Gustavo Hoffay – Agente Social-

As chuvas causaram uma pequena infiltração na garagem da minha casa e ao ponto da umidade estufar, abaular a camada de tinta branca. Antes de tornar a pintar aquele minifúndio de parede, foi preciso aplaina-lo e corrigir a sua superfície que já começava a embolorar. E foi o que eu fiz, bem ou mal remendei a pintura e logo em seguida tratei de consertar a causa da pequena infiltração. E enquanto eu obrava aquela parede, meus instintos políticos vieram à tona e levaram-me a pensar que nenhuma tinta e por mais alegre que fosse a sua cor, seria capaz de mudar a tristeza de um velório e nenhum exímio alquimista daria conta de dar um bronze adequado à palidez do Congresso Nacional e em especial ao seu presidente, o judeu Davi Alcolumbre. Sinto que aquela casa legislativa padece de alguma crônica doença, cujos sintomas são claramente notados na expressão de uma considerável rejeição popular aos congressistas em quase a sua totalidade. O parlamentar brasileiro é visto pela sociedade como a um cidadão extremamente privilegiado, trabalha pouco, recebe muito, acumula benefícios e regalias ao seu salário, comumente não cumpre as suas promessas de campanha eleitoral e faz do seu mandato uma escada para alcançar rechonchudos negócios particulares, aliás uma visão factual. Enfim, os mais baixos adjetivos da língua portuguesa e da era republicana terminam quase sempre esbofeteando a cara de deputados federais e senadores; porque? Ora, porque são eles os ralos por onde escoam as angustias e os problemas de quase duzentos e vinte milhões de brasileiros, uma gigantesca lupa popular que adora flagrar atos ilícitos, desmandos e corrupção de alguns deles, nobres congressistas. A exposição pela imprensa de casos extraordinários e estrambóticos a partir alguns políticos – ali temporariamente na berlinda e, portanto, no foco de milhões de eleitores- transfere o território de roubalheiras e negociatas nacionais para o ambiente parlamentar. E o sentimento de indignação popular aumenta com a percepção de que, em momentos de extremas carências sociais, algo está sendo arrancado do bolso de cada um de nós…tupiniquins, para estancar uma “sangria desatada” a partir dos cofres públicos. Enquanto serviços básicos e essenciais à população tornam-se cada vez mais escassos, impostos e tributos aumentam e se fazem cotidianamente presentes em nosso cotidiano e sentidos, principalmente, a cada vez que vamos às farmácias e supermercados, algo aliás que considerável parcela de eleitores brasileiros e residentes no exterior não veem, não sentem e ainda acham-se no direito de dar pitacos em nossa política interna. As angustias se expandem na mesma velocidade com que alguns políticos surgem em ruas e praças espalhando demagogias e enquanto transformam-se em um elo da equação que forma o PNBinf – Produto Nacional Bruto da Infelicidade. De pouco ou quase nada adianta a publicidade de parlamentares que anunciam seus feitos, pois a cosmética publicitária não consegue desmanchar vieses e nós da vida parlamentar, entre eles as mazelas do fisiologismo, os feudos políticos, o individualismo – aliás, excessivamente egocêntrico e a pletora de partidos. .Eu e dezenas de milhões de outros brasileiros desejamos uma reforma política que consiga moralizar o Congresso Nacional, o compromisso ético, a fidelidade partidária, a proibição de siglas de aluguel, leis eleitorais permanentes e o fim da vergonhosa imunidade parlamentar por crimes comuns, entre outras reivindicações de caráter moral e ético. Já faz alguns dias, um político disse que o povo pode assistir o que se passa no Congresso pela TV Câmara, mas será que ele imagina que o povão vai deixar de assistir o Ratinho e o Luciano Huck para ouvir oratórias originadas da Câmara e do Senado? Ora, francamente! Ademais ,assistir aquele canal de TV é como ver maquiado o que de fato ocorre por trás das câmeras, nos corredores e gabinetes do suntuoso prédio do Congresso Nacional e com uma excessiva carga negativa. Finalizando, eu afirmo que a prática da política em nosso querido e apaixonante Brasil tem de melhorar, caso contrário qualquer esforço imagético seria o mesmo que erguer castelos sobre areia….poluída e movediça.