Antônio Pereira- Jornalista e escritor – Uberlândia – MG
O cônego Pedro Pezzutti, primeiro historiador do município, calculou, pelos batizados, que, em 1900, Uberabinha teria 10.000 habitantes. Uns 7.000 na zona rural. Em 1897, o professor e rábula, João Luiz da Silva, adquiriu em Uberaba uma gráfica e trouxe-a, segundo Tito Teixeira, em carro de bois. Estranho, porque desde 1895 tínhamos a estrada de ferro. Aqui, o professor criou o jornal “A Reforma”, o primeiro a circular na cidade.
Valeria a pena? Teríamos quase 3 mil habitantes na cidade, baseando-nos no Pezzutti. As escolas só ofereciam as quatro primeiras séries com professores não formados. As mulheres quase não iam às aulas. Fundamental era que soubessem cozinhar, lavar, passar, costurar, varrer e cuidar dos filhos. Preconceito. Dizia-se em Minas: “Ensinar a ler à mulher é por andadura em égua.” Gente que lia e escrevia era pouca.
Não havia água encanada, nem esgotos, nem energia elétrica, nem praças urbanizadas, nem meios-fios, nem privadas, nem jornais…
As matérias eram escritas à mão. Na gráfica, um operário, com uma pinça, pegava nas gavetas letra por letra para compor a matéria. Montada a página em metal, passavam tinta em sua superfície e vinham com uma folha que comprimiam sobre a página metálica. Folha por folha. Não sei exatamente como. Mas era isso, em síntese.
Duvido que chegassem a 200 exemplares. Na década de 1961, os jornais daqui estampavam no “Expediente” que imprimiam uns poucos milhares. O linotipista de um deles me contou que, na verdade, eram só quinhentos. Já tínhamos 100 mil habitantes, mais da metade na cidade.
Até 1938, quando foi fundado o Correio de Uberlândia, tivemos dezenas de jornais, porém só dois se destacaram: O Progresso e A Tribuna. O Correio circulou pela primeira vez no dia 7 de fevereiro de 1938. O seu criador foi o fazendeiro de Ribeirão Preto, capitão José Honório Junqueira, que já possuía jornais em outras sete cidades.
Adquirido por pessoas ligadas à UDN, o Correio passou a ser o arauto do partido.
Depois de algum tempo, afastou-se da militância e foi incorporado pelo Grupo ABC, depois Algar.
Nesse período, que começa em 1986, o jornal se transformou num grande informativo. Passou por alguns nomes. Primeiro foi o Correio de Uberlândia, depois Correio do Triângulo, depois Correio e, em seguida, voltou a ser Correio de Uberlândia.
Estive lá desde 1961 quando escrevia coisas rápidas para o Marçal Costa. Depois do Marçal foi o Luiz Fernando Quirino quem me protegeu. Depois do Quirino, que me levou para o Triângulo, voltei para o Correio, quem me chamou de volta foi o Maurício Ricardo. Desde 1999 mantive coluna cavoucando coisas do passado de Uberlândia.
Infelizmente, no dia 31 de dezembro de 2016, o Correio pulicou sua última edição. Continuo por aqui, cavoucando.