Assunto encerrado

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira Economista – RJ

Um pavão sem penas produziu seguintes afirmativas: perdeu mané; derrotamos o bolsonarismo; eleição não se ganha, se toma; sou chantageado por um rato devido a uma orgia em Cuba: e centenas de outras que ele e outros pavões pelados produzem diuturnamente. E em recente polêmica com um superstar americano depois de uma sova coletiva em outro pavão disse à imprensa: “assunto encerrado”. Quero crer que tal assunto só se encerrará quando um outro pavão, de outra linhagem, já com poucas penas tomar coragem e resolver expulsar do seu viveiro esses pavões que não ostentam mais nenhuma beleza. Nem para prato de comida exótica servem mais.

Últimos capítulos

*Cesar Vanucci

“Essa novela golpista não vale a pena ver de novo”.
(Antonio Luiz da Costa, educador).

Pra falar verdade, ninguém foi totalmente pego de surpresa com a identificação dos autores da intentona golpista. Afinal de contas, as digitais dos implicados no atentado antidemocrático estavam profusamente espalhadas por tudo quanto é canto investigado. As provas arrasadoras, meticulosamente colhidas e sistematicamente liberadas pela Polícia Federal e divulgadas pela mídia sinalizavam, desde o começo, o que estava por vir na hora fatal da designação dos nomes, sobrenomes, endereços e CPFs da patota sediciosa.
A delação premiada do Tenente Coronel Mauro Cid, ajudante de ordens do ex-presidente, Jair Messias Bolsonaro, abriu as comportas das revelações incriminatórias. A ela juntaram-se adiante, entre muitos outros indícios, os impressionantes depoimentos de dois militares de alta graduação, reputação e credibilidade irretorquíveis, ambos integrantes do ministério de um governante que se empenhava, obsedantemente,em golpear de morte as instituições democráticas. O ex-ministro do Exército, Marco Antonio Freire Gomes e o ex-ministro da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Jr., ouvidos como testemunhas pela PF, relataram com riqueza de detalhes, o que ocorreu nos bastidores do Palácio do Planalto na urdidura da conspiração. Foi um desfile de informações estarrecedoras. Deixou muita gente de queixo caído. Como é possível, a essa altura de nossa evolução democrática, algo assim, ser engendrado, em desafio tão insolente à consciência cívica da nação? Durante as oitivas o General e o Brigadeiro mencionaram as pressões e constrangimentos vividos nos contatos com a antiga cúpula governamental. Registraram sua enfática recusa em participar da conjura. Condenaram a atitude de Bolsonaro, chegando a dizer-lhe, em certo momento, ser ele passível de prisão em razão das ilicitudes praticadas. Confirmaram que todas as avaliações feitas por organismos altamente qualificados, inclusive as Forças Armadas, atestaram, peremptoriamente, a lisura das eleições e a fidedignidade dos dados extraídos das urnas eletrônicas, ao contrário do que foi propalado pelos interessados na quebra dos dispositivos democráticos.
A ruptura institucional com a implantação de um regime de exceção objetivada na trama colocada em andamento pelo ex-presidente com o conluio de outros personagens destacados na vida pública, não se concretizou em plenitude por diversos alvissareiros fatores. O primeiro deles foi a amadurecida consciência da sociedade brasileira. Mantendo presentes na memória lances trevosos do passado, a opinião pública repele toda e qualquer tentativa extremista de violação dos preceitos democráticos. Outro fator digno de nota foi a incontinenti reação dos Poderes Constituídos às manobras golpistas. Pesou também e muito na resistência à ação desagregadora dos plantonistas da ditadura o posicionamento legalista das Forças Armadas, como exemplificado na conduta dos dois chefes militares citados.
Esta impactante e nefasta investida antidemocrática, abortada, nos efeitos mais danosos almejados pelos conspiradores, caminha na direção dos indiciamentos e julgamentos de seus autores. Paralelamente aos fatos relacionados ao golpe propriamente dito, aproximam-se também do desfecho investigações sobre outras cabulosas façanhas envolvendo os mesmos manjados personagens.
A novela golpista chega a seus últimos capítulos. A esperança de todos é de que as cenas vividas jamais voltem a ser exibidas.

O “X” da questão.

*Cesar Vanucci

“Babaca e hipócrita”. (Jornalista Guga Chaves, sobre Elon Musk)

A insolência do gringo endinheirado, agredindo irracionalmente a soberania brasileira, não envolve nenhum propósito altruísta, ao contrário do que uma interpretação capciosa, provinda de segmentos obscurantistas, tenta insinuar. Busquemos o “X” da questão. O magnata Elon Musk dono da rede social “X” (antigo Twitter), não defende liberdade de expressão coisíssima nenhuma com seus desabridos ataques à Justiça de nosso país. Sua malfadada atitude tem a ver com ambição de ganhos financeiros, mesclada com a disposição sibilina de desviar a atenção da opinião pública das investigações, em estado terminal, a respeito da intentona golpista que alvejou fundo nossas instituições democráticas. Já não fosse ele partidário entusiasta, pelo menos ocasionalmente, da internacional ultraconservadora empenhada em estabelecer uma nova ordem política e econômica mundial!
Liberdade de opinião é coisa sagrada. Não admite definitivamente qualquer tipo de censura. Criminalização no uso das plataformas digitais, semeando ódio, estimulando homicídios, suicídios, pedofilia, automutilações, violência contra gêneros, etnias e crenças é coisa bem diferente. A dignidade humana impõe uma distinção cristalina a respeito na preservação dos direitos fundamentais. Os que procuram, no caso em tela, misturar alhos com bugalhos, confundir Zé Germano com gênero humano, desservem a causa civilizatória, comportam-se como violões de um enredo nefasto.
Utilizando o “X” como ferramenta política, atraindo pessoas que comungam de ideias extremadas, Musk mira, na realidade, a desestabilização do esquema jurídico e parlamentar voltado para a urgente e impostergável implementação do processo regulatório da internet. Tal regulação faz-se imprescindível em escala universal. Como acontece no Brasil, todas as democracias acompanham com interesse e esperança os debates e estudos concernentes à palpitante matéria. A internet, como enfatizado pelo Ministro Alexandre de Moraes, alvo das infames assacadilhas do desatinado e arrogante miliardário, não é terra de ninguém. Às lideranças conscientes incumbe o dever primordial de instituir regras para internet. Este fabuloso engenho foi criado com o objetivo de favorecer a comunicação social, o intercambio de ideias, o incremento da economia e o bem-estar da gente do povo. Não com a finalidade de alvejar reputações, atassalhar a honra alheia, propalar mentiras como se verdades fossem. E não, também, para erodir os alicerces democráticos e fazer a propagação despudorada das “excelências” de regimes tirânicos.
O Supremo Tribunal Federal, em manifestação incisiva, deixou claro que nenhuma organização, nacional, muito menos estrangeira, desfruta da condição de desrespeitar a Constituição brasileira. Da posição assumida pela Alta Corte compartilham os demais Poderes da Republica e setores mais lúcidos do pensamento humanístico, jurídico e político da nacionalidade.
A respeito do autor das aleivosias assacadas contra o STF e, por extensão contra a soberania nacional, cabe adicionar algumas informações significativas, divulgadas por órgãos da imprensa. Elon Musk é um empreendedor de sucesso em diversos ramos de atividade, consome drogas ilícitas e volta e meia se envolve em polemicas em diversas partes do mundo. O jornalista Guga Chaves, correspondente do “Globo News” nos Estados Unidos, classifica-o de “babaca e hipócrita”. Explica por que: “seu decantado apreço” pela liberdade de expressão varia de acordo com as circunstâncias e conveniências. Os rendosos negócios ditam seu “procedimento ético”. Por exemplo, Elon não tuge nem mugi diante das severas restrições impostas às operações do “X” na China, Arábia Saudita, Turquia e Índia países dirigidos por governos autocráticos de onde provêm investimentos de elevada monta que abarrotam seus cofres, garantindo sua presença no topo da lista dos ricaços da “Forbes”.

Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

DE ENFERMEIRA A DONA DO HOSPITAL

Antônio Pereira- Jornalista, historiador e escritor – Uberlândia – MG

Guardando as devidas proporções, dona Paschoalina Vanni foi um Alexandrino Garcia de saias. Pode não ter acumulado a riqueza e o destaque empresarial do Comendador, mas trabalhou, puxa vida! Tanto o quanto o nosso velho e querido português.
Esmiuçando a vida do Comendador, vamos encontrá-lo fazendo limpeza no armazém do Aladim Bernardes, servente de pedreiro na construção do Colégio Estadual (“museu”) e da ponte sobre o Uberabinha, perto do Praia, mecânico, motorista, metalúrgico, o diabo a quatro. Já dona Paschoalina matou porco, fez banha, consertou sapatos, foi bordadeira e costureira, motorista, chacareira, o diabo a quatro também!
Mas o que pouca gente sabe, é que ela foi enfermeira. Italiana que veio para o Brasil, como quase todos os italianos daqueles velhos tempos, seu destino era a lavoura. Mas, antes de chegar a Uberabinha, já tinha trabalhado num açougue em Uberaba. Aqui, suas primeiras atividades foram na Casa de Saúde do dr. Diógenes Magalhães, ali no fim da avenida João Pinheiro. Era tão dedicada que gozava da admiração do médico. Lá um dia, o dr. Diógenes resolveu ir para um centro maior: Goiânia. Manteve, no entanto, a propriedade do prédio onde funcionara sua Casa de Saúde.
Ao despedir-se de dona Paschoalina, ela confessou-lhe um sonho – era de comprar aquele prédio ao que o médico sorrindo, sem desmerecer-lhe o sonho, respondeu:
– Paschoalina, esse prédio ainda vai ser seu!
Dona Paschoalina tomou outros rumos. Foi mexer com porcos num açougue que instalou na avenida Cesário Alvim. O prédio do dr. Diógenes também tomou outros rumos: virou hotel, o Hotel Guimarães.
A italiana “garrou no pesado” pra valer. Acordava de madrugada, ela mesma matava os porcos e picava o toucinho miudinho, miudinho e jogava naqueles tambores de duzentos litros que muito marmanjão não dava conta de mexer e ela ficava lá, suando em bicas, mexendo até a banha ficar branquinha. Ela e os filhos.
Fazia linguiças. E punha carnes e linguiças numa bacia, enrodilhava um pano, metia na cabeça, e lá ia até os confins da velha Uberabinha (que não eram tão longe quanto hoje) fazer as entregas.
De vez em quando, conversava com o dr. Diógenes e lembrava: se for vender, fala comigo primeiro.
Quando chegavam da roça os caminhões de porcos que ela comprava, antes de fechar o negócio, subia na roda do caminhão e ia separando: aquele lá, não quero. Seus porcos ficavam numa chácara perto do matadouro e na Estação do Giló.
Muitas vezes, ela mesma levava os animais num caminhão que comprara. Ela mesma dirigindo. A chácara ficava lá em baixo, na rua General Osório. Certa ocasião, perdeu o breque na descida e lá foi ela pulando na buraqueira da rua, desviando aqui e ali e o caminhão ganhando velocidade até que chegou lá em baixo. Por pouco não caiu no córrego São Pedro que era descoberto. Mas tudo não passou de um susto.
Seu marido, Francesco Vanni, logo depois do casamento, teve que voltar para a Itália para tratar-se de um incômodo pulmonar, talvez alguma resma da guerra de que ele participara em 1914. Ficou dez anos por lá, enquanto, por aqui, dona Paschoalina cuidava dos porcos e de sua fábrica de banha que mandava caminhões carregados para Mato Grosso e Goiás. Voltavam carregados de porcos. Ela mantinha o marido lá.
Quando Francesco voltou, sem jamais recuperar a saúde, apenas ajudava a esposa em coisas mais leves, como fazer entregas, replantar mudas etc.
Nos começos da década de 1960, o dr. Diógenes resolveu vender o prédio e não esqueceu do combinado. Dona Paschoalina, nesta época tinha condições tranquilas de comprar o imóvel. Como comprou.
Aliás, numa época oportuna; seus filhos estavam acabando os estudos de medicina em Uberaba. E foi assim que, de enfermeira, dona Paschoalina chegou a dona de Hospital. Do Hospital São Francisco que entregou aos filhos.

AUTORIZANDO A ENGENHARIA

Antônio Pereira – Jornalista e escritor – Uberândia – MG

Estávamos tomando uma cervejinha, o Roberto Vieira e eu. Era 27 de janeiro de 2003. Ele me disse:
“Queria estudar engenharia. Fiz o vestibular. Passei. Era o mais velho da turma. Logo depois do vestibular veio a Revolução. As escolas que estavam em processo de instalação tiveram esse processo paralisado. Ninguém foi matriculado; não obstante, os alunos se reuniram, formaram o Diretório Acadêmico Genésio de Mello Pereira, DAGEMP, e me elegeram presidente. Recuei, não queria. O pessoal pressionou. Tinha que ser. Era o mais velho, o mais experiente. Aceitando na marra, os alunos, logo em seguida começaram outra pressão. Para que eu fosse falar com o dr. Genésio para que ele providenciasse o início das aulas.”
Roberto foi ao dr. Genésio que lhe disse:
– Os únicos efetivos nesta Escola são vocês que fizeram o vestibular. Eu estou de passagem. Uma simples Portaria, de um dia para o outro, me tira daqui. Se alguém tem que pressionar o Governo, são vocês.
Roberto levou o recado do diretor aos alunos e eles decidiram ir a Brasília falar com o Ministro da Educação. Aí interferiu a idade e a experiência. Vieira ponderou com os colegas que não seria conveniente. Primeiro porque estavam chegando ao fim de ano e ninguém iria iniciar aulas em fim de período letivo. Depois, estavam diante de uma situação nova, em que os governantes tinham uma grande dosagem de poder e, de repente, irritados pela pressão, e considerando-se que a Escola estava com sua implantação suspensa, o Governo poderia simplesmente não abrir a Escola e distribuir os aprovados em Vestibular pelas várias Escolas do país.
A rapaziada esfriou o entusiasmo.
Antes do fim do ano, o dr. Genésio chamou o Vieira à sua sala. Estendeu um telegrama e disse-lhe:
– Você reúne os alunos e lê isto para eles.
Roberto leu o telegrama, olhou sério para o dr. Genésio.
– Não. O senhor é que vai ler isso pra eles.
Genésio foi firme:
– Você é que vai ler. Porque você tem alguma coisa a ver com isso. Se esses rapazes fossem a Brasília pressionar o governo talvez isso não saísse.
Vieira reuniu a turma e leu o telegrama do Ministro da Educação autorizando a abertura da Escola.
Fonte: Roberto Vieira