Ivan Santos*

O governo do presidente Temer, neste momento, enfrenta fortes pressões de sindicalistas e de políticos da Base Aliada para modificar as propostas das reformas Trabalhista e da Previdência. A Base que hoje apoia o Governo na Câmara tem mais de 400 parlamentares, mas muitos seguem indecisos e são influenciados pelos movimentos populares. Estes temem que as reformas, como quer o Governo possam retirar direitos dos trabalhadores. A Base que apoia Temer é a mesma que apoiava Dilma Rousseff e sempre se posicionou com base na política do “toma lá, dá cá”. Essa Base, neste momento, parece atemorizada pelos efeitos que já brotaram da Operação Lava-Jato e teme ser destruída na eleição de outubro do ano que vem. Cada parlamentar só pensa na próxima sobrevivência e não no futuro da população do País. Em verdade, o Governo enfrenta neste momento o recuo do aliado PSB que já se posicionou contra a proposta governamental para a reforma da Previdência. O Governo ainda não conta com segurança com os votos necessários para aprovar a reforma da Previdência, considerada pelo Palácio do Planto como a principal mudança neste momento. Nesta semana o Governo começou a enfrentar fortes pressões para adiar na Câmara a votação de mudanças na Previdência. Vários líderes de partidos governistas já pediram ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para adiara votação da reforma da Previdência porque eles precisam de mais tempo para analisar melhor o assunto. Estes deputados, em verdade, querem é sentir melhor a reação das ruas e visualizar a própria sobrevivência na política. Nos bastidores da Câmara o relator da reforma, Arthur Oliveira Maia (PPS-BA) segue articulando com líderes da Base do Governo mais alterações no projeto original. Quem tem poder para pressionar esforça-se para não perder direitos já conquistados. Se as reformas trabalhista e previdenciária forem mutiladas no Congresso a crise no Governo de Temer pode aumentar e permanecer até o último dia de dezembro de 2018.

*Jornalista