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Marília Alves Cunha – Educadora e escritora – Uberlândia – MG

Histórias como esta, do Batatinha, codinome do proeminente e ilustre traficante Leonardo Da Vinci de Lima estão sendo comuns no nosso país.

Prestem atenção: Batatinha estava preso há cerca de quatro anos, condenado, cumprindo uma sentença de dez anos em regime fechado, presídio de segurança máxima. Pelo visto, não era nenhum santinho, figura importante no mundo do crime.

De repente, não mais que de repente, diante de um pedido de “habeas corpus”, um excelentíssimo juiz do STJ decide que a prisão do Batatinha, membro notório do PCC, fora ilegal e mandou soltar o cara…O Cara livre, apesar de ser apenado em 10 anos, depois de uma sentença transitada em julgado, sem direito a recurso de apelação ou qualquer outro.

Prestem atenção no motivo da ilegalidade da prisão, ocorrida há 4 anos, alegada pelo ilustre juiz: Batatinha foi abordado pela policia em virtude de nervosismo aparente, visível à aproximação dos agentes da Ronda. E nesta abordagem fortuita, discriminatória, ofensiva aos brios do rapaz, descobriu ser este portador de 2 quilos de cocaína. O critério da abordagem foi subjetivo, de acordo com a interpretação do Meritíssimo… Justiça seja feita: liberdade para o Batatinha.
Meus amigos, estamos vendo as coisas virarem do avesso, do avesso, do avesso em variadas circunstâncias neste nosso país de meu Deus o que é isto… Pensemos na situação: o rapaz, o Batatinha ficou nervoso, é claro. Você também não ficaria, se fosse flagrado carregando drogas? Ou saindo de um banco, tentando esconder a cara, cenho carregado de nervosismo, portando uma sacola cheia de dinheiro roubado? Bem, a meu ver, a se tornarem jurisprudência decisões como esta, abordagens serão proibidas e restará à nossa gloriosa e nobre polícia ficar sem função ou disposta a fazer cara de paisagem e não ver ou supor. Simplesmente enxugar gelo e ver a vida passar. E um conselho a todos que intencionem fazer o malfeito: à menor aproximação da polícia faça cara de nervoso, trema-se todo, se puder jogue-se ao chão e ensaie um ataque. Culpados não serão, pobres Batatinhas inocentes, discriminados, subjugados, ofensivamente abordados.

Se nos atermos á história de pessoas, políticos ou não, que estão sendo presas (de baciada), exiladas, multadas, castigadas com perdas de cargos e funções, privadas de seu trabalho honesto, taxados de terroristas, impedidos de se candidatarem, destituídos de sua cidadania, perseguidos diuturnamente apenas por se posicionarem de um lado e não de outro, veremos sim… Veremos que o Brasil atravessa o pior período de sua história, pois o mal, o injusto se faz hipocritamente em nome da democracia. A justiça falha, a liberdade acena adeus, a censura se impõe a conta gotas, o legislativo não legisla e, quando o faz, legisla em benefício próprio e atendendo ao interesse do vil metal, vendendo a alma ao diabo (desculpem-me as raríssimas exceções), as consciências se afrouxam elasticamente. O executivo faz turismo, solta a língua num besteirol sem fim e preocupa-se com o avião presidencial, desconfortável, pobre e pequeno para sua ilustre figura, quer mais, quer mais. Quem nestas alturas do campeonato está cuidando do Brasil?
Muitos ainda não entenderam que o nosso bem maior, a liberdade, vai aos poucos desaparecendo no horizonte. E deixando sombras de autoritarismo e leniência com o indesejado. E quando se for de vez, sem deixar rastros, sentiremos sua falta, bendita liberdade!