Ivan Santos*

O governador de Minas Gerais, empresário Romeu Zema, que assumiu o poder no Estado sem experiência em lides com políticos, falou muito em reorganizar as finanças do Estado e criticou ingenuamente os governos passados e os políticos. Nesta semana, Zema foi colocado numa sinuca de bico por deputados estaduais, alguns do seu próprio partido.
Zema, pressionado por policiais que reclamam que não recebem a correção salarial há mais de cinco anos, mandou para a Assembleia Legislativa um projeto de lei com a proposta de um aumento de salários de 47,7 somente para o pessoal da segurança. Jogou a bomba para explodir na Assembleia. Os deputados, unidos, com raras exceções, devolveram a bomba para o governador com um veneno nela inserido: aprovaram não só o aumento para os policiais, mas também para o pessoal da saúde, da Educação e da Administração direta. A iniciativa, se for aceita pelo governador, explodirá as já combalidas finanças do Estado que está encalacrado em dívidas e ainda gasta mais do que arrecada mensalmente.
O governador, agora vai ter que decidir se sanciona o projeto aprovado pelos deputados e concede aumento de salários para os servidores, se veta os benefícios para todos, ou privilegia se só privilegia o pessoal da Segurança. Vai ser uma decisão política cruel que o feliz empresário Romeu Zema nunca pensou em enfrentar. Com este impasse Zema começa a entender que o discurso liberal de crítica aos governantes passados, é fácil quando quem critica está fora do Governo e fica diferente quando o crítico passa a ser governador. Na prática, a teoria é outra e o ato de governar tem razões que a própria razão desconhece.
Caso o governador sancione só o aumento para os policiais e deixe de fora os professores, o time da saúde e o da administração direta, poderá enfrentar greves incômodas ou um processo de boicote da administração. Quem conhece este filme diz que já viu a cara do Armagedon.

*Jornalista

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