Marilia Alves Cunha – Educadora e escritora.

O Brasil já passou por muitas situações difíceis, nos seus 525 anos. Crises econômicas, crises morais, crises de autoridade enfim, nunca fomos um país que flanou suave em céus de brigadeiro. Sempre estivemos mais ou menos na corda bamba, esperando um tombo ou um balanço mais forte. Estamos sobrevivendo, aos trancos e barrancos. Estamos aqui, apesar das imensas dificuldades, nos agarrando á esperanças. Existe um povo mais esperançoso do que os que atenderam ao convite do Níkolas ou o seguiram pelos meios digitais, caminhando e falando sobre liberdade e justiça?

Nunca vimos o Brasil tão embaraçado, sem rumo, repleto de escândalos como o que se apresenta agora. Não é mais uma coisinha aqui, outra acolá, poucas pessoas, dinheiro na casa dos milhares. Não é mais uma situação que acontece, passa pelos trâmites legais, é julgada pelos meios e tribunais próprios e concluída no tempo certo. A coisa ficou muito pior, envolvendo altas autoridades dos três poderes agindo despudoradamente em favor dos próprios interesses e reagindo como se fossem criaturas angelicais, infernizadas por tiranetes que usam e abusam das redes sociais. E o dinheiro afrontosamente tirado do povo brasileiro, dinheiro na casa dos bilhões, enchendo bolsos dos novos milionários, bilionários de ocasião.

Precisamos de oposição a esta corrupção desenfreada. A oposição, dentro e fora do Congresso Nacional é essencialmente importante. É fator de liberdade, pluralidade de partidos políticos, eleições democráticas. Cito John Kennedy, em importante fala enquanto presidente dos EUA: “Os homens que questionam o poder trazem uma contribuição indispensável, especialmente quando o questionamento é desinteressado, pois eles determinam se usamos o poder ou se o poder nos usa”. É desta oposição desinteressada que o Brasil precisa com urgência, oposição que se faz a bem da nação, prejudicada até os ossos por aqueles que usam seus poderes e sua influência para degenerar tudo que de bom, honesto e limpo o Brasil ainda possui.

Bem, mudando um pouco de assunto, reporto-me aqui ao discurso do presidente Luiz Ignácio Lula da Silva, por ocasião do aniversário do PT, festejado na Bahia. Discurso grosseiro, indigno de um presidente e desrespeitoso para com os brasileiros. Neste discurso, Lula abandona a fala mansa de paz e amor e incita o povo a retaliar os que fazem críticas ao governo. Tem a eleição de 2026 como uma guerra que se faz principalmente nos meios digitais e quer ver os soldados na linha de frente, lutando contra os que se opõem a ele. Não é nenhuma surpresa: sempre odiou perder e sempre admirou (já disse isto) o regime chinês – um só partido e uma eleição que nada tem de democrática. Para não variar, cito Barack Obama, em seu discurso quando do término de seu segundo mandato como presidente dos EUA: “Se perdemos, aprendemos com nossos erros, fazemos algumas reflexões, sacudimos a poeira, nos erguemos e voltamos ao jogo. O importante é que todos sigam em frente, com presunção de boa fé em nosso povo. Porque esta presunção é essencial para a democracia vibrante e funcional. Eu estou ansioso para fazer tudo que puder para ter a certeza de que o próximo presidente tenha sucesso. Como já disse antes: eu penso neste trabalho como uma corrida de revezamento. Você pega o bastão, corre o melhor que puder com a esperança de que, quando for a hora de passar o bastão, você esteja um pouco à frente, você teve progresso. E eu quero garantir que a passagem do bastão seja bem executada. Porque acima de tudo, estamos no mesmo time”.
Bem entendido, o time a que Obama referia-se não era o time dos Democratas e sim o time do Estados Unidos da América. Bonito trecho de discurso, não é mesmo? Ainda temos muito a aprender! Espero que consigamos, com mais afinco! Já perdemos tempo demais, já perdemos economias demais, já perdemos vergonha demais e, parece, a paciência também começa a esgotar-se.

Marília Alves Cunha