser conduzida pelas instituições brasileiras, respeitando nossa Constituição, nossa legislação e, acima de tudo, nossa soberania.

Defender a soberania nacional não é proteger criminosos. É defender o direito de o Brasil decidir seu próprio destino, sem interferências externas e sem abrir mão da independência que caracteriza uma nação verdadeiramente livre.

PORNOGRAFIA E CULTURA

Ivan Santos – Jornalista

Nem só de besteirol, mensalão e corrupção vivem os representantes do povo em Brasília. O jornal espanhol El País – um dos mais conceituados do mudo informou, no ano passado que um senador da República do Brasil iniciou uma séria discussão para classificar a pornografia como cultura. Se a intenção do sisudo senador vingar, os operadores de sistemas pornográficos se habilitarão a requerer verbas dos Programas Nacionais de Cultura operados pelo Ministério da Cultura. Comentou El País que “não se trata de uma discussão bizantina, mas prática, atual e se refere a uma decisão de alto nível para oferecer cultura aos trabalhadores que ganham menos de R$ 2000. Estes terão direito a uma “Bolsa Cultura” para pagar cinema, teatro, concerto ou comprar livros e revistas”. O jornal acrescentou que “quem quiser poderá gastar a Bolsa Cultura com revistas pornográficas”. Comentou ainda El País que “a discussão levanta polêmicas entre os austeros senadores do Brasil que deixaram entender que há grande interesse de editores de revistas pornográficas no Programa da Bolsa Cultura, naturalmente se o Senado aprovar “publicações pornográficas como cultura”. Informou também o diário espanhol que a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) informou que somente 3% de mais de 4000 revistas publicadas no Brasil não são culturais”. “O Vale Cultura” deverá ser pago 90% por empresas e 10% por trabalhadores”.
As empresas que publicam revistas pornográficas estão interessadas no assunto e esperam que as publicações eróticas sejam instrumentos de cultura no Brasil.

Comentam alguns parlamentares federais que depois da Bolsa Família que ajuda 12 milhões de pobres no Brasil e a Bolsa Cultura – estas duas iniciativas – são importantes para os trabalhadores brasileiros cujo salário base é muito baixo. A novidade é vista por políticos da Situação como uma ação eficaz e positiva para a inclusão social.

Celular (telemóvel) também é cultura. Por isto o Governo prevê a distribuição de uma linha, aparelho e crédito para facilitar as comunicações entre beneficiários dos Programas sociais. O Plano ainda está em estudo, mas poderá ser viável a partir de 2028. O Programa visa beneficiar 12 milhões de lares pobres no Brasil.

OMITIR NUNCA, ABRAÇAR SEMPRE

Gustavo Hoffay – Agente Social

Há anos ouvimos comentários a respeito da educação sobre prevenção ao uso de drogas ilícitas em escolas públicas e particulares, a partir de pessoas que não concordam e por julgarem uma provocação, algo inconveniente, desnecessário. Esta consideração pode ter sido oportuna em seu contexto histórico pois, em não poucos ambientes, evitava-se mesmo falar publicamente de drogas, enfim, um tabu. Nos tempos atuais e visto que o universo de ocorrências que envolve a grave questão drogatícia chama a atenção da grande maioria dos cidadãos -desde a puberdade, afirmo a necessidade de uma sadia e bem orientada educação sobre o tema ser aplicada naqueles estabelecimentos e desde que, naturalmente, o educando evidencie interesse; algo do tipo extracurricular. Com efeito, penso, é preciso que a criança ao despertar para a triste realidade das drogas, aprenda o quanto antes (e na medida da sua capacidade de assimilação) a comportar-se diante das mesmas, de forma a tomar consciência das responsabilidades que lhe tocam diante de uma notável, explicita e crescente oferta daquelas substâncias. Há pessoas que acreditam não haver necessidade da transmissão de conhecimentos a esse respeito e por imaginarem que o instinto dos jovens estaria propenso ao reto uso da sua razão; por outro lado há a teoria do quietismo e que admite, sim, a desordem das concupiscências instintivas dos jovens, mas julgam que a consciência dos mesmos encontre o caminho da virtude, mesmo sem qualquer intervenção dos pais e mestres. Tal quietismo justificaria, do seu modo, o absoluto silencio de educadores no tocante às drogas. Ora, a minha genuína posição situa-se entre os dois extremos. Sim, assevero que a natureza da juventude é sedenta de impulsos instintivos e cegos; por conseguinte necessita de educação e sem dispensar, porém, a mediação de educadores e familiares responsáveis. Por outro lado não se pode dizer que a natureza humana seja, por si mesma, propensa tão somente ao bem! Todos nós viemos ao mundo trazendo um potencial de qualidades positivas não plenamente desabrochadas e, portanto, mescladas de deficiências ou más tendências. Esse potencial ainda não maduro tem que amadurecer, ser burilado, testado e para tanto necessita da ação de pessoas tecnicamente aptas ao pleno desabrochamento das boas qualidades da criança e do adolescente., quanto o assunto é “drogas”, ao mesmo tempo que a ajudem a se desvencilhar de possíveis inclinações ao uso daquelas substâncias, tanto a nível genético quanto ao meio facilitador em que vivem. Francamente….., o papel do educador ou de algum profissional da saúde mental incluiria profundo respeito ao educando e à matéria ministrada. E o amor a si mesmo e à sua família, com todas as suas expressões, deve então aparecer ao adolescente como algo belo, respeitável ou mesmo sagrado. A educação sobre drogas, penso, tem de ser dividida entre pais e escola, na prática a partir de exemplos e na teoria a partir da ciência. Os pais, mais que nunca, devem adquirir ao menos um conhecimento razoável sobre as drogas e vencer a timidez que muitas vezes os impedem de exercer a sua sagrada missão. O silencio dos pais nesse particular, pode tornar-se grave omissão e dado que o assunto “drogas” está sempre presente na vida das crianças e dos adolescentes.