Marília Alves Cunha – Educadora e escritora
“O mal do malandro é achar que todo mundo é otário!”
O Brasil, no ocaso da democracia, assiste com tristeza mais alguns capítulos de uma longa história. Uma história de corrupção que, parece, entranhou-se de tal maneira no ser e estar do nosso país, como uma praga que insiste em estabelecer-se, resistindo a todos os remédios que lhe são administrados. E a impunidade que também assola este país, podemos assegurar, é o mais eficiente fertilizante que faz a corrupção florescer e dar preciosos frutos.
Entramos num círculo vicioso de miséria moral, intelectual e social como nunca antes aconteceu. Somos um país cheio de riquezas, habitado por um povo cada vez mais pobre e despreparado. Infelizmente, o ambiente é perfeito para que se instale um regime autoritário que acabará levando o restinho da única coisa que sobrevive, como muito esforço do povo: a liberdade. E esta riqueza, depois de perdida, dificilmente poderá ser reconstituída.
O caso do Banco Master e do INSS são típicos de um país que já deixou para trás a sua moralidade, a sua soberania, o exemplo de país onde a lei era igual para todos e a justiça confiável, na sua integridade e isenção. Faz-se aquele barulhão (nas redes sociais é claro) com a descoberta diária de inúmeros meios de pilhar, roubar apoderar-se do bem público e privado. A mídia tradicional esmera-se em tratar os assuntos com a maior delicadeza, deixando que as notícias não cheguem tão fortes e estrondosas ao grande público. Principalmente quando a coisa começa a chegar muito perto dos políticos, apadrinhados e das grandes autoridades. Espera-se que os clamores pela justiça, a indignação e o sentimento de revolta daqueles que ainda se importam e querem um Brasil melhor, se arrefeçam e se calem diante de tanta barbaridade. É inacreditável o que vem acontecendo neste nosso Brasil. Não há boas notícias. Se alguém souber de alguma coisa boa que esteja sendo feita sem a interferência dos inconvenientes, avise a todos para que haja uma réstia de esperança no nosso coração.
E enquanto o país é destroçado diuturnamente, esmagado pela ânsia de poder, pela ambição desmedida, pela falta de interesse ou interesses escusos pela coisa pública, pela indiferença de muitos que poderiam estar fazendo a diferença, pela vaidade e orgulho, pelo egoísmo, pelo insano desejo de transpor qualquer obstáculo para impor suas vontades, o que faz o nosso Presidente?
Primeiro critica a classe média, dizendo que esta ostenta demais. Como se não pudesse esta classe que sustenta este país, como muito trabalho e pagando muito imposto, ter por exemplo duas televisões ou comprar blusinhas na Shein. Como se não pudesse a classe média, ter uma casa para alugar. Como não pudesse a classe média ousar sonhar, amealhando economias para viver um futuro melhor. E o nosso Presidente, não satisfeito em criticar a classe média, volta agora a sua metralhadora para os pobres. Pobre não deve consumir, pobre deve viver de vento, trabalhar mais e mais para viver cada vez mais miseravelmente. Tudo isto para, simplesmente, evitar que os ricos fiquem cada vez mais ricos. Disse com todas as letras: se o pobre consumir mais, o rico vai ficar mais rico…Quanta idiotice, meu Deus!
Sinceramente, que inveja daqueles países onde o povo é estimulado ao progresso, a ganhar mais, a adquirir as coisas que lhe são necessárias para viver melhor, para crescer. Inveja das grandes democracias onde há liberdade econômica, onde as pessoas pagam impostos com a certeza que tudo retornará ao povo em forma de benefícios e melhor qualidade de vida, onde a educação não é uma mentira, onde não se estimula a mediocridade e o viver de assistencialismo, sem sonhos ou vontade de progresso. Que inveja!