Antônio Pereira da Silva*

João Pereira da Rocha, primeiro entrante em terras do futuro município de Uberlândia com intenção de fixar-se e enriquecer, era descendente de portugueses, uma ala de políticos, outra de fidalgos. Seus pais foram Luiz Lobo Leite Pereira e Iria da Fonseca de Oliveira. Luiz Lobo, português, foi militar de alta patente em Vila Rica, Minas Gerais. João era brasileiro. Aqui, em terras uberlandenses, João Pereira da Rocha apossou-se de várias áreas, além da fazenda São Francisco – onde centrou suas atividades rurais e industriais, já que tinha uma rudimentar fábrica de anil, cujo produto enviava para São Paulo em lombo de burro. Essas áreas distribuiu aos filhos legítimos e naturais, deu e vendeu barato para os amigos.
Embora tenha chegado aqui em 1818, só requereu e recebeu a Carta de Sesmaria em 1821. Outros, chegados depois, requereram antes. Da primeira vez que veio sondar a região, não trouxe a esposa, Genoveva Alves de Rezende. Mas tão logo acertou o local onde se fixaria, foi buscá-la.
Na fazenda São Francisco, João Pereira da Rocha estabeleceu uma criação de gado bovino e formou lavouras de gêneros de primeira necessidade para abastecimento da família, escravaria e agregados: arroz, feijão, milho, fumo, algodão, cana de açúcar. Para atividades comerciais, sociais e religiosas, deslocava-se com a família para a Aldeia de Sant’Ana do Rio das Velhas, hoje Indianópolis, onde, num dia de 1845 foi enterrado.
João Pereira da Rocha deixou onze filhos: Luiz Alves Pereira casado com Custódia Fernandes dos Santos; Francisco Alves Pereira casado com Francisca Fernandes dos Santos; Joaquim Alves Pereira casado com Francisca Fernandes; Manoel Alves Pereira casado com Genoveva Pereira de Rezende; José Alves Pereira casado com Maria Pereira do Carmo; Maria Luíza casada com Domingos Carvalho; João Alves Pereira, solteiro; Zacarias Alves Pereira, solteiro; Mateus Alves Pereira, solteiro; Domingos Alves Pereira; solteiro e Joana Alves Pereira, solteira. Pelo que consta, João Pereira da Rocha possuía dois ou três filhos bastardos que trouxe consigo e os instalou em terras que tomou posse. Essa relação foi feita pelo sr. Astolfo Pereira, descendente do João, igual à publicada por Gentil Alves Pereira em seu livro “São Pedro de Uberabinha – sua sesmarias, suas primeiras famílias e suas primeiras fazendas”. Nenhum dos dois, entretanto, diz quais são os bastardos ou se, pelo menos, estão relacionados.
Logo após a sua chegada, seu cunhado José Alves de Rezende também veio tentar a sorte na região em companhia do irmão Caetano Alves de Rezende. Eram irmãos da Genoveva.
José Alves escolheu uma área perto do cunhado, a sudeste. Por isso a chamou de fazenda da Divisa. Para indicar sua posse, puxou um rego d’água das cabeceiras de um córrego e, próximo ao local onde pretendia erguer a sede da sesmaria, montou um monjolo.
Não teve a mesma sorte que João Pereira da Rocha: a família não quis acompanhá-lo para as solidões do nosso sertão. Alves de Rezende, tinha que periodicamente deixar suas terras e ir ao Paraopeba, região de onde tinham vindo todos. Quando saía, punha o monjolo a funcionar à toa, para que as suas pancadas avisassem a quem por ali passasse que aquelas terras tinham dono. Como João, José também se apossou de muita terra que passou a formar a fazenda do Monjolinho, nome que lembrava a vigilância que o engenho garantia ao sesmeiro. Posteriormente, como as terras de João Pereira da Rocha, a fazenda Monjolinho foi retalhada e dividida em muitas outras fazendas. As duas famílias, Pereira e Rezende, que já chegaram unidas pelo sangue, aqui continuaram a compor novos lares misturando-se e formando um conglomerado familiar que, ainda hoje, deve representar imensa parcela de nossa população: os Pereira, os Rezende e os Pereira de Rezende. (Fontes: Con. Pedro Pezzuti, Tito Teixeira, Astolfo e Gentil Alves Pereira)

*Jornalista e escritor – Uberlândia

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