Diógenes Pereira da Silva*

A data de anteontem pode representar mais um marco político negativo isolado ou não, assinalado pela bestialidade. Quero acreditar que tudo, realmente não passou de um fato isolado de um ato demente. Mas minha contrariedade, primeiro é perceber que a verdadeira vítima é a democracia e a segunda serão os brasileiros. Quanto ao atentado em si, percebo grave falha de quem lhe fazia a segurança, pois embora muitos não soubessem que a faca (arma do crime) havia passado por duas pessoas, muito tempo antes outras pessoas já tinham percebido pelo vídeo que centenas de vezes foram replicadas. Primeiro uma mulher entrega a faca para um homem e só depois ela foi repassada ao executor do atentado, isso é bem claro nas imagens, e a atenção nesses casos faz toda a diferença.
Por que falha? Porque os seguranças deveriam preencher o espaço físico de pelo menos 05 metros no entorno do candidato, colocando somente pessoas de extrema confiança, ou mesmo só com seguranças qualificadas, sua comitiva tinha aproximadamente 50 pessoas, numero suficiente para realização do distanciamento mínimo necessário. A exposição de candidatos é comum em tempo de campanha eleitoral, mas exigi-se o mínimo de segurança, o que não aconteceu no caso em questão.
Os reflexos de tudo isso, são imprevisíveis, pode ser que seja favorável ao candidato ou não e que o crime tenha partido de um ato isolado, ou também não, pois há duvidas nesse sentido e será investigada pela polícia. Se favorável Bolsonaro pode ter extensão que ele nem de perto poderia imaginar na TV, podendo inclusive, ampliar sua campanha como na liderança já existente nas redes sociais, pois nenhum meio de comunicação irá deixar de noticiar o fato ocorrido com notoriedade, ainda mais com a repercussão pelo mundo a fora. Há um mês da eleição, o ponto negativo para Bolsonaro, é perder espaço com seu discurso retórico, mas tudo isso, pode ser inesperado.
Acredito não prosperar a afirmação de que o candidato estimulava a violência em seus discursos, pois isso não é verdade! Embora algumas retóricas indicassem um discurso baseado no armamento da sociedade, seu significado sempre foi o de proteger o cidadão de bem. Muitos inclusive já se manifestaram nas redes sociais relatando que a culpa é do candidato Bolsonaro por seu discurso de ódio, mas sabe-se que não é essa a realidade, mesmo diante de sua dificuldade de se expressar claramente suas intenções, o candidato não é nem de perto de provocar meios de repercutir o ódio.
Em que pese os acontecimentos recentes, não só do atentado que fere também a democracia, precisamos acreditar no poder democrático exercido pelo povo. Se está ou não funcionando, é o regime previsto na CF88, devendo cumpri-la. O Brasil já é marcado por mais de 55 mil homicídios todos os anos, mas na política a violência jamais poderá prevalecer, caso contrário será o fim. Não me lembro bem onde li ou ouvi a seguinte frase: ” Você percebe que um País está falido moralmente, quando a candidatura de um militar assusta e a de um presidiário não”.

*Tenente do QOR da PMMG

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