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COMO ASSIM?

Tania Tavares – Professora – SP

Como assim? Os advogados de Vorcaro estão “exigindo” que a Polícia Federal abra exceção para seu cliente e não acompanhem o que será falado por ele? Vão apelar para o ministro André Mendonça, o único a “enquadrar ” Vorcaro que permita esta regalia a eles? Nos poupe!*
*dinheiro não compra todo mundo.

A Coragem de Ser Melhor

Diógenes Pereira da Silva – Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG

Ao longo da caminhada humana, errar é inevitável. Há quedas discretas, quase invisíveis, e há tropeços que ecoam alto, que ferem, que deixam marcas. Todos, sem exceção, carregamos histórias que gostaríamos de reescrever. Mas é justamente nesse território imperfeito que nasce a possibilidade da transformação.

A vida não nos pede perfeição, pede consciência. O caráter não surge pronto, acabado, imutável. Ele é moldado no calor das escolhas difíceis, no silêncio das reflexões sinceras, na humildade de reconhecer, “eu falhei”. Crescer dói, porque exige abandonar versões antigas de nós mesmos, exige rever atitudes, recalcular rotas, pedir perdão e, principalmente, mudar.

Há quem confunda força com rigidez. No entanto, forte é quem admite o erro sem se justificar, quem aceita correção sem orgulho, quem decide não repetir o que um dia causou dor. Os acertos mais sólidos nascem exatamente das falhas reconhecidas. Cada correção é um tijolo na construção de uma personalidade mais justa e íntegra.

Ser melhor não significa tornar-se superior a alguém, significa tornar-se superior ao que fomos ontem. É vencer a impulsividade com prudência, substituir a indiferença por empatia, trocar a crítica fácil pela atitude construtiva. É compreender que nossas ações sempre alcançam alguém, para ferir ou para edificar.

A verdadeira evolução acontece nos bastidores da alma, quando ninguém aplaude, quando ninguém observa, quando apenas a consciência testemunha. É ali que se decide o tipo de pessoa que seremos.

Todos temos um passado, mas o futuro continua aberto. Cada amanhecer nos oferece uma nova chance de agir com mais justiça, falar com mais respeito, amar com mais verdade. Tornar-se uma pessoa melhor não é um destino final, é um compromisso diário.
E talvez a maior grandeza do ser humano esteja exatamente nisso, na coragem silenciosa de mudar.

Vorcaro x Senado – a delação

Tania Tavares – Professora – SP

Daniel Bueno VORCARO, preso na carceragem da Polícia Federal em Brasília, por precaução, deve ser interrogado pelos Senadores nas dependências da PF e vigiado o tempo todo para que não sofra qualquer “atentado” contra ele ou por ele mesmo. Tem muita gente mentindo e apavorada.

No ônibus

Ana Maria Coelho Carvalho – Bióloga

“Educação, boa e velha” é o nome de um texto da psicóloga Rosely Sayão. A autora comenta que na sociedade atual os velhos perderam importância e que os pais das crianças não acreditam que os avós tenham algo a acrescentar à formação dos netos . Mas os avós insistem, porque acham que vale a pena ensinar aos netos coisas como certo e errado, falso e verdadeiro e que ter liberdade é muita responsabilidade. Rosely acrescenta que antes, os avós mimavam os netos, mas que agora não podem mais fazer isso, pois são os pais que mimam, satisfazendo todas as vontades dos filhos. Daí, muitos avós da atualidade conseguiram inovar o sentido da palavra “mimar”. Para esses velhos, mimar passou a ser dedicar tempo aos netos e ter paciência com eles (penso que estou nesse grupo). A isso, eu acrescentaria que mimar também é aprender com os netos e se divertir com eles.

Como no dia em realizei o sonho da minha netinha Maíra, quando ela tinha quatro anos. O sonho dela, na época, era passear de ônibus. Assim, decidi levá-la ao Campus Umuarama, onde eu trabalhava, e fomos para a praça Tubal Vilela. Depois de esperarmos no ponto por 20 minutos, ela entrou no ônibus animadíssima, conversando com os passageiros e de olho na janela. Ficou preocupada com uma moça de pé ao lado de um assento vazio e falou várias vezes: “-Moça, senta aí”, mas a moça não obedeceu. Quando chegamos ao campus, uma amiga minha, professora de répteis, levou a Maíra para conhecer o serpentário e deixou que ela passasse a mão em uma cobra inofensiva. Ela ficou fascinada. Na volta, pegamos o ônibus no ponto mais perto. Assim que a porta abriu e a Maíra subiu os degraus, parou no meio do corredor, antes da roleta, colocou as mãos em volta da boca e gritou a plenos pulmões, com seu vozeirão característico:”-Geeeente! Geeeente! Eu passei a mão na cobra!”. Alguns passageiros riram, outros devem ter pensado que ela estava mentindo, outros continuaram dormindo. Eu, meio sem jeito, tentei explicar alguma coisa. Mas logo o ônibus deu um safanão e consegui segurar a Maíra pela gola da blusa. Na sequência, no afã de pegar rápido um lugar com janela, ela entalou debaixo da roleta, tentando passar por baixo. Pegamos o ônibus errado e tivemos que parar no terminal para pegar outro, que estava lotado. Consegui um assento e a coloquei no colo, mas ela ficou indignada porque tinha uma moça sentada ao lado, na janela, e a Maíra tinha certeza que o lugar deveria ser para ela. No dia seguinte, fomos ao bairro Guarani, também de ônibus, na casa da minha ajudante, e para ela foi outra aventura. Voltou de cabelo lavado e escovado e de unhas pintadas. Minha ajudante tem um salão de beleza e a Maíra usufruiu de tudo. Entrou linda no ônibus, sentamos nos assentos da frente e ela contou toda a sua curta vidinha de quatro anos para o motorista, sempre com um olho nele e outro na janela. Não falou da cobra, mas ao descer gritou: “-Brigaaaaado, motorista”!

Acho as crianças incríveis e por isso ainda pretendo mimar muito meus doze netos. Como escreveu Adélia Prado: “-Meu Deus, me dá cinco anos, me dá a mão, me cura de ser grande…” Ou como no texto de Rubem Alves: “São as crianças que veem as coisas -porque elas as veem sempre pela primeira vez com espanto, com assombro de que elas sejam do jeito como são. Os adultos, de tanto vê-las, já não as veem mais. As coisas -as mais maravilhosas- ficam banais. Ser adulto é ser cego.”

Penso que a Maíra viu, pela janela do ônibus, muita coisa que eu não vi…

Ministros ou aiatolas

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira – Economista – RJ

Como são tolas as pessoas que se acham acima de tudo e de todos por serem vazias e acreditarem apenas no seu próprio endeusamento. É assim como pensam os aiatolás e os ditadores de um modo geral. É assim que vejo nossos ministros do STF em suas decisões monocráticas quando se mostram incapazes de dialogar. Querem decidir e pronto. Ignoram o colegiado. Isso não é defesa da democracia. É ditadura. Podem errar por e nada pode ser feito. Isso deve acabar. E somente o Senado pode fazer alguma coisa. Mas não temos senadores e não temos um Trump ou Netanyahu.