Cabresto!

Tania Tavares – Professora – SP

Vacinas em menores: Alô ministro Queiroga, quem é o médico ai? O sr., ou o presidente Bolsonaro? Se ele mandar o sr. pular de um edifício, o sr. pula? Em que mãos estamos!

André Mendonça continua a ser fritado em fogo lento no Senado

Ivan Santos – Jornalista

Esta semana pode apresentar o capítulo final da novela André Mendonça, o Terrivelmente Evangélico virtual ministro do Supremo Tribunal Federal.
O advogado André Mendonça, pastor presbiteriano, foi ministro da Justiça e estava na Advocacia Geral do Estado, cargos de confiança do governo do Capitão Mito Bolsonaro. O presidente prometeu aos evangélicos nomear um “terrivelmente evangélico” para o STF e indicou André Mendonça.
O nome do advogado-pastor foi indicado pelo Capitão ao Senado para ser sabatinado há quase dois meses. O nome está “congelado” na Comissão de Constituição e Justiça comandada pelo ex-presidente da Câmara Alta da República, senador David Alcolumbre. Este senador foi eleito presidente do Senado com apoio do Governo. No exercício da presidência sempre atuoue em sintonia com o Palácio do Planalto.
A pergunta que não quer calar não tem resposta: por que Alcolumbre segura o nome de André Mendonça? Há várias especulações, e entre tantas destaca-se uma pergunta: Quem no Palácio do Planalto tem interesse em fritar André Mendonça?
No campo das especulações políticas muita gente diz que alguns políticos evangélicos são fiéis, além de Deus, só a quem tem poder temporal. Se o poder mudar de cadeira… Então brota outra pergunta: Com quem ficaria André Mendonça no STF se a temperatura mudar bruscamente? Ninguém sabe. Esta pode ser a grande questão.

O TEATRO RONDON PACHECO

Antônio Pereira*

Para mim, um divisor de águas. O primeiro espaço construído na cidade com características típicas de um teatro foi o Rondon Pacheco, embora não tenha sido criado com esse objetivo. Era para ser, e foi, um espaço destinado às solenidades e festas do Grupo Escolar, hoje Escola Estadual Bueno Brandão.
Se foi um divisor de águas, é porque havia um teatro diferente antes dele. Não havia nenhum prédio que se pudesse dizer que fosse um teatro. Havia os cineteatros. Casas construídas para serem cinemas e eventualmente teatros. Certamente não atendiam todas as exigências do palco. Havia os salões de clubes sociais, os salões de instituições profissionais, os salões de escolas. E havia o problema do preconceito, coisa muito em moda na cidade. O sucesso estava garantido, para qualquer espetáculo, de qualquer qualidade, se fosse apresentado no Uberlândia Clube. O espectador ia lá, não para assistir um espetáculo, mas para estar no Uberlândia Clube.
Teatro sempre existiu na cidade. Desde os seus princípios. Honório Guimarães, José Teixeira de Santana, Salazar Moscoso e outros eram promotores de espetáculos teatrais, além das trupes que passavam por aqui. No correr dos tempos, tivemos alguns grupos interessantes como o do Adalberto Pajuaba, o dos França, que lançaram o “Isto é Uberlândia”, até hoje citado, como grande sucesso. Dele saiu o Hino do Município.
O teatro Rondon Pacheco foi construído nos anos 960. Eu era Secretário Municipal de Ação Social que, à época, incluía Cultura, Educação, Saúde e Ação Social propriamente dita. Um dia, fui visitar a obra (que era do Estado) e percebi que se cometia um erro grave: o palco era cimentado. Falei com o engenheiro que não me deu muita atenção e concluiu a obra com o erro. Tempos depois fizeram a correção. Subiram o palco para que se criasse um porão entre o palco e o piso de cimento. Para isso foi necessário reduzir o espaço da plateia porque o palco ficou bem mais alto do que era e avançou sobre ela. As primeiras fileiras não viam o que se passava no palco ou viam só a metade.
No começo, a casa era usada para as finalidades escolares, mas começou a chamar a atenção dos grupos que se formavam e um deles, o Cinterartes, tanto insistiu que conseguiu apresentar o primeiro espetáculo teatral no Rondon Pacheco: a Casa de Bernarda Alba, de Garcia Lorca. Em 1977. Foi sucesso.
Nesses anos, 960, 970, 980 e mais outros, ocorreram fatos importantes para a história do teatro: primeiro, a construção do Rondon Pacheco, depois, o desenvolvimento de grupos jovens (os grupos de antes do Rondon eram de gente madura), a decadência do Uberlândia Clube, a criação da Secretaria de Cultura pelo prefeito Zaire Rezende, o início de uma vida universitária intensa.
A Secretaria de Cultura foi entregue à professora Yolanda de Freitas que deu impulso ao desenvolvimento da cultura artística local principalmente a popular. Impôs respeito às manifestações das instituições negras, das religiosas, das folclóricas. Estimulou todas as manifestações culturais e transformou o Cine Teatro Vera Cruz em espaço teatral apenas com o nome mudado para Teatro Grande Otelo. Apesar de limitado pelo preconceito, foi um reforço ao estímulo que o Rondon Pacheco deu ao teatro. A Universidade trouxe diretores e técnicos de alta capacidade para trabalharem a arte da representação.
A Associação do Teatro de Uberlândia- ATU pressionou para que o Estado cedesse o teatro para a Prefeitura. Foi em 1983.
Com o passar do tempo a sala entrou em decadência. Além de condições que se deterioravam, o Corpo de Bombeiros não permitiu seu uso com apenas uma saída. Era finais de 2016. Por fim, o Estado não renovou o contrato de comodato que cedia o Teatro para o uso da Secretaria de Cultura.
Hoje é um templo esquecido.

*Jornalista e escritor – Uberlândia – MG

Vigorosa reação democrática

Cesar Vanucci *

“Ninguém fechará esta Corte.”
(Luiz Fux, presidente do STF)

Sua Exa., presidente Bolsonaro, desperdiçou chance magnífica para comunicar ao povo seus planos para enfrentar a avalanche de problemas que sacode o país. Os olhares da nação estiveram focados nos pronunciamentos de 7 de setembro. A frustração popular foi descomunal.

Não se ouviu do mandatário a mais leve alusão a qualquer uma das questões que enchem de sobressalto os lares. Nada se falou sobre a “gripezinha” que já matou 600 mil, contaminou mais de 20 milhões e expôs a fragilidade do governo numa crise humanitária. Nada se disse a respeito da inflação que anda roçando dois dígitos, ou sobre a expansão avassaladora das multidões de despossuídos sociais, patrícios despojados de acesso a padrões mínimos de bem-estar. Nadica de nada se comentou a respeito das filas nas portas das empresas, à cata de oportunidades de trabalho que garantam renda para sobrevivência de milhões. Sobre a crise hídrica e energética e as alterações tarifárias dela decorrentes, sobre as ameaças de apagões ou racionamento, coisa alguma também foi registrada. Idem, idem, com a mesma data, quanto às devastações florestais que tanto desgastam a imagem do país no exterior. Não se ouviu patavina sobre os custos insuportáveis dos gêneros de primeira necessidade. Nenhuma palavra foi dedicada à incessante escalada de preços dos combustíveis, nem tampouco dos medicamentos.

Outros momentosos assuntos, sob foco constante nas preocupações das ruas, foram, pela mesma forma, solenemente ignorados. O Brasil real ficou consideravelmente distanciado da fala de seu dirigente maior em eventos supostamente organizados com o fito de celebrar o “Dia da Pátria”.

A sociedade não ouviu o que queria ouvir. Mas teve que escutar uma saraivada de afirmações chocantes, que não desejava, de maneira alguma, escutar. Esbravejante, utilizando belicosidade incompatível com a dignidade de suas funções, trazendo para o palanque clima tenso, impróprio até para comício político, quanto mais para uma celebração de caráter cívico, o presidente alvejou em cheio as instituições democráticas. Extrapolou em demasia os limites das amplas prerrogativas correspondentes ao cargo. Gerou no seio da opinião pública perplexidade e inconformismo. Atraiu reações em todos os segmentos da vida nacional.

Emblemático assinalar que das concentrações de que participou, em Brasília e São Paulo, ambas convocadas por seguidores, muitas pessoas, pertencentes com certeza a alguma “variante tupiniquim” do “coronavírus talibanista”, carregavam cartazes e faixas de inocultável teor antidemocrático. “Pediam”, extravagantemente, “em nome da democracia”, entre outras absurdidades, “o fechamento do Supremo Tribunal Federal”, a “prisão dos ministros”, o “fechamento do Congresso” e “a volta do AI-5”…

Um coral vigoroso de protestos se fez ouvir, imediatamente, em todos os rincões do país, em contraposição ao descabido procedimento do ocupante do Planalto. As manifestações dos ministros Luiz Fux, presidente do STF, e Luiz Roberto Barroso, presidente do TSE, do jurista Celso de Mello, até recentemente decano da Alta Corte, dos presidentes da Câmara dos Deputados e Senado, dirigentes políticos e de organizações representativas de setores influentes na lida comunitária, deram o tom do geral desagrado da Nação quanto ao que aconteceu.

O brado retumbante que ecoou nos céus da Pátria projetou inquestionável fidelidade aos sagrados valores democráticos e republicanos, por parte da esmagadora maioria da gente brasileira.

Oxalá o “mea culpa” do presidente, nascido de um entendimento com o ex-presidente Michel Temer e estimulado por vários de seus correligionários, traduza disposição sincera de mudança de rumos no gerenciamento das questões pendentes, relacionadas com seu mandato constitucional.

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

Francisco em Santa Cruz de La Sierra

José C. Mattelli*

Vamos transcrever tópicos dos comentários feitos por Frederico Mazzucchelli sobre o discurso feito pelo Papa Francisco em Santa Cruz de La Sierra, em 09.07.2015, seja por sua grande atualidade, seja como homenagem do blog ao Papa cujas palavras não tiveram, na grande mídia, a repercussão que deveriam ter.

Será o Papa um denunciante banal?

É manifesta a preocupação do Papa com o destino dos deserdados e excluídos: “reconhecemos que as coisas não andam bem num mundo onde há tantos camponeses sem terra, tantas famílias sem teto, tantos trabalhadores sem direitos, tantas pessoas feridas em sua dignidade”. Os “mais elementares direitos econômicos, sociais e culturais” são negados “a milhares de milhões de irmãos”. Para o Sumo Pontífice, um sistema que promove tamanhas “situações de injustiça (de) que padecem os excluídos de todo o mundo (…) atenta contra o projeto de Jesus”.
Não é possível contrariar os fatos. Salta a olhos vistos a gravidade da situação social por todo o mundo. Não se trata apenas dos desempregados, subempregados, despossuídos ou precariamente ocupados da Bolívia, a quem o Papa dirigiu suas palavras. Nos Estados Unidos (sim, nos Estados Unidos!), na América Latina, na Europa Central e do Leste, na Europa Ocidental, na Ásia ou na África é flagrante a degradação das condições de vida por todo o mundo. Quer na Colômbia, na República Dominicana, na Jamaica, na Irlanda, na Grécia, em Portugal, na Eslováquia, na Espanha, na Bósnia, na Hungria, na Sérvia, na Letônia, na Turquia, no Irã, na Jordânia – para mencionar apenas alguns países – as taxas de desemprego são superiores a dez por cento e, em certos casos, superiores até a vinte por cento. O drama dos africanos que morrem no Mediterrâneo buscando chegar à Europa é uma ofensa aos mais elementares sentimentos humanitários. É importante sublinhar que se assiste, hoje, à marcha de um processo regressivo. Existe uma indiscutível deterioração das condições de vida, emprego e trabalho por todo o mundo. É essencial repudiar a constatação simplista, cínica e resignada de que “sempre foi assim”. Não é verdade: a piora das condições de emprego e trabalho é correlata às transformações da economia capitalista a partir da desorganização dos anos 1970. O colapso das normas de cooperação e solidariedade forjadas no pós-guerra (o chamado “consenso keynesiano”) e a reentronização da lógica pura e dura dos mercados produziram impactos avassaladores sobre o equilíbrio das sociedades. A recente crise de 2007-8, cujos efeitos ainda não foram dissipados, tornou o quadro social apenas mais deprimente.
Não, o Papa não é um denunciante banal!

*Advogado e professor – Espírito Santo do Pinhal – SP