Vale tudo pra ganhar?

Marília Alves Cunha – Educadora e escritora

Louvar a quem nos rouba, a quem nos tenta enganar com mentiras, a quem usa o poder para destruir seguidamente a imagem de uma nação é no mínimo uma prova de irracionalidade, imoralidade para consigo mesmo e absoluta ignorância do que acontece no país. Alguns rodeiam o poder para auferir lucros e vantagens. Estes são piores que os ignorantes e os ingênuos.

Não assisti a esta louvação terceiro mundista que aconteceu na Marquês de Sapucaí. Mais que um espetáculo ridículo, digno de quem o propôs, realizou e participou, tratou-se claramente de um crime eleitoral, não um espetáculo popular. Foi um espetáculo eminentemente e propositadamente político. Ficou claramente estabelecida a propaganda antecipada de um cidadão, auto declarado candidato a presidente da república, custeada por dinheiro público. Elogios fartos, mentiras escancaradas, crime disfarçado em máscaras e fantasias. A mais grosseira, absurda e enganosa propaganda eleitoral extemporânea que já se viu neste país.

Bem, aconteceu! Antes era apenas uma intenção agora, sem desculpas, transformada em realidade. O TSE, que costuma manejar as cordas do teatro de marionetes em quem têm se transformado as eleições neste país o que dirá? Deixou acontecer, não aceita censura prévia por aqui… como se o Brasil fosse guiado por uma moralidade absoluta quanto ao assunto. Será que vai se repetir aquela história da constitucionalidade do ato, apenas até o 3º. Dia de folia?

Este é um ano eleitoral. E não é uma eleição qualquer. É uma luta por uma radical mudança neste país, que encontra-se jogado às moscas, infestado de corrupção e um total desgoverno. O Brasil está se transformando num lixo moral, social e político, no qual os desonestos de plantão consideram-se reis, capazes de realizar malandragens e ousadias. E têm conseguido, seguros e protegidos por uma justiça que acata a impunidade de seus próprios membros e de criminosos, através de decisões inconsequentes e irresponsáveis.

O povo brasileiro não deve esperar salvação a não ser a realizada por si mesmo, vinda da atitude do próprio povo. O poder executivo está coalhado de oportunistas que nada fazem e que, a qualquer vestígio de perigo, podem abandonar o barco sem explicações, com o dinheiro nos bolsos e nas malas. O legislativo está em estado de corrosão, Câmara e Senado presididos por figuras que correm atrás de um único objetivo: arrumar suas próprias vidas e resguardar-se de acusações. Deputados e senadores, de maneira frequente, votam contra o povo, como foi o caso da reforma tributária que lançou os brasileiros à alçada de povo que mais paga imposto no mundo, sem auferir nada em troca. E que enforcam a avozinha em troca de emendas parlamentares. Aliás, neste país em que velhinhos são roubados ordinariamente, tudo é possível. No judiciário, pelo amor de Deus, a desmoralização já subiu a níveis alucinantes. A toga vai ser usada como armadura de proteção de quem as usa? O espírito de corpo ou corporativismo vai suplantar as regras morais, os juramentos feitos, com as mãos pousadas na Constituição, os princípios e doutrinas jurídicas? Os membros da Suprema Corte horrorizam-se: como podem simples mortais investigar membros da Suprema Corte sem pedir autorização à Suprema Corte? Parece piada, né?

Bem , estava matutando sobre uma coisa: se o projeto do Sistema, do Foro de São Paulo ou outro qualquer foi implantar no Brasil o regime socialista/comunista, certamente escolheram a pessoa errada para levar o projeto adiante. Lula, com seus erros, governos fracassados, atitudes “toscas” próprias de um apedeuta da longínqua Garanhuns, com sua extrema vulgaridade, jamais seria capaz de atingir a realização do projeto. Não que eu considere estes projetos uma maravilha. Esbarram em todos os princípios que norteiam uma verdadeira democracia. Graças a Deus, Lula destrói não só uma democracia, relativizando tudo que se refere a ela e colocando-a em risco.Com sua falta de seriedade, com sua absurda pretensão de ser sempre o mais certo e melhor, com sua vaidade tola e ignorância que salta aos olhos, tem potencial para anarquizar com qualquer regime que possa existir no mundo. E acaba também destruindo as pessoas que orbitam a seu redor, quase todas inapelavelmente incineradas politicamente, depois de um desastroso, incompetente e escandaloso governo.

Só na avenida mesmo, ao som do carnaval, cercado de bajuladores e crédulos fanatizados pelo lulismo que aos poucos dá seus últimos suspiros, a plateia delirante aplaude.

Dúvidas!

Tania Tavares – Professora – SP

-Se após o desfile da “Acadêmicos de Niterói” for constatado abusos de poder monetário e político e, portanto, prejudicar os demais candidatos à Presidência da República, o que fará a Justiça Eleitoral que segundo a presidente do TSE Cármen Lúcia :-” a Justiça não está dando salvo-conduto a quem quer que seja “.Pergunto:- se prejudicar as demais candidaturas o estrago já está feito. E se o homenageado fosse um concorrente forte e da direita o PT iria concordar? Com a palavra o TSE, lembrando que o Carnaval já começou!

O repórter está morto

Ivan Santos – Jornalista

Há pouco tempo o jornalista Cláudio Júlio Tognolli publicou na Revisa “Caros Amigos” o texto realista que vamos apresentar, a seguir:
“O jornalismo investigativo está morto. Sobrevive, tão somente, em salas de aula. Apenas porque lá repórteres engravatados vão dar palestras. Diante do silêncio maravilhado dos alunos, mostram o que é deter o júbilo de ser um ungido pelos deuses pagãos do jornalismo. Mas esta farsa luminosa, lacunarmente encenada, logo se dissipa como água na água: o aluno logo aprende que o jornalismo investigativo é um defunto tresnoitado. O que sobrou para os jornalistas investigativos, agora, é copiar grampos degravados por peritos policiais sonolentos. Ou copiar boletins de ocorrência. Tanto faz: o que era para ser ponto de partida (os dados oficiais), virou ponto de chegada.

O curativo arrepio de delícia, que percorre a espinha do repórter, sempre que pega um furo, passou a ter um preço. E este tem deixado diretores de redação numa rarefação de causar rodopios. Levantamento feito pelo jornalista Márcio Chaer, do site Consultor Jurídico, mostra que há no Brasil quase 2,8 mil jornalistas processados. Um recorde mundial. Os dados são de dois anos passados. Tudo porque, mesmo defendendo publicamente a tão aclamada “transparência”, diretores de jornais sucumbiram, ano passado, à assoprada dada pela entidade patronal que congrega os donos de jornal. A saber: não revelem novamente os dados dos processos sofridos por jornalistas. Isso custa caro ao preço das ações das empresas.

Sabe-se que esse número de processos contra jornalistas dobrou. Ninguém é mais processado pela Lei de Imprensa. Desde a Constituição de 1988, advogados preferem processar jornalistas pelo artigo quinto, inciso décimo, da Carta Magna, que prevê a inviolabilidade de imagem. Ações cíveis contra empresas de jornalismo viraram um bom investimento. Estima-se que, no Brasil, pelo menos RS$ 70 milhões estejam sendo postulados na Justiça contra jornalistas.

O número total de ordens judiciais de interceptação telefônica no país em 2008 ultrapassou 400 mil, segundo levantamento feito pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) junto às operadoras, entre 1º de janeiro e 5 de dezembro do ano passado, da CPI e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo o relatório da Anatel, foram determinados 398.024 grampos em celulares e 11.905 em telefones fixos, totalizando 409.929 pedidos de interceptações.

Numa sondagem feita com 8 repórteres investigativos, referiram-me que, de tudo o que publicaram ano passado, em seus jornais e revistas, mais de 90% “veio pronto”. Ou seja: essa produção industrial de grampos acabou escoando nas páginas da mídia. Agora entendemos porque o jornalismo investigativo dá sinais alusivos de agonia, e uma inervação indissolúvel toma conta dos advogados contratados para escangalhar o couro de repórteres.

A filosofia que preside um inquérito, naturalmente, é aquela chamada, em lógica, de princípio do terceiro excluído, ou, em latim, “tertio non datur”. Ou lidamos com culpados, ou com inocentes. Ou com o bem, ou com o mal. Jamais se pensaria em absurdidades logicamente possíveis, como, digamos “bondade que mata”. O ministério público, titular da ação penal, está aí para isso. A defesa dos acusados que se vire: a princípio todos são culpados. Esse mecanismo veio funcionando bem, com seus excessos, é claro, até que vieram os grampos. E até que vieram as “bolachas” (CD’s) com todas as gravações e grampos e o escambal a quatro. Esse escarmento, levado aos repórteres, criou uma enxurrada de “jornalistas investigativos”, cujo único papel tem sido reproduzir o que se recebeu da polícia ou das procuradorias.

Roda nas redações do Brasil, a boca pequena, um documento de onze páginas, sobre a chamada Operação Satiagraha, que levou Daniel Dantas à cadeia. Nele alguns jornalistas são citados como partícipes do movimento que teria levado à privatização da Satiagraha, daí o afastamento do delegado Protógenes Queiróz. O documento tem servido como “mea culpa” para todo o repórter que o lê. A concorrência para dar o furo tem feito o repórter surfar os limites do impossível. Tem nos aproximado do velho alpendre filosófico de Nietszche quando alertou que, toda vez que nos aproximamos por demais do monstro que queremos combater, corremos o risco de nos tornarmos iguais a ele. A indústria dos grampos, e a cobrança no esquema da concorrência pelo furo, deixou o repórter pairando no intermédio de ambos: hoje é juiz. Amanhã será carrasco. O populacho que consome shows aplaude a transmutação. Os advogados de redações coçam os rubis dos anéis.

Crime organizado

Diógenes Pereira da Silva – Tenente Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMH

Crime organizado e violência urbana: um problema que vai além da polícia

A violência nas cidades é resultado de omissões do Estado, desigualdade social e respostas que insistem em não enfrentar as causas.

A consolidação do crime organizado no Brasil deve ser compreendida como um problema estrutural, decorrente de fragilidades históricas do Estado na formulação e execução de políticas públicas. A violência urbana que atinge grandes e médias cidades não resulta apenas da ação de grupos criminosos, mas de omissões institucionais persistentes e respostas governamentais insuficientes ao longo do tempo.

Parte expressiva das organizações criminosas teve origem no sistema prisional. A superlotação, a ausência de políticas eficazes de ressocialização e a convivência indiscriminada entre presos de diferentes perfis transformaram os presídios em espaços de articulação, comando e expansão do crime organizado, ampliando trajetórias criminosas em vez de interrompê-las.

A presença insuficiente do Estado em territórios socialmente vulneráveis agravou esse cenário. A falta de serviços públicos essenciais, como educação de qualidade, acesso ao trabalho e políticas de inclusão, permitiu que organizações criminosas ocupassem funções que deveriam ser estatais, oferecendo renda, proteção e uma ordem paralela, sobretudo a jovens sem perspectivas reais de ascensão social.

O enfrentamento da violência urbana esbarra também em limites políticos. As ações de segurança concentram-se, em grande parte, na repressão imediata, enquanto estruturas financeiras do crime, esquemas de lavagem de dinheiro e vínculos com agentes públicos permanecem pouco alcançados. A impunidade, especialmente nos crimes de colarinho branco, compromete a credibilidade das políticas adotadas.

A experiência demonstra que respostas exclusivamente repressivas não produzem resultados duradouros. O enfrentamento efetivo do crime organizado exige inteligência policial, integração institucional, reforma do sistema prisional e combate rigoroso à corrupção, aliados a políticas sociais permanentes capazes de reduzir desigualdades e fortalecer a presença do Estado.
Segurança pública deve ser tratada como política de Estado, articulando prevenção, justiça social e eficiência institucional. Sem enfrentar as causas estruturais da violência, o país seguirá lidando apenas com suas manifestações mais visíveis, perpetuando um ciclo que compromete o desenvolvimento e a coesão social.

Minas inicia o ano com mais de 11 mil empresas abertas em janeiro

Setor de serviços concentra 77,5% dos novos empreendimentos formalizados no primeiro mês do ano

GOV MG

Minas Gerais iniciou o ano de 2026 com 11.129 novas empresas abertas em todas as regiões do estado no mês de janeiro. A maior parte delas pertence ao setor de serviços, com 8.630 novos negócios, o que representa 77,5% do total. Em seguida, aparecem o comércio, com 2.055 novos registros (18,5%), e a indústria, com 444 (4%).
Os dados integram o relatório de registros mercantis da Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg), autarquia vinculada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), divulgado nesta sexta-feira (13/2).
“Os resultados reforçam a solidez do nosso ambiente de negócios e a confiança dos empreendedores mineiros. Desde 2019, já são mais de 570 mil empresas abertas no estado, reflexo de um trabalho contínuo de desburocratização e estímulo ao desenvolvimento econômico em todas as regiões de Minas Gerais”, comenta a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa.
“Os dados de janeiro mostram que Minas Gerais mantém um ritmo consistente de abertura de empresas, com destaque para o protagonismo do setor de serviços, que segue impulsionando a economia e a geração de oportunidades em todo o estado. Mesmo com uma leve oscilação em relação a janeiro do ano passado, o saldo entre aberturas e extinções permanece positivo, o que indica um ambiente de negócios mais estável e favorável ao empreendedor”, afirma a presidente da Jucemg, Patricia Vinte Di Iório.
Região Central lidera aberturas em janeiro
De acordo com o relatório da Jucemg, a região Central foi a que mais registrou empresas em janeiro, com 5.135 novos negócios constituídos. Em seguida, aparecem as regiões Sul (1.347), Triângulo (1.070), Zona da Mata (863), Rio Doce (681), Centro-Oeste (683), Norte (496), Alto Paranaíba (394), Jequitinhonha (281) e Noroeste (199).
Belo Horizonte mantém destaque
Entre os municípios, Belo Horizonte liderou em números absolutos de constituições, com 3.165 registros. Na sequência, aparecem Uberlândia (578), Juiz de Fora (307), Contagem (301), Montes Claros (219) e Uberaba (199). Completam o ranking: Betim (189), Ipatinga (167), Divinópolis (159) e Patos de Minas (143).
Extinções e Microempreendedor Individual (MEIs)
Em relação às extinções, janeiro registrou 7.565 baixas, número 2% inferior às 7.719 anotadas no mesmo mês do ano passado.
O levantamento da Jucemg considera empresas de todos os portes, exceto os Microempreendedores Individuais (MEIs), cujas inscrições são realizadas diretamente no Portal do Empreendedor, do Governo Federal.