Diógenes Pereira da Silva – Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG
A exposição constante de políticos na mídia tornou-se prática comum, muitas vezes confundida com trabalho efetivo. Vídeos, discursos e declarações de impacto ocupam espaço, enquanto a atuação concreta, aquela que realmente transforma a vida do cidadão, nem sempre recebe a mesma atenção.
É preciso deixar claro que existe, sim, um momento legítimo para a exposição midiática. Ela é adequada no período de propaganda eleitoral e também no trabalho cotidiano junto às comunidades. Mostrar projetos executados, ações realizadas e resultados alcançados faz parte da prestação de contas e do dever com o eleitor.
O problema surge quando a visibilidade passa a substituir o mandato. Deputados, senadores e vereadores possuem instrumentos institucionais para promover mudanças reais: propor, fiscalizar e votar projetos que estimulem o desenvolvimento econômico e social. É por essas ações que devem ser avaliados.
O que se espera do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas e das Câmaras Municipais não são performances, mas decisões responsáveis. Votos conscientes e projetos consistentes revelam compromisso com o interesse público.
Ao assistir a vídeos de políticos, independentemente do espectro ideológico, a pergunta é inevitável: qual tem sido sua atuação efetiva dentro do poder que lhe foi confiado? O mandato pertence ao povo. A exposição deve ser consequência do trabalho, nunca seu substituto.