Gustavo Hoffay – Agente Social

Época de eleições, mercado onde compra-se e vende-se votos de maneira direta e indireta, discreta ou não; um negócio inescrupuloso, corrupto, desonesto, sujo e outros adjetivos que o eleitor consciente da importância do seu voto queira dar, para qualificar aquilo que burla a essência de um processo que vitaliza e consagra um regime democrático. Tempo de revelar-se a vida pregressa de candidatos e baliza-la na direção da competência e da seriedade. Antigamente havia voto que era conscientemente anulado, mas ainda sobrevive o voto em branco, uma opção que revela o comodismo ou o protesto de eleitores diversos que, depois, ainda se jugam no direito de cobrar ações em proveito próprio ou da sua comunidade a partir de quem foi eleito. Tal e qual garimpeiros que buscam no cascalho bateado por uma pedra preciosa, assim deve agir o eleitor consciente para votar em candidatos que não abusam de gastos em suas campanhas, que respeitam os cidadãos e oferecem com pudor e modéstia os seus nomes para uma capacitada escolha a partir da maioria dos eleitores que, há tempos, aprenderam que o seu voto não pode servir para a efetivação de lucrativos negócios por quem se atira na política unicamente para beneficiar-se dos salários e benefícios diversos de um cargo nas casas legislativas ou enquanto no poder executivo. Ao selecionar candidatos e isentos de interesses pessoais ou de buscas por vantagens diversas, mister se faz que o eleitor, desde já, saia em campo na busca por sufrágios que caracterizam aquele em quem ele acredita e no qual optou por depositar o seu voto de confiança, a sua procuração para representa-lo no poder legislativo. Não leio e não aceito “santinhos” e sequer dou a mínima atenção para cartazes, folhetos e faixas onde candidatos diversos se apresentam aos eleitores. Preferível é a abordagem de candidatos a cidadãos e quando é possível, olhos nos olhos, durante uma sóbria e frutuosa conversa. Digo não a candidatos acomodados e sugismundos e que preferem pichar e sujar ruas e praças com os seus ”santinhos” e que, ainda, na véspera do dia da eleição, derramam milhares deles às portas das seções eleitorais; um sonoro “não” a candidatos que trocam encontros com eleitores por carros, motos e caminhões equipados com ruidosos sistemas de som, colocando-os para circular pela cidade e sem qualquer respeito ao direito dos cidadãos de não serem incomodados com ruídos de infinitos decibéis. O meu não a candidatos que se passam por generosos ao registrarem em cartório que, se eleitos, doarão os seus proventos a instituições de caridade. Não duvido da magnanimidade de candidatos com esse perfil, mas dou-me o direito de questionar como gastam milhões em campanha e na certeza de que, se eleitos, não terão de volta o valor que investiram em suas respectivas campanhas e somente por meio da sua remuneração. Por outro lado candidatos que dão um jeitinho de burlas as leis eleitorais e a fiscalização, na realidade dão mostras claríssimas de que não são confiáveis e portanto sem qualquer crédito que faça-os merecedores dos nossos votos. Finalizando, é execrável a utilização de religiões para a obtenção de votos: passam a frequentar missas e cultos diversos, casamentos de quem não conhecem e até missas de Sétimo Dia, quando não se oferecem para apadrinhar recém-nascidos. Diante de tais situações compadeço-me com o nosso Brasil e cuja considerável parcela do seu povo ainda não conseguiu libertar-se do cabresto imposto por quem julga-se politico mas que, na realidade, aproveita-se da politica unicamente em beneficio próprio. Conhecer o currículo de alguns candidatos e considerar a conduta pessoal dos mesmos, já seria um bom começo para o eleitor avaliar quem será contemplado com o seu precioso voto.