Luiz Alberto Rodrigues*

A seção mineira do MDB tem como capital eleitoral a maior bancada de deputados do estado e o maior número de prefeitos e vereadores. No passado teve líderes como Tancredo Neves, Itamar Franco, Hélio Garcia e Ronan Tito, entre outros. Mesmo derrotado em disputas estaduais indicava ministros e era protagonista político relevante e respeitado.
Em 2014 o MDB-MG colocou Antônio Andrade de vice-governador com Fernando Pimentel (PT), elegeu a maior bancada de deputados estaduais, e com a liderança do Deputado Adalclever Lopes deu sólido suporte parlamentar à administração.
No início de 2016, diante dos problemas jurídicos e políticos de Pimentel, o vice-governador ansioso para assumir a cadeira do titular rompeu a relação de confiança entre PT e MDB, mas a bancada estadual continuou na base de apoio governista.
A seguir houve o impedimento de Dilma Rousseff (PT) que implodiu a parceria nacional entre os partidos, pois afirma o PT que o MDB tramou “o golpe” contra Dilma. Diante da confusão e insegurança política o MDB-MG sangrou com a saída da legenda do Deputado Rodrigo Pacheco e do empresário Josué Alencar.
Agora em 2018 o imprudente PT estadual, por ordens do ex-presidente Lula da Silva apoiado por Pimentel, trouxe do Rio Grande do Sul a ex-presidente Dilma Rousseff para ser candidata ao Senado por Minas, o que foi uma rasteira no MDB estadual e no Deputado Adalclever, até então fiador do governo petista e cotado para disputar o Senado na chapa PT-MDB. Penso que Dilma Rousseff com seu potencial desagregador, pode até eleger-se para uma vaga no Senado. Fará campanha discutindo o “golpe” e poderá ser, como acredito que será, fator decisivo contra a reeleição de Fernando Pimentel.
Diante da realidade atual o MDB-MG é casa dividida com quatro correntes políticas pensando o caminho futuro: A primeira ala é liderada por Adalclever Lopes, que percorre Minas colocando-se como postulante ao governo do Estado. A segunda ala é a do vice Antônio Andrade, forte entre os convencionais, e que também pleiteia a vaga para governador. A terceira corrente é composta pelas bancadas estadual e federal que quer coligação proporcional com o PT, pois “eleição é tempo de murici, em que cada um cuida de si”. Os deputados do MDB precisam de uma aliança, pois o erro de lançar um candidato a governador fraco e a falta de coligação proporcional razoável pode ser fatal para a sobrevivência política deles, que aceitam correr riscos, mas não aceitam aventuras.
Existe ainda uma quarta ala no MDB-MG que defende o apoio para governador à candidatura de Antônio Anastasia (PSDB), e sugere eventual composição entre PSDB e MDB para as chapas proporcionais e majoritárias, com os emedebistas indicando um candidato a Senador, que poderia ser o ex-prefeito de Juiz de Fora, Bruno Siqueira ou Adalclever Lopes. Há tempo para articulações, os prazos são imperativos e em três semanas teremos as definições.

*Ex-deputado Federal Constituinte (MDB-MG)

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