Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

A partir de 2027, caso seja confirmada a vitória no segundo turno de Flávio Bolsonaro a presidência da república, muitos eleitores vão se arrepender do voto que sufragaram nas urnas eletrônicas em 2026. Claro que, será tarde demais, o tempo não para e o mandato presidencial tem quatro longos anos.
Em vez de viver sem a escala 6X1, os trabalhadores permanecerão trabalhando muito enquanto os empresários lucram. Talvez passem a receber por hora, na eventual proposta do Senador bolsonarista Rogério Marinho. Em vez de oito horas, quem sabe o governo Flávio autorize até doze horas por dia?
As Bets terão grandes chances de voltarem ao cenário nacional, patrocinando clubes, programas de televisão, jogadores, árbitros e trazendo desespero aos familiares dos que insistem em jogar sem responsabilidade.
No campo trabalhista, os pisos constitucionais da Educação e Saúde poderão ser extintos. Os reajustes do salário mínimo e das aposentadorias e pensões poderão ser congeladas como já fizeram Paulo Guedes na gestão do presidiário.
As cotas nas universidades estão com os seus dias contados. Assim como correm risco enorme a gratuidade das universidades públicas estaduais e federais.
Conforme já adiantou a coordenadora do programa econômico de Flávio Bolsonaro haverá um “tesouraço” de cerca de 1,5% do PIB já em 2027. Para tanto poderemos ter o prenúncio da extinção dos programas Pé de Meia, Farmácia do Povo, Mais Especialistas entre outros programas a serem revistos. Nenhum deles favorecem ricos, empresários e políticos, apenas os mais necessitados.
A classe média também terá que lidar com as consequências das suas escolhas políticas. A Preço de Paridade de Importação – PPI poderá voltar e, com isso, os preços dos combustíveis irão subir nas alturas para delírio dos acionistas ricos e desespero da classe média.
A tabela da correção do Imposto de Renda Pessoas Física novamente deixará de ser corrigida, como na gestão Temer e Bolsonaro. Com isso, aqueles que reclamavam injustamente da política fiscal de Lula terão aumento indireto dos seus impostos a pagar.
Os carros elétricos, em especial os fabricados por empresas chinesas vão perder incentivos fiscais e espaço para os veículos americanos e europeus movidos a gasolina ou flex.
A única saída será repetir a mentira eterna de que a má gestão e a falta de capacidade de Flávio são por culpa do Lula ou de alguma guerra do outro lado do mundo.
Com o passar dos meses quando tudo começar a dar errado, e a culpa em Lula não colar, não iremos achar eleitores que votaram em Flávio apesar de tantos sinais que foram dados ao longo de 2026.
Como disse Tiago Barbosa no X: “A eleição comprovou que a percepção da nossa sociedade se descolou totalmente da vida real. Não importam as melhorias econômicas, os programas sociais, o recorde de empregos, o aumento da renda média ou a inflação sob controle. Porque o sujeito melhora na vida, mas acredita no inverso porque viu no Tik Tok.