Diógenes Pereira da Silva – Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG.

Crime Contra a Humanidade: E a Reparação?

Em março de 2026, a Organização das Nações Unidas reconheceu oficialmente o tráfico de pessoas escravizadas como crime contra a humanidade. Para muitos, especialmente em partes da Europa, isso pode parecer apenas simbólico, mas não é.

Diógenes Pereira da Silva
Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG.

No Brasil, pessoas negras foram escravizadas por séculos e, após a abolição, simplesmente abandonadas. Não houve distribuição de terras, acesso à educação ou políticas reais de inclusão. Foram libertas no papel, mas deixadas à própria sorte na prática.

Ao mesmo tempo, imigrantes europeus recebiam incentivos claros: terras, moradia, apoio para produzir e escolas para seus filhos. Havia um projeto de país em curso, e ele não incluía os negros.

Esse passado explica muito do presente. Não é difícil entender por que a pobreza ainda tem cor, por que periferias e favelas são, em grande parte, formadas por essa população. Não se trata de escolha individual, mas de uma herança histórica marcada pela exclusão.

Falar em políticas de reparação, como cotas raciais, não é privilégio, é tentativa de corrigir um desequilíbrio que nunca foi resolvido.

E há um ponto que precisa ser enfrentado. Após o Holocausto, o povo judeu recebeu indenizações milionárias. E é justo que tenha recebido. Mas por que não os negros e seus descendentes, que também foram vítimas de séculos de exploração, violência e abandono?

O reconhecimento da ONU é um passo importante, mas está longe de ser suficiente. Porque reconhecer, sem agir, é apenas admitir a injustiça, não corrigi-la.