Marília Alves Cunha – Educadora e escritora
O Brasil tem um manancial natural maravilhoso, único, não dá para ser questionado. Quando viajamos para outros países, principalmente os europeus, observamos que tudo que possuem e fazem é usado de modo inteligente para atrair turistas, ávidos para ver, ouvir e aprender, das coisas mais simples às mais portentosas. Na Holanda, por exemplo, os moinhos de vento, tão simples na sua estrutura e funcionamento, pás tocadas pelo vento, são uma das atrações oferecidas. O Brasil perde chances maravilhosas de desenvolvimento em várias áreas, desperdiçando com muita facilidade, seu incomparável potencial natural.
Como povo somos até bem legais. Povo bom por natureza. E o país é grande, imenso, nele cabem todos os brasileiros, de norte a sul, de leste a oeste e nele, as oportunidades devem ser oferecidas a todos, em igual proporção e com igual empenho. Esta deve ser a luta: para que todos tenham a chance de estudar, trabalhar, desenvolver-se e formar uma nação coesa, lúcida, esclarecida e respeitada, voltada para grandes objetivos e não para picuinhas domésticas que a nada levam…
A meu ver, para que se forme esta grande nação da qual nos orgulhemos, o Estado democrático e de direito só se concretizará, entre outras coisas, através de três grandes investimentos:
EDUCAÇÃO – investir em educação com seriedade e vontade férrea é ponto obrigatório. Não apenas criar escolas, não apenas lotá-las de alunos. É extremamente necessário que elas cumpram sua função – Educar (do latim educare (nutrir e guiar o indivíduo de fora para dentro) e educere (No sentido de puxar do indivíduo o potencial que nele existe, ajudando-o a desenvolver-se para o mundo).
Se a escola não estiver acolhendo a todos, com estes grandes objetivos e tornar-se apenas um processo pelo qual todos têm que passar, ela estará sendo apenas mais uma coisa que não deu certo neste país, muito longe de suas verdadeiras funções.
SAÚDE – Muita crítica volta-se para um ex-presidente e chega a ser, rotineiramente, o ponto principal de argumentação contra mortes pela pandemia. Mas vamos aos fatos: Quando o vírus da Covid alarmou o mundo e tomou dimensões assustadoras em todo o planeta, início de 2020,não estávamos preparados para tamanha catástrofe: sem UTIs, sem recursos hospitalares para atender grande parte da população, sem compreensão da proporção da doença. Países inteiros despreparados para entender o tamanho do desastre e, em conjunto, o excesso de autoritarismo e desconhecimento, povo à mercê de um mal que avançava e do qual muitos se aproveitaram, inclusive para tirar proveito político e pessoal. Espero que tenhamos aprendido algumas lições para não sofrermos, de novo, as consequências. Um povo mal cuidado no setor saúde não favorece em nada a construção do país saudável que todos nós queremos. Não é roubando velhinhos e pensionistas de INSS que vamos construir um país melhor.
SEGURANÇA PÚBLICA – Nem é preciso falar muito, investir em segurança pública é essencial. Não é possível viver mais em um país onde a lei vira fumaça, quando altas autoridades resolvem, para beneficiar a si mesmos ou adeptos, que elas se esfumacem. Não é nada saudável que a população viva à sombra do medo, cercada de portões pesados, alarmes, casas trancadas como se fossem prisões. É impossível viver normalmente com o eterno medo de sair às ruas e ser assaltado, muitas vezes perder a vida. É extremamente doentio viver num país onde os corruptos são privilegiados com tratamento VIP e a população em geral, fica cada dia mais vulnerável, com o abandono e o “salve-se quem puder”. Nem é seguro, nem bom, nem satisfatório que não tenhamos uma diretriz eficiente e segura, que respeite as leis, que prometa e cumpra, que não alardeia, mas faz acontecer. Tomar Rivotril, encher a cara de Lorax e assim mesmo passar noites insones não é o remédio. Importante e imperativo é que a população brasileira seja respeitada em coisas sagradas para o ser humano: o seu direito de ir e vir, a sua integridade moral, física e psíquica e sua plena liberdade de usufruir de seus bens, frutos de seu trabalho e esforço.
Vamos tomar as rédeas de nossas vidas. Vamos cobrar com seriedade dos que elegemos, o direito de sermos respeitados e viver nossas vidas com o mínimo de dignidade. Somente com o voto lúcido, consciente, poderemos alcançar a paz e a certeza de que escolhemos o caminho certo. Não dá mais para esperar que a sorte nos abençoe e continuar trilhando caminhos que somente nos levarão a dias cada vez mais desastrosos. Chega de mais do mes