Gustavo Hoffay – Agente Social
O Brasil vem sentindo aumentar, dolorosamente, uma onda de criminalidade que deixa aterrada a segurança e o bem-estar de todo o seu povo ordeiro e enquanto ferindo ânimos e esperança com tensões diárias e livres de justas punições. Em meio à indignação geral e o medo (ou covardia) da maioria dos políticos em agir, de maneira a colocar um dique na sanha de marginais destemidos e que se multiplicam iguais a baratas, desumanizando considerável parcela da sociedade por meio de ações cada vez mais fortes e violentas, ainda assistimos terroristas enaltecendo seus bárbaros atos como forma de “justiça revolucionária” contra uma sociedade que os oprime e explora, divulgando fotos e vídeos dos seus feitos na Internet. E transporto esse meu sentimento para o campo político, onde um outro tipo de violência é justificado por ideologias inconsequentes: a violência política. Antigamente assassinatos e sequestros eram sempre considerados crimes mas, hoje, desde que exercida por motivos políticos ela é, não raro, tida como algo normal, justificável, ao ponto dos seus praticantes serem mesmo tratados por heróis e enquanto movidos por algum ideal doutrinário. Interessante observarmos que a violência política nem sempre distingue entre pessoas consideradas como culpadas e inocentes mas, frequentemente, também atinge aqueles aos quais não toca responsabilidade alguma em situações politicas como, por exemplo, crianças. A violência política atinge estruturas mais que propriamente pessoas; por isso pode ser até mais cruel do que a clássica violência. Além do mais o fato de que todo e qualquer cidadão , em viagem ou em trânsito pelas ruas de alguma cidade, contribui para gerar em muitas sociedades um clima de insegurança e pânico….um paranoia! E quais seriam as causas de tão lamentável situação? Assinalo a escala de valores da sociedade de consumo e a qual professa a predominância do ter sobre o ser, a corrida a um consumo desenfreado, a sede pelo poder, pelo domínio…! Uma sociedade que deseja reconhecer a legitimidade do aborto, não tem qualquer autoridade moral para contestar a violência urbana. Penso então que se a sociedade deseja opor um dique à violência deve, entre outras medidas, restaurar a consciência do valor da pessoa humana, reafirmar a primazia do ser humano sobre o dinheiro, o poder e o prazer e reverenciar a dignidade da convivência humana, fundada sobre a fraternidade e a justiça. E cabe aos nossos políticos serem modelo de conduta moral e disciplinar, de maneira a honrarem os seus mandatos e serem agentes na proteção da vida em sociedade, evitando condutas que campeiem para atitudes irracionais e mesmo criminosas a partir de atos em benefício único de si mesmos. Lembro aqui o fato de antigos parlamentares que foram eleitos em virtude da sua popularidade artística mas que, mesmo beneficiando-se de todas as regalias do cargo ao qual foram conduzidos, raramente fizeram jus aos seus respectivos mandatos.